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Aos 30 anos, Quézia foi diagnosticada com câncer de ovário. Durante os 8 meses de luta contra a doença ela descobriu muitas coisas importantes que mudaram e continuam mudando sua forma de viver e de ver a vida. Veja abaixo seu quarto relato sobre o consolo e a força que encontrou nas crianças:

Há uma história na Bíblia que nos faz pensar sobre gratidão, ou melhor, sobre a ingratidão humana:

A caminho de Jerusalém, Jesus passou pela divisa entre Samaria e Galileia. Ao entrar num povoado, dez leprosos dirigiram-se a ele. Ficaram a certa distância e gritaram em alta voz: “Jesus, Mestre, tem piedade de nós!” Ao vê-los, ele disse: “Vão mostrar-se aos sacerdotes”. Enquanto eles iam, foram purificados. Um deles, quando viu que estava curado, voltou, louvando a Deus em alta voz. Prostrou-se aos pés de Jesus e lhe agradeceu. Este era samaritano. Jesus perguntou: “Não foram purificados todos os dez? Onde estão os outros nove? Não se achou nenhum que voltasse e desse louvor a Deus, a não ser este estrangeiro? Lucas A Bíblia, em (Lucas 17:11-18)

Alguém já disse que “Os mortos recebem mais flores que os vivos porque o remorso é mais forte que a gratidão”. Adultos nem sempre dizem obrigado. Alguns quando dizem o fazem da boca para fora. A ingratidão acaba permeando o nosso cotidiano. Muitos de nós viajamos quilômetros para não faltar a um determinado velório, mas, antes disso, estivemos tanto tempo ausentes. Às vezes, não ‘fazemos’ um tempo para tomar café com um amigo, fazer uma caminhada com os sobrinhos, visitar os tios ou os avós. Ou seja, não damos honra em vida.

Longe desse mundo de valores invertidos parecem viver as crianças. Crianças sabem pedir e agradecer. Elas seguem a ordem natural das coisas: Pedem e recebem. Recebem e agradecem. As crianças têm um coração grato e deixam fluir essa gratidão em forma de palavras e de gestos.

Enquanto eu estava doente, os meus alunos da Escola Dominical tinham sempre um pedido na ponta da língua: a minha cura! Você pode imaginar dezenas de crianças juntas, numa manhã de domingo, pedindo a Deus – com sinceridade – por um milagre, pedindo a Deus que te cure, pedindo a Deus para que você não morra? Consegue mensurar a força da oração dessas crianças?

E depois de tudo, ficou a grande lição: Agradecer! Como as crianças têm boa memória… Elas pediram e receberam. Receberam e agradeceram. Isso ficou claro quando, em outro domingo, o tema discutido com outra professora era a gratidão. E elas, sem hesitar, usaram o meu exemplo: “Sim, nós devemos agradecer a Deus porque Ele curou a tia Quézia”. Ter o seu pedido aceito e não se esquecer de agradecer. Agradecer ao Deus poderoso. Agradecer e não esquecer jamais!

 

QueziaQuézia Queiroz é jornalista, mora em Brasília com seu marido David Magri e aos 30 anos, 7 anos após o seu casamento, descobriu que estava com câncer.

Conheça mais Quézia Queiroz em seu twitter: (clique aqui)

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