Lausanne Global Analysis Port

Quando falamos de missões não é incomum pensarmos, por exemplo, no desafio dos grupos indígenas brasileiros. Por outro lado, o tráfico de seres humanos, os meios modernos de comunicação e a etnodoxologia não são, necessariamente, os primeiros tópicos que vêm à nossa mente em uma reflexão missiológica. Porém, são justamente estes os temas desta edição da “Análise Global de Lausanne”. Continue lendo →

Comentário do Editor: Este Documento Avançado de Cape Town 2010 foi escrito por S. Kent Parks e John Scott com o objetivo de oferecer um panorama do tema a ser discutido na sessão Multiplex intitulada “Não Alcançados: ‘Um Quarto do Mundo’ sem ajuda”.

OVELHA PERDIDA, MOEDAS PERDIDAS, POVOS PERDIDOS

Certo dia, os companheiros de Jesus, coletores de impostos e pecadores, juntaram-se em torno dele para ouvi-lo: “Qual de vocês que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma,… Ou, qual é a mulher que, possuindo dez moedas e, perdendo uma delas…” (Lucas 15). Essa multidão não teve problema para entender Jesus. Eles sabiam o que significa estar perdido.  Continue lendo →

Observação do Editor: Este Documento Avançado Cape Town 2010 foi escrito por Stephan Bauman, Wendy Wellman e Megan Laughlin e oferece um panorama global do tópico a ser discutido na sessão Multiplex sobre “Riqueza, Pobreza e Poder: Resposta Eficaz através da Igreja Global e Local”.

 

Resumo

 Este documento explora princípios bíblicos de riqueza, pobreza e poder sob a perspectiva dos programas de desenvolvimento econômico ‘Savings for Life’ (Poupando para a Vida) do World Relief (Ajuda ao Mundo) na região dos Grandes Lagos, na África.  Princípios sábios e práticos comprovados são agora muito importantes, e a Igreja global busca responder ao chamado de Cristo para promover “esperança e um futuro” para o pobre e oprimido, principalmente para as mulheres do mundo em desenvolvimento.  Desafiando percepções tradicionais de riqueza, pobreza e poder, os grupos de poupança das comunidades mobilizam seus recursos financeiros, cuidam uns dos outros entre si em tempos de necessidade, e buscam transformar a própria coletividade.  Como resultado, mulheres simples africanas promovem paz e esperança em algumas das comunidades mais pobres do mundo. A compreensão bíblica de riqueza, no sentido pleno da palavra –  dons divinos, capital, espiritual e social, incluindo criatividade— é necessária para liberar todo o potencial do indivíduo materialmente pobre e engajá-lo como agente na criação de seu novo futuro com Deus. Esta ampla definição de riqueza, que vai além da definição usual como bem estar econômico, é explorada culminando com três exemplos de mulheres africanas participantes do movimento de poupança. Continue lendo →

Nota do Editor: Este Documento Avançado Cape Town 2010 foi escrito por Ram Gidoomal em colaboração com o Grupo de Trabalho de Mobilização de Recursos como uma visão panorâmica do tópico a ser discutido na sessão Multiplex sobre “Mobilização de Recursos para a Evangelização do Mundo”.

Introdução      

No início do século vinte, uma oportunidade sem precedentes existe para discipular a igreja no padrão bíblico fundamental de mordomia holística. À medida que a igreja se torna cada vez mais consciente das questões de sustentabilidade, busca entender e fortalecer o papel do negócio, e expande a mensagem da graça de dar como motivo central da vida cristã, um ambiente para transformação cria raízes: pessoais e corporativas.

Mordomia centrada em Cristo – ou seja, gerenciamento dos recursos de Deus para Seus propósitos – começará a promover mais responsabilidade em relação aos negócios e ministério, mais colaboração nos esforços ministeriais para maior eficiência, e motivações saudáveis e padrões de doar nas vidas de todos cristãos, independentemente da riqueza, localização ou status. 

Seção 1. Mordomia do Reino: Discipulado de Mordomia Centrado em Cristo

Enquanto a maioria dos cristãos, senão todos, aplica a linguagem de mordomia para descrever a missão de Deus no mundo, o entendimento teológico fundamental de mordomia varia grandemente entre denominações e tradições religiosas.

Alguns grupos pensam que mordomia é dizimar. Outros acham que mordomia significa voluntariar ou viver um estilo de vida simples. Outros ainda identificam mordomia com conservação ambiental, ação social, doações de caridade ou fazer discípulos através do evangelismo.

Cada uma dessas boas e necessárias atividades apontam para um aspecto essencial da mordomia.  Mas cada uma delas isoladamentedeixa de capturar a visão inspiradora da mordomia bíblica como forma de discipulado holístico que engloba toda vocação legítima e chamado para cumprir a missão de Deus no mundo. Nesse sentido, mordomia holística, generosidade transformacional, ministério no local de trabalho, negócio como missão e o movimento da teologia do trabalho, todos compartilham um ponto em comum na questão da origem na visão bíblica de missão como discipulado holítico.

Por que essa visão inspiradora sofreu uma combatida? Ela sofreu oposição por duas razões principais: (1) porque evangélicos tiraram a mordomia de um entendimento holístico da missão de Deus para levantar fundos para missões globais e para a igreja local, e (2) porque evangélicos, ao mesmo tempo, mantiveram a distinção problemática entre vocação clerical e vocação comum, que serviu apenas para reforçar o antigo muro que foi eregido entre chamados sagrado e secular.

Como resultado imediato do Primerio Congresso Internacional sobre Evangelização Mundial, John Stott, em suas palestras de Oxford em 1975 entituladas “A Missão Cristã no Mundo Moderno”, identificou a raiz teológica da causa do problema. Ele discerniu que evangélicos pareciam incapazes de se integrar satisfatóriamente com o Grande Mandamento (Lev 19:18), de “amar o teu próximo como a si mesmo”, com a Grande Comissão (Mat 28:19), de “ir e fazer discípulos de todas as nações.” A missão de Deus, Stott insistiu em Mateus 5:13-16, “descreve tudo para o que a igreja foi enviada para fazer no mundo. [Ela] engloba a vocação dupla do serviço da igreja de ser ‘o sal da terra’ e ‘a luz do mundo’ (pag. 30-31). O alvo Lausanne é que toda a igreja apresente todo o evangelho para todo o mundo.

Nós do Grupo de Trabalho de Mobilização de Recursos acreditamos que o entendimento correto do escopo da missão de Deus coloca uma responsabilidade de mordomia sobre todos os cristãos para se unirem ao Filho no poder do Espírito para cumprirem o propósito do Pai na criação e redenção.  No seu nível mais básico, mordomia bíblica é holística e missional, tocando todas as áreas da vida e aplicada a toda vocação legítima no serviço para Jesus Cristo, que é “o primogênito de toda criação” e “a cabeça do corpo que é a igreja” (Col 1:15-20).

À luz desse sentido de missão, a responsalidade do Grupo de Trabalho de Mobilização de Recursos é oferecer à igreja global um conceito robusto de mordomia do reino e de generosidade através da distribuição de recursos bíblicos estratégicos, e também avançar a oportunidade global de aumentar a coloboração do reino para apoiar ministérios sustentáveis ao redor do mundo através do uso de tecnologias emergentes e conectividade dos tempos atuais sem precendentes.

Mordomia do Reino                                                                                         

Mordomia é um tema central em toda a Escritura tanto quanto temas bíblicos fundamentais como criação, queda, redenção e consumação. Antes de continuarmos avançando, no entanto, precisamos chegar a um entendimento comum do termo.

O termo ‘mordomia’ tem sofrido abusos no decorrer dos anos. O dicionário define ‘mordomia’ como “gerenciamento da propriedade de outra pessoa”.  Essa pode ser uma definição suficientemente precisa para a maioria do seu uso, mas a palavra ‘mordomia’ é a tradução da palavra grega “oikonomia”, que se relaciona principalmente ao gerenciamento financeiro de uma casa. O termo é uma combinação”oikos” – casa, e “nomos” – lei.

No uso do grego clássico a palavra tem dois significados: (1) exercitar uma capacidade administrativa, e (2) o escritório do administrador, ou mordomo. Foi usada para coisas como acomodação de prédios, preparação de discursos, e mais particularmente, a administração financeira de uma cidade.

Nos evangelhos, “oikonomia” é usada principalmente para significar o gerenciamento ou administração da propriedade de outros (Mat 20:8; Lucas12:42; e Lucas 16:2). O registro de Mateus da Parábola dos Talentos (25:14-30) e o registro de Lucas da Parábola do Administrador Astuto (16:1-13) ilustram claramente esse uso de “oikonomia”.

Nas cartas de Paulo, entretanto, a palavra “oikonomia” é apresentada com o significado completo e amplo. A palavra é aplicada (1) à responsabilidade confiada a Paulo de pregar o Evangelho (1 Cor 9:17); (2) à mordomia comissionada a Paulo de cumprir o plano divino e o propósito relacionado à igreja, que é o corpo de Cristo (Ef 3:2); e (3) ao plano ou administração de Deus, conforme a carta de Efésios declara, foi “estabelecido em Cristo de fazer convergir n’Ele todas as coisas, celestiais ou terrenas, na dispensação dos tempos” (Ef 1:9-10; 3:9; 1Tim 1:4). O significado aqui é que Deus é o Mestre de uma grande casa (cosmos) e administra o seu governo sobre ela; isso Ele está fazendo através da pessoa de Seu Filho, Jesus Cristo, que por outro lado comissionou Seus mordomos humanos (Gen 1:28-30) para gerenciar a casa do Pai através do poder encorajador do Espírito Santo.

Essencialmente, mordomia bíblica é a coroação dos mordomos de Deus para cumprir a missão de Deus na criação e na redenção. Este é um privilégio profundo e vai além do simples fato de ser um sábio encarregado do dinheiro e da propriedade de Deus. Na verdade, as Escrituras afirmam que cada um de nós é um mordomo da criação e do projeto de Deus para todas as áreas da vida.

Nossa gerência dos recursos de Deus não é uma solicitação, é um fato. Não escolhemos ser gerentes dos recursos de Deus; Deus já nos “confiou” Seus recursos.

 

O “Quem” da Mordomia

Quase todos concordam que precisamos ser gerentes operantes e responsáveis de dinheiro, tempo, recursos e oportunidades. Quer falemos de mordomia financeira, mordomia ambiental ou mordomia corporativa, quem argumentaria sobre nosso dever de efetivamente gerenciar cada uma dessas áreas?

Mesmo assim, se voltarmos à definição de mordomia, que é, “administração dos bens de outra pessoa”, determinamos primeiramente o “Quem” da mordomia. Por definição, estamos gerenciando para outra pessoa. Mas para quem estamos gerenciando essas arenas da vida? Dependendo de quem você pergunta, terá uma variedade de respostas. As Escrituras, entretanto, afirmam que somos gerentes dos bens de Deus. Já em Gênesis 1 vemos que Deus é o único fundador e proprietário do empreendimento cósmico que chamamos de universo. As Escrituras não deixam dúvida sobre sua incontestável posse e controle de tudo que Ele fez, da terra e de seus recursos naturais, plantas e animais.

Em nenhum momento nas Escrituras lemos sobre Deus abrir mão como proprietário de tudo que criou. O Salmo 24:1-2 nos lembra que “do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nEle vivem; pois foi Ele quem fundou-a sobre os mares e firmou-a sobre as águas”. O direito soberano de Deus sobre Sua criação é ainda reforçado pelo Salmo 50:10-12: “… pois todos os animais da florestas são meus, como são as cabeças de gado aos milhares nas colinas. Conheço todas as aves dos montes, e cuidas das criaturas do campo. Se eu tivesse fome, precisaria dizer a você? Pois o mundo é meu, e tudo o que nEle existe”.

Deus é o “Quem” da mordomia. Estamos gerenciando para o Deus vivo. Outras pessoas ou organizações podem se beneficiar quando nos tornamos efetivamente mordomos. Mas nossa principal responsabilidade é para Aquele que nos confiou tudo ao nosso cuidado.

 

O “O Que” da Mordomia

Uma vez estabelecido Deus como criador e proprietário de tudo que vemos e experimentamos, a próxima pergunta é: “’O que’ Deus confiou ao nosso cuidado?”.  A “Bíblia de Estudo Sobre Mordomia NVI (NIV Stewardship Study Bible)” revela mais de uma dezena de áreas diferentes da vida que Deus designou para nós como mordomos. Essas áreas refletem o “O Que” da mordomia.

Um estudo específico das Escrituras mostra que aos mordomos de Deus foi confiada uma variedade de responsabilidades da mordomia, como: a missão de Deus no mundo; verdade; nova vida em Cristo; bens tangíveis como dinheiro e propriedades; graça e perdão; o meio-ambiente; a revelação de Deus da Sua vontade na Bíblia; instituições como família, o estado e a igreja; nossos corpos; tempo; relacionamentos de todos os tipos na família e na sua extensão; a formação do nosso caráter; nossos vários papéis como servos; e nossos talentos, aptidões naturais e dons espirituais.

Este tipo de gerenciamento completo é uma responsabilidade grande que vai além do ser um sábio encarregado do dinheiro e da propriedade de Deus. Quando este entendimento de mordomia é destilado até sua idéia central, vemos que os mordomos bíblicos são gerentes de confiança do plano de Deus para todas áreas da vida.  É claro que o privilégio de ser mordomo de Deus requer que cada um de nós entenda para “o que” ele ou ela foi chamado para gerenciar. E mais, como povo de Deus enviado para todas as regiões do mundo e setores da sociedade, devemos manter um bom entendimento da dupla vocação de serviço da igreja para ser “o sal da terra” e “a luz do mundo”, e as implicações da nossa vida diária e nossa teologia da mordomia.

 

O “Como” da Mordomia

O primeiro tema importante de mordomia recorrente em toda a Escritura é o fato de que Deus é o autor e proprietário de tudo o que vemos e que não vemos. Muito associada a este tema amplo da propriedade de Deus está a idéia de que nossa efetiva mordomia de todas as coisas deve ser avaliada de acordo com os padrões de Deus. Em outras palavras, uma vez que Deus é o Criador do mundo, quem daria a melhor resposta sobre como efetivamente gerenciar todas as arenas da vida além do próprio autor e projetista?

Mordomia e generosidade são dois dos mais profundos privilégios do cristão. Eles são privilégios dados por um Deus que nos ama e quer somente o melhor para cada um de nós. Deus não nos quer que vejamos esses privilégios como responsabilidades a serem exercidas ou obrigações impostas sobre nós por um Deus que não se importa com a gente.

Imagine—o Deus do universo chamou você e a mim para sermos Seus mordomos. Este fato curioso por si só deveria nos levar a descobrir não apenas “o que” foi confiado aos nossos cuidados, mas também “como” Deus pretende que cada área da vida seja gerenciada para Sua glória.

Servimos a um Deus perfeito––não estamos falando um Deus com uma vaga ideia de como a vida funciona melhor. O plano de Deus para nossa vida não tem falhas. Depois que a humanidade caiu no pecado e se tornou separada de Deus, nossa tendência é gerenciar a vida como se ela fosse nossa—como se soubéssemos o que é melhor para nós e como a missão de Deus pode ser melhor realizada.

Somente entendemos o “Como” de mordomia quando buscamos conhecer e entender o “Quem” da mordomia. Mordomia efetiva só pode ser conquistada quando buscamos diligentemente Aquele para quem fomos comissionados como mordomos reais.

 

O “Por que” da Mordomia

Por que um Deus que pode e conhece todas as coisas, que está no controle de tudo que criou, nos designou como mordomos dos Seus recursos?

Deus não precisa que sejamos Seus mordomos. Deus é mais do que capaz de gerenciar Sua criação.  Se Deus não precisa de nós para sermos Seus mordomos, por que Ele nos “escolheu” para sermos Seus mordomos?

A Escrituras revelam sete propósitos para os quais Deus nos comissionou como Seus mordomos.

Primeiro, Deus quer que Seus mordomos tenham um caráter irrepreensível. Nossa efetiva mordomia nos leva para o que Deus nos chamou como indivíduos. Carregamos em nós mesmos a imagem de Deus. Isso é um grande privilégio e uma grande responsabilidade. Tal responsabilidade requer a mordomia intencional por toda a vida.

Segundo, Deus busca desenvolver em Seus mordomos um compromisso firme e estável. Nossa efetiva mordomia nos leva a obedecer a Deus independentemente do custo implícito nisso. Deus nos confia recursos sob nossa responsabilidade—dinheiro, bens, inteligência, tempo, liberdade, instituições, relacionamentos de todos os tipos, filhos e posse de coisas que às vezes deixamos entulhar nossas vidas. Em troca disso, Ele espera que gerenciemos essas coisas refletindo nosso compromisso firme e estável com Ele.

Terceiro, Deus quer que Seus mordomos demonstrem conformidade com Sua vontade à medida que nos tornamos mais e mais conforme Sua imagem. Nossa efetiva mordomia nos impele a estarmos em conformidade com a vontade e os desejos de Deus. Somente em nossa persistente e consistente busca de Deus é que Ele revela Seu bom e perfeito plano para nossas vidas. E Sua perfeita vontade para nossas vidas é muito mais superior do que podemos imaginar.

Quarto, Deus deseja que Seus mordomos incorporem compaixão em suas atitudes, ao cumprirem o Grande Mandamento de amar o próximo como a si mesmos. (Lev 19:18). Nossa efetiva mordomia nos leva a colocar as necessidades dos outros acima das nossas próprias. Nas Escrituras lemos sobre o desejo de Deus de que sejamos doadores generosos, de que vivamos prontos para dar. O apóstolo Paulo em 2 Coríntios 8:7 fala sobre o desejo de Deus de que nos destaquemos no “privilégio de contribuir”.  Fomos feitos para viver em relacionamentos, em comunidade com outras pessoas. E Deus deseja que compartilhemos o coração dEle com aqueles que Ele coloca em nosso caminho.

Quinto, Deus deu a cada um dos Seus mordomos um chamado singular. Nossa efetiva mordomia nos leva a cumprir nosso papel singular no Corpo de Cristo (1Cor 12:12-30). Com amor Deus afirma no Salmo 139:13 que Ele nos teceu no ventre de nossas mães. Individualmente somos criaturas singulares, como espécie, somos únicos entre todas as outras criaturas que Deus trouxe à existência.

Sexto, Deus quer que Seus mordomos entendam a singularidade do seu comissionamento. Nossa efetiva mordomia nos leva a reconhecer o privilégio de compartilhar no cumprimento da missão de Deus. Ao nos tornarmos efetivos mordomos em cada área de nossas vidas, nos tornamos melhor preparados para exercer um papel, pequeno ou grande, no comissionamento singular de compartilhar as Boas Novas de Jesus Cristo.

Sétimo, Deus quer que Seus mordomos estejam engajados em uma celebração sem fim da Sua glória. Nossa efetiva mordomia nos leva a glorificar continuamente Aquele que nos escolheu para sermos Seus mordomos. À medida que amadurecemos em nossa mordomia, nossa motivação pelo gerenciamento de Seus dons reflete cada vez mais nosso desejo de glorificá-lO, honrá-lO e louvá-lO simplesmente porque Ele é digno.

Tornando-se Mordomos do Reino

Os propósitos de Deus para mordomia podem ser melhor compreendidos através das lentes do Seu plano, do Seu povo e do Seu processo:

O Plano de Deus. Deus nos confiou Seu Filho para que nosso relacionamento com Ele fosse reparado. Ele nos confiou um relacionamento com o Seu Filho. Nossa resposta talvez seja a decisão pessoal de mordomia mais importante que tomaremos.

O Povo de Deus. Deus também nos confiou uma responsabilidade momentânea de implementar Sua missão no mundo. Ele poderia ter escolhido qualquer outra maneira—inclusive outras opções que humanamente seriam inconcebíveis—mas mesmo assim Ele escolheu você e eu para cumprirmos essa tarefa urgente. Pense nisso—Deus, sabendo que temos a tendência de falhar com Ele, escolheu e ainda nos escolhe para anunciar o evangelho e fazer discípulos de todas as nações.

O Processo de Deus. Em Sua infinita sabedoria, Deus também nos confiou Seus recursos para cumprirmos as tarefas que Ele colocou diante de nós. Ele nos dá tudo o que precisamos para cumprir Seus propósitos divinos. Ele escolhe confiar em nós o compartilhamento de nossos recursos e o exercício das vocações que Ele nos deu e os chamados para o cumprimento da Sua missão no mundo.

Todos nós recebemos recursos planejad

os e criados por Deus. Todos nós temos a oportunidade de servir e glorificar a Deus com o que Ele confiou aos nossos cuidados.  Cada indivíduo é um mordomo porque Deus planejou assim. Mas Deus não quer que gerenciemos Sua criação sem planejamento, “por padrão”. Ele quer que gerenciemos “com propósito”, com Seu propósito. O projeto de Deus para completar Sua missão na igreja e através dela requer um significante grau de colaboração e generosidade entre o Seu povo para criar ministérios efetivos e sustentáveis em todo o mundo.  Também é necessário um uso tecnológico amplo e agressivo para mobilizar recursos e para compartilhar informações valiosas de diversas regiões geográficas.

 

Seção 2. Mordomia do Reino: Tecnologia e a Internet no Mundo Cristão

Tendênciais Atuais e Oportunidades de Crescimento em Generosidade e Mobilização de Recursos

A Internet, tanto quando a Bíblia de Gutenberg, continua a revolucionar a maneira como os seguidores de Cristo em todo o mundo têm acesso à informação, à inspiração e à comunidade. Nós do Grupo de Trabalho Mobilização de Recursos vemos essa tendência se acelerar em níveis sem precedentes. Com o advento dos sites ‘Web 2.0’––sites que oferecem um fluxo de informação fluido, comunicação focada e diálogo imediato via plataformas dominantes de comunicação via internet––além de acesso crescente a tecnologia móvel de hoje em dia, inovação contínua de capacidade de internet, podem e irão impactar dramaticamente o ministério de seguidores de Cristo nos próximos vinte anos.

Em nenhum lugar vemos essa tendência causando mais impacto do que na mobilização de recursos. Seguidores de Cristo em organizações como Kiva.org, CharityWater.org e GlobalFast.org, como alguns exemplos, são líderes no uso dos dons que Deus deu para trazer ferramentas de doação inovadoras.

Um dos aspectos mais importantes da internet (e do desenvolvimento de tecnologias como um todo) é a democratização de conteúdo e de comunidade, oferecendo em nosso dias informação e e-aplicações tanto para a víuva pobre com suas duas moedinhas, e o jovem rico.

Se a primeira safra de plataformas de mobilização de recursos que teve destaque nos últimos anos é um indicador, sabemos que plataformas líderes daqui a vinte anos provavelmente serão totalmente diferentes. Muitos desses futuros sites, entretanto, provavelmente serão inspirados pela atual safra de plataformas que impacta a mobilização de recursos:

Entre os websites estão os seguintes, mas lista não se limita a estes:

  1. Kiva.org—uma plataforma que traz transações peer-to-peer (ponto a ponto) para o mundo microfinanceiro.
  2. CharityWater.org— uma plataforma para levantar sustento para água potável, alcançando massas através de projeto e estética brilhantes, ferramentas de multimídia e festivais Twitter ao vivo de comunidades com novos poços.
  3. Durhamcares.org—uma plataforma que destaca organizações que estabelecem alvos para elas mesmas e permite aos usuários contribuirem diretamente para essa organização e/ou se/quando a organização alcança o seu objetivo.
  4. MinistrySpotlight.org—uma plataforma aberta que busca ajudar seguidores de Cristo a encontrarem entusiasmo para o seu chamado, junto com um blog para ajudar usuários aprenderem sobre efetivas abordagens ministeriais.
  5. GlobalFast.org—uma plataforma (inspirada em Isaías 58) que somente aceita doações financeiras feitas através de jejum e oração. Através do dispositivo “acompanhe o seu impacto”, mostra-se particularmente efetiva na capacitação de adolescentes e jovens para criar um nova geração de doadores, e na transformação dos receptores de tais projetos de ajuda ao conhecerem a fonte da sua ajuda.
  6. GenerousGiving.org—nem tão “high-tech”, mas provavelmente o melhor recurso online para material para pastores, educadores, seminaristas, pequenos grupos e indivíduos sobre o “Por Que” de dar.
  7. Nationalchristian.com—uma organização evangélica -National Christian Foundation (NCF), Fundação Cristã Nacional, que impulsiona a tecnologia para um nível mais alto em arenas de mordomia/organizações de caridade. Todos os processos da NCF utilizam a web e sofisticadas tecnologias para impactar o reino a partir de ponto de vista de mordomia financeira. Como resultado, só nos três primeiros meses e meio de 2010, a NCF gerenciou mais de 6800 transações totalizando mais de $90 milhões em contribuições para milhares de doadores. Também gerenciou mais de 17000 transações totalizando $125 milhões em subvenções para custear obras do Reino em todo o mundo. Quase todas essas atividades são impulsionadas pela web e por outras tecnologias relacionadas. A NCF também está investindo milhares de dólares em 2010 especificamente na expansão do uso da tecnologia nas próximas décadas.

 

Acreditamos que exista um número de ingredientes essenciais que qualquer website de mobilização de recursos tenha que ter para ser bem sucedido:

  1. Interativo / Doador Contribuindo com Conteúdo. Os sites não podem continuar com um sofisticados sistema de cartões de visita online com dados estáticos. Os usuários precisam ser atraídos para uma experiência. Blogs, forums/grupos de chat, e comentários sempre são maneiras de fazer as coisas acontecerem.
  2. Multimedia—MP3s,” vídeo on-line”, webcams e filmes. Existem pouco lugares onde a diferença entre bom e excelente seja tão pronunciada. Um bom vídeo promovendo um ministério pode atrair alguns poucos milhares de expectadores—um vídeo excelente, alguns milhões. A busca por vídeos produzidos acaba na Advent Conspiracy onde se vê como um vídeo excelente é.
  3. Serviços de Tradução. É essencial que a igreja global seja capaz de se comunicar prontamente uns com os outros. Novos aplicativos de servidores como Google oferecem serviço de tradução através de API.
  4. Marketing Social. Os websites devem estar integrados com aplicativos de marketing social como Facebook e Twitter.
  5. Preparando a Igreja Local. Além das Escrituras, o principal canal de distribuição de inspiração, informação e seleção de ministérios para apoiar é a igreja local. Sites de mobilização de recursos devem buscar maneiras de apoiar as instituições da igreja local. Microsites e widgets são duas maneiras de apoiar comunidades e diálogos locais, como uma discussão particular com apenas o pastor e os membros da igreja. Usuários individuais também devem ter acesso ao conteúdo mais amplo de todo o banco de dados e participar do diálogo mundial.
  6. Segurança. Iniciativas de mobilização de recursos em todo o mundo tem diferentes necessidades de segurança, tanto em termos de informação acessível no website, como a necessidade de proteção contra “hackers”. Técnicas para abordar esses desafios podem incluir permissão de usuários, para que membros acessem vários níveis de comunicação, e hospedem seus sites com determinados líderes de ministérios no espaço de hospedagem, que são especialistas nesta área.
  7. Compartilhamento com outros sites. Se este ponto for menosprezado, o resultado será confusão e ineficiência, muitos seguidores de Cristo desmotivados e a continuação de recursos não-mobilizados.

A situação atual de sites cristãos Web 2.0 parece mais com uma Torre de Babel do que com um cenário potencial de Atos 2. Se você é um seguidor de Cristo em Lisboa, Portugal, e tem paixão pelo plantio de igrejas em Camarões, provavelmente, não encontrará um cristão em Manchester, Inglaterra, que compartilhe essa mesma paixão nem um cristão em Chicago que se importe com o Desenvolvimento Econômico voltado para Cristo em Camarões. Com milhares de sites ministeriais no momento, provavelmente eles vão para diferentes websites para buscar informações.

Um nova iniciativa surgiu entre alguns websites importantes para compartilhamento de conteúdo e comunidade entre um grupo de websites federados mas independentes. Além de compartilhar os custos de desenvolvimento (por que construir vinte módulos de mapeamento diferentes ou aplicações de Facebook?), essa iniciativa apresenta uma grande oportunidade de compartilhar contéudo e comunidade através de APIs e contribuições compartilhadas para um “back-end”, por trás de plataformas administradas por uma organização sem fins lucrativos, com um conselho administrativo, composto de líderes ministeriais e tecnologistas cristãos do setor com fins lucrativos. Para mais informações sobre esta iniciativa, por favor, entre em contato com o membro do RWMG, Henry Kaestner.

Finalmente, sites Web 2.0 não são apenas meios pelos quais a tecnologia está impactando a mobilização de recursos.

Alguns exemplos são os novos podcasts de pessoas do MinistrySpotlight,  e a digitalização da “Bíblia de Estudo Sobre Mordomia” – e recursos relacionados do Conselho de Mordomia (Stewardship Council).

No Grupo de Trabalho de Mobilização de Recursos, não acreditamos que Deus precise do nosso dinheiro para fazer Sua obra, mas cremos que reunindo nossos recursos para Sua glória, nos aproximamos mais de Deus. Quando usada na mobilização de doar recursos, a tecnologia é um ministério, que busca transformar de maneira eficiente a vida do receptor E do doador.

© The Lausanne Movement 2010

Português Translation by: LGC_Translation

Author: The Resource Mobilisation Working Group
Date: 19.06.2010
Category: Resource Mobilization

 

“Observação do Editor: Este documento Avançando Cape Town 2010 foi escrito por Willy Kotiuga para dar um panorama geral do tópico a ser discutido na Sessão Multiplex sobre “Preparando Seu Local de Trabalho para a Jornada de Fé”.

 

Resumo

 

Um dos maiores grupos de pessoas ”não-ativadas” em todas as nações e continentes são aqueles presentes no local de trabalho, lugar onde a maioria da população do mundo está ativamente engajada no ganho do seu salário para sustentar suas famílias. Dentro de todos os segmentos do local de trabalho, há crentes que têm um relacionamento pessoal com Deus. Alguns são extremamente eficazes para convidar pessoas com quem trabalham para juntar-se à sua jornada; enquanto outros, o trabalho é um lugar onde a fé deles molda suas atitudes, mas não muito. Os campos estão maduros e prontos para a colheita, e no local de trabalho há muitos trabalhadores, mas apenas uma pequena porcentagem está inteiramente engajada na proclamação da esperança para um mundo em busca de esperança.

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