Foto de arquivo pessoal

Quézia antes de descobrir o câncer, com Débora, sua fiel consoladora

Quézia Queiroz é jornalista, mora em Brasília com seu marido David Magri e aos 30 anos, 7 anos após o seu casamento, descobriu que estava com câncer de ovário. Durante os 8 meses de luta contra a doença ela descobriu muitas coisas importantes que mudaram e continuam mudando sua forma de viver e de ver a vida. Entre elas está sua experiência com as crianças:

Depois de certa idade, a vida te permite acompanhar o crescimento de algumas crianças próximas, desde o nascimento. Quando menos percebe, já assumiu o lindo papel de “tia” com todo o pacote especial que ele trás. E eu não falo aqui de laço sanguíneo. Eu falo de uma criança que entra na sua vida e te escolhe como tia, te escolhe para amar.

Conheci a Débora na mesma semana que ela conheceu o mundo. Ela nasceu grande e forte, e tão cheia de cabelos! Por ser filha de uma família de amigos muito próximos, sempre esteve comigo. Lembro-me de várias fases: o primeiro aniversário, a ‘capatora’ – como ela conseguia pronunciar catapora – os primeiros dias na escola…

Quando descobri que estava doente, passei uma semana me preparando para dar a notícia aos outros. Acredite, contar a quem você ama que está com câncer é tão difícil quanto receber o diagnóstico. Mas naquela semana eu não queria pensar na doença. Eu não queria pensar em morte, nem no tratamento difícil que me aguardava. Eu queria uma companhia doce e leve. Eu queria estar com a Débora. E foi o que fiz. No quarto, fechamos a porta e brincamos por horas. Nenhuma conversa sisuda. Apenas abraço sincero e sorriso fácil. 

O tratamento começou e minha nutricionista, mãe da Débora, me acompanhou de perto, por isso, ela também. Um dia, viu as marcas no meu braço das aplicações de quimioterapia e disse: “Tia, você tomou o remédio hoje aqui, não foi?” Eu confirmei. Ela continuou: “Doeu?” – naqueles dias, as minhas veias começaram a ficar fracas, em consequência da toxidade das medicações. Eu também estava fraquejando, cansada de sentir dor, cansada de assistir diariamente, por quase uma hora, as tentativas dos enfermeiros de acessar alguma veia – Por isso eu disse: “Sim, doeu muito, Débora”. Ela completou com uma certeza contagiante: “Mas vai passar, tia. Vai sarar”.

Quando cheguei perto dela sem cabelos, de lenço, não sabia qual seria sua reação. Simulei algumas respostas para possíveis perguntas tipicamente infantis. Ela me puxou até o quarto e me apresentou uma de suas bonecas. Ela era bege escura – da cor que ela me descreve – e, para minha surpresa, ela estava quase sem cabelos. “Vamos brincar com essa boneca, hoje. Olha como ela é linda! Viu?” – dizia, apontando para a cabeça dela – “Ela é linda!” Não resisti. Eu chorei. E continuei chorando e brincando.  

A Débora encarnou para mim o amor de Jesus. Ela entrou na minha vida para me ensinar sobre a prática do amor, para me fazer entender que o amor é bondoso. Atos de bondade precisam ser expressos em gestos singelos de aceitação e encorajamento como os da Débora. Naquele momento, Deus colocou uma criança em minha vida, também, para fortalecer a minha fé. Ela tinha certeza do que ainda estava por vir, ao me dizer: “Vai passar, vai sarar”. Suas palavras foram o consolo necessário na hora certa. Enquanto ela me dizia, o Espírito Santo confirmava em meu coração: Espere… Aguente mais um pouco. A vitória virá!

  1. Que história edificante!!! É muito bom ver que DEUS É: Deus de vida e de vitória! Ver seu testemunho; de como mudou a sua história, Ele faz como Ele quer, ainda que não entendamos o real propósito no momento da dor.. Crer, Confiar, Descansar e Alcançar!!! Te amo em Cristo!!

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