quartas

É inegável que o nosso envolvimento com as crianças e adolescentes mais vulneráveis gera em nós mais perguntas do que respostas. Todas as quartas, tentaremos abordar uma única pergunta, não de forma completa mas de forma relevante!

O que o Novo Testamento nos diz sobre as crianças?

Um exame mais minucioso das Escrituras — um com a criança em mente — revela que as crianças são muito importantes no texto bíblico. As crianças desempenham um papel significativo à medida em que a mensagem da Bíblia é revelada. Deus ama e protege as crianças. A Bíblia demonstra que as crianças são extremamente perspicazes em compreender as coisas de Deus. Ele as usou, várias vezes, como  mensageiros e modelos — especialmente  quando os adultos pareciam ter se corrompido demais e se tornado surdos para ouvir ou responder.

Os discípulos discutiam entre si sobre quem seria o maior no reino por vir. Jesus, conhecedor desta discussão, pegou uma criança em seus braços e declarou:  “Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus.” Mt 18.3

Se encaramos Jesus  com seriedade, devemos então prestar atenção nisto. Raramente presta-se a devida atenção à criança que Jesus coloca no meio da discussão.

A criança introduzida por Jesus no meio da roda de discussão é o nosso ponto de partida. Muitos, (talvez a maioria) dos leitores das Escrituras deixam de ver quão importante são as crianças em todo o texto bíblico.  Para muitas igrejas hoje as crianças são a  “grande omissão”! Falhamos em ver como a teologia e a prática cristãs estão intimamente ligadas à criança, são ilustradas por ela, e só podem ser compreendidas se a inserirmos no centro da discussão.

(…)

A Bíblia ensina claramente que é preciso levar as crianças a sério, porque com certeza Deus o faz! Talvez nada entristecesse mais à Jesus do que o fazer uma criança “tropeçar”.  Em Mateus 18:5-6, Jesus diz que se alguém fizesse com que um dos pequeninos pecasse, este deveria ter uma pedra de moinho atada ao seu pescoço e que deveria ser afogado nas profundezas do mar. O original grego revela que a pedra de moinho era uma pedra muito grande e que a pessoa deveria ser jogada nas regiões mais profundas do oceano. Jesus não tinha nenhuma paciência ou consideração por qualquer um que agisse de forma perversa com as crianças.

Child, Church and Mission, Dan Brewster

00367-jesus-vectors-1013tm-setsvA seguir veja outras cinco grandes declarações sobre as crianças que têm fundamentação no Novo Testamento de acordo com Dan Brewster em seu livro Child, Church and Mission:.

  1. Deus escolheu vir ao mundo para revele-se primeiramente como um bebê e como uma criança. Talvez estejamos tão acostumados com o Natal que não percebemos o quanto isto é radical. O supremo Deus criador é uma criancinha tão pequena? Será isto possível? Se é, o que significa? Do ponto de vista divino não há complicação nenhuma; porém, isso abala nossos preconceitos. Um bebê é pequeno, fraco, dependente e vulnerável, precisa de educação e cuidados. E Deus nos fala que precisamos aprender a sair dos palácios e dos encontros com eruditos e poderosos e chegar até a manjedoura para ver a criança.
  2. Os anjos das crianças (elas têm anjos que cuidam delas!) têm um acesso especial ao Pai, que, quem sabe, outros anjos não tenham. A passagem (Mateus 18.10) parece indicar também que, independente dos afazeres de Deus em um dado momento, se um desses anjos vir uma criança em apuros,  ele mesmo chamará a atenção de Deus para aquele assunto imediatamente!
  3. Os adultos devem amar, respeitar e receber as crianças. Jesus demonstrou para nós sua preocupação pelas crianças com uma abordagem própria. Ele insistiu que seus discípulos recebessem as crianças e que não as atrapalhassem aos se aproximarem dele. Veja Mateus 19.13-14.
  4. Os pais são os cuidadores primários das crianças. O fato de Deus ter confiado o seu próprio filho aos cuidados de seres humanos sendo ele uma criança vulnerável indica a importância do papel dos pais. Deus exigiu que seu filho fosse criado por uma família e comunidade frágil mas capaz. A experiência de Jesus como criança fornece um modelo baseado na confiança e responsabilidade que devemos seguir.
  5. Jesus também manifesta uma grande consideração em relação à capacidade das crianças de entender a fé. Ele próprio é visto  “maravilhando” os anciãos religiosos quando ainda era um menino de 12 anos de idade. Jesus repreendeu os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei quando estes o questionaram sobre o louvor vindo da parte das crianças e a consideração delas para com Jesus. Uma vez no meio de um palavra dura  sobre arrependimento e juízo, Jesus parou, aparentemente impressionado com o fato de que de alguma forma no esquema divino, estas verdade estavam ocultas do “sábio” e “entendido” mas eram reconhecidas pelas crianças, “Eu te louvo, Pai, Senhor dos céus e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e cultos, e as revelaste aos pequeninos.” (Você já parou para pensar sobre o que é que as criancinhas compreendem e que nós adultos não conseguimos entender? Será algo inerente ao espírito delas que não dá para ser articulado? Ou será simplesmente uma capacidade de confiar e interagir, algo muito mais difícil para nós adultos?)

_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _

Veja mais, muito mais, no Capítulo 2 de “Child, Church and Mission”. Para obtê-lo na íntegra, escreva para cartas@maosdadas.org

  1. Estava pesquisando na internet material sobre crianças no Novo Testamento e ler esse artigo trouxe pra mim uma profunda decepção. Não esperava ler em um material da Ultimato, de quem tenho tão boas referências, algo que desse base para a crença popular do anjo da guarda. Foi decepcionante! Creio que qualquer exegeta perceberá que Mt 18.10 não fala de pequeninos simplesmente falando de crianças. Além disso, ler que é o anjo que chamará a atenção de Deus passou muito dos limites pra mim!

    • Prezado Fábio, bom dia! Agradeço o seu comentário.

      Me converti aos 4 aninhos, debaixo de um umbuzeiro no interior de Pernambuco onde meus pais eram missionários. O que eu entendi com 4 anos é que o meu coração estava sujo e que Jesus podia entrar e limpar. Eu pedi e Ele entrou e limpou! Eu nem sabia que Jesus tinha morrido por mim, que existia toda uma relação entre o sacrifício dele na cruz e a minha natureza pecaminosa, etc.

      De lá para cá, desenvolvi um apreço pelo mistério que é a nossa caminhada com Deus Pai, com Jesus, com o Espírito Santo. Acredito que muitas coisas ainda não estão totalmente claras mas que o que temos é o suficiente para colocar toda a nossa confiança nEle, assim como eu fiz quando tinha 4 anos.

      O autor do texto que o senhor menciona é o Dan Brewster. Ele tem hoje quase 70 anos e dedicou toda a sua carreira cristã para o trabalho de resgate das crianças que mais sofrem. Se aposentou com honra pela Compassion International e compartilhou sua experiência de trabalho acumulada neste livro cujo capítulo 2 resume seu entendimento sobre o que a Bíblia diz sobre a criança.

      Dan Brewster não é teólogo, ele mesmo diz que é missiólogo e não teria problema algum de ter esta passagem contestada pelo senhor em sua exegese.

      No entanto, é curioso que outros dois teólogos ingleses de origem batista, Haddon Willmer, professor emérito de teologia da Universidade de Leeds e orientador no doutorado do Oxford Centre For Mission Studies, and Keith J. White, professor de teologia do Spurgeons College, se debruçaram sobre Mateus 18 e lançaram um livro em 2013 com o título Entry Point. São 215 páginas de exegese do texto encontrado em Mateus 18, apenas os versículos de 1 a 14! E eles dedicaram um capítulo inteiro para o versículo de Mateus 18:10. Estamos traduzindo este capítulo agora e desejamos torná-lo disponível para nossos leitores ainda este semestre!

      Não vou adiantar para o senhor a conclusão destes dois teólogos. Acho que será uma leitura bem intrigante sobre um texto bíblico que continua misterioso para mim!

      Um abraço, Elsie Gilbert

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You may use these HTML tags and attributes:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>