Empregadas domésticas sempre tiveram um papel importante na vida da família na qual trabalham e em especial na vida das crianças ali inseridas. No Brasil são 6,7 milhões de mulheres (OIT) nesta função. Hoje é o Dia da Empregada Doméstica e queremos homenageá-las trazendo à lembrança a história incrível de uma empregada doméstica que com suas múltiplas habilidades conseguiu salvar mais de 100 crianças órfãs na China no início do século passado.

Gladys Aylward nasceu em 1902, em Londres, Inglaterra. Filha de operários, pobre e sem muita instrução, ela começou a trabalhar aos 14 anos como Gladys-Aylward-misionera_clip_image001empregada doméstica. Aos 26 anos, foi inundada pela graça de Deus e decidiu segui-lo, uma decisão firme que daria à sua vida uma trajetória incomum.
Gladys sentiu-se chamada para pregar o evangelho na China. Quis estudar na Missão para o Interior da China, mas após três meses de treinamento não foi aprovada nos exames.
Estudou com afinco e sozinha todos os livros da Bíblia e a história da China. Poupou dinheiro e pediu a Deus orientação. Pregava nas praças públicas de Londres, pois sabia que precisava fazer em seu país o mesmo que gostaria de realizar na China.
Em 15 de outubro de 1932, aos 30 anos de idade, Gladyspartiu para Yangcheng, China, onde trabalharia como ajudante de uma missionária viúva de 73 anos, Jeannie Lawson. Na bagagem levou poucas roupas, alguns utensílios domésticos, a Bíblia, uma caneta e uma quantia pequena de dinheiro.
Junto com a sra. Lawson, Gladys fundou uma pousada para receber vendedores itinerantes. À noite, elas contavam histórias bíblicas aos hóspedes. Oito meses depois, a Sra. Lawson morreu e Gladys ficou sem sustento nem direção. Foi quando um alto funcionário do governo chinês lhe ofereceu um trabalho: ser inspetora de pés. Era costume da época na China enfaixar os pés das meninas para evitar que eles crescessem muito. Como causava dores e deformações nos pés, o governo chinês proibiu a prática. O trabalho de Gladys, então, era inspecionar pés de meninas para garantir que a proibição fosse respeitada.
Por causa de seu formidável testemunho de desprendimento e compaixão, Gladys ficou conhecida pelo povo como Ai We Deh (mulher virtuosa, em chinês). Em 1936 tornou-se cidadã chinesa. O feito mais impressionante de Gladys aconteceu em 1938, quando o exército japonês invadiu Yangcheng. Gladys salvou mais de cem crianças, que estavam abrigadas no orfanato que criara, fugindo pelas montanhas durante 21 dias de fome, sofrimento e medo.
Em 1943, Gladys Aylward foi reconhecida oficialmente como missionária. Em 1957 ela confessou a uma amiga: “Eu nunca fui a primeira opção de Deus para o que fiz pela China. Havia outra pessoa. Não sei quem. Deve ter sido um homem maravilhoso e educado. Não sei o que aconteceu. Talvez ele tivesse morrido, talvez não se mostrasse disposto. Deus olhou para baixo e viu Gladys Aylward.”1

1 TUCKER, Ruth. Até os Confins da Terra. p. 271.
Gladys Aylward trabalhou até a sua morte em 1970. Sua vida foi contada no livro Apenas Uma Pequena Mulher e no filme A Morada da Sexta Felicidade, com Ingrid Bergman.

 

Texto publicado originalmente na edição 15 da Revista Mãos Dadas.

  1. Tomei conhecimento da vida extraordinária desta grande mulher, (Gladys Aylward) através do romance “A Pousada da Sexta Felicidade” da autoria de Alan Burgess. Fiquei maravilhado com o percurso verdadeiramente épico deste ser de uma extraordinária força de vontade que engrandece e nos faz acreditar na humanidade.
    Fiz a presente pesquisa para saber ainda mais sobre esta Mulher-Maravilha. Obrigado pela valiosa publicação do percurso desta personagem, que ganhou, sem dúvida a eternidade.

  2. Fiquei deveras agradada com a vossa publicação, que veio enriquecer os meus conhecimentos sobre a extraordinária mulher que foi Gladys Aylward, embora já tivesse um conhecimento bastante generalizado sobre a mesma, através do estupendo romance “A Pousada da Sexta Felicidade” da autoria do escritor
    Alan Burgess.

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