Marcos Amado

 

Em 1974, sob a liderança do renomado evangelista Billy Graham,  um acontecimento que marcaria profundamente o mundo evangélico ao redor do mundo teve lugar na Suiça: o Primeiro Congresso Lausanne de Evangelização Mundial. 

 

Este evento reuniu cerca de 2700 cristãos de cerca de 150 nações que, durante dez dias, tiveram a oportunidade de discutir, adorar, orar, ter comunhão e refletir sobre os desafios da evangelização mundial. De acordo com uma edição da Revista Time da época, este foi “um fórum formidável, possivelmente a mais ampla e variada reunião de cristãos jamais realizada”.

 

Alguns dos principais teólogos e missiólogos do século XX (John Stott, René Padilla, Samuel Escobar, Ralph Winter, etc) estiveram presentes e a contribuição de cada um deles foi crucial para que um fabuloso documento se tornasse realidade: O Pacto de Lausanne.

 

Com certeza uma grande parte da liderança evangélica brasileira ainda se lembra da  influência que o Pacto de Lausanne exerceu sobre os cristãos de todo o mundo nos idos dos anos 80. A mensagem deste documento “caiu” sobre nós com tanta força que toda uma geração de líderes percebeu a urgência de repensar o que significava fazer frente à enorme tarefa de ver “toda a igreja levando todo o evangelho a todo o mundo”.

 

Hoje, já superada a primeira década do século XXI, e 20 anos depois do II Congresso Lausanne de Evangelização realizado nas Filipinas, Deus nos abençoou com mais um documento que nos ajuda a entender melhor os desafios que temos para a evangelização mundial nos dias atuais: O Compromisso da Cidade do Cabo (CCC).

 

O CCC é um dos resultados tangíveis do III Congresso Lausanne de Evangelização que aconteceu na África do Sul em Outubro de 2010.  Desta vez, cerca de quatro mil cristãos, oriundos de 198 países, estiveram presentes neste singular evento que tinha como objetivos promover a unidade e a humildade no serviço, e realizar um chamado para uma evangelização global ativa.

 

Este documento foi dividido em duas partes: na primeira há uma declaração de fé,  que reafirma, com clareza, profundidade e convicção, os principais pontos da teologia e missiologia evangélica em um mundo em constante transformação. Na segunda parte temos o “Chamado à Ação”, que traz desafios importantes e que podem dar uma forte contribuição para que todos os cristãos “sejam testemunhas de Jesus e de todo o seus ensinamento, em todas as nações, em todas as esferas da Sociedade e no mundo das ideias (Compromisso da cidade do Cabo).

 

Dada a sua importância, nas próximas linhas você encontrará um resumo do Compromisso da Cidade do Cabo.  Vale lembrar que este texto, apesar de estar permeado de citações diretas do “Compromisso da Cidade do Cabo”, não tem como objetivo  substituir o original. Ele foi elaborado com o único propósito de dar a conhecer, de forma sucinta, os principais assuntos abordados no CCC, despertando, assim, o interesse da liderança evangélica pelo documento na sua íntegra. Em caso de discrepância, o CCC é o único documento válido para elucidar as dúvidas que surgirem.

 

Minha oração é que este resumo contribua para uma melhor assimilação do conteúdo deste importante documento e nos leve a uma maior compreensão sobre como “servir ao propósito de Deus na nossa geração” (At. 13.36).

 

Introdução

 

I.  Mesmo vivendo em um mundo em constante mudança, existem Realidades Inalteradas:

  1. Os seres humanos estão perdidos
  2. O Evangelho é a boa nova
  3. A missão da igreja continua

 

    II.  A Paixão do Nosso Amor.

  1. Nosso amor por todo o Evangelho
  2. Nosso amor por toda a igreja
  3. Nosso amor por todo o mundo

 

“Toda a igreja, levando todo o Evangelho para o mundo todo” (Pacto de Lausanne)

 

Primeira Parte – Para o Senhor que Amamos: Nosso Compromisso de Fé

 

  I. Nós amamos porque Deus nos amou primeiro

  1. O amor a Deus e o amor ao próximo constitui o primeiro e maior mandamento no qual residem toda a lei e os profetas.
  2. Tal amor não é fraco nem sentimental. O amor de Deus é um amor comprometido, fiel e que se doa.
  3. “Ao firmarmos nossas convicções e nosso compromisso em termos de amor, estamos assumindo o desafio mais básico e difícil de todos os desafios bíblicos” que é amar a Deus, ao próximo, uns aos outros e ao mundo.
  4. Este amor nos foi dado por Deus e, ao mesmo tempo, é um mandamento.

 

  II. Nós amamos ao Deus vivo

  1. Nós o amamos acima de todos os rivais.
  2. Nós o amamos com paixão pela sua glória. “O mais elevado de todos os motivos missionários não é a obediência à Grande Comissão… nem o amor pelos pecadores… mas o zelo verdadeiro… apaixonado e consumidor pela glória de Jesus Cristo…”

 

  III. Nós amamos ao Deus Pai

  1. Nós amamos a Deus como o Pai do seu povo.
  2. Nós amamos a Deus como o Pai que por ter amado tanto o mundo deu o seu único Filho para a salvação.
  3. c.       Nós amamos a Deus como o Pai cujo caráter refletimos e em cujo cuidado confiamos.

 

  IV. Nós amamos ao Deus Filho

“Afirmamos firmemente que somente Ele é Salvador, Senhor e Deus”

  1. Nós confiamos em Cristo. A sua missão foi realizada por meio do seu nascimento, vida, ministério e milagres, na sua morte, ressurreição, ascensão e na sua volta.
  2. Nós obedecemos a Cristo. Segui-lo significa abnegação, servidão e obediência.
  3. Nós proclamamos Cristo. A salvação é somente através de Cristo.

 

   V. Nós amamos ao Deus Espírito

O Espírito Santo “é o Espírito missionário do Pai missionário e o do Filho missionário, soprando vida e poder na igreja missionária de Deus”.

  1. No Antigo Testamento vemos o Espírito de Deus atuando na criação, capacitando, libertando e falando por meio dos profetas de Deus.
  2. A partir do Pentecoste, vemos o Espírito Santo capacitando os cristãos com dons e poder para missões e para o serviço.
  3. Sem a presença do Espírito Santo nosso engajamento em missões se torna infrutífero.

“Não existe Evangelho verdadeiro nem completo, e nem missão bíblica autêntica sem a Pessoa, a obra e o poder do Espírito Santo.”

 

   VI. Nós amamos a Palavra de Deus

“Recebemos toda a Bíblia como a Palavra de Deus, inspirada pelo Espírito de Deus.”

  1. Ela nos oferece a revelação do próprio Deus, da sua identidade, caráter, propósito e ações.
  2. Ela nos conta a história universal da criação, queda, redenção e nova criação. “Esta história da missão de Deus define nossa identidade, impulsiona nossa missão e garante que o fim está nas mãos de Deus.”
  3. A Bíblia nos ensina todo o conselho de Deus, a verdade que Deus quer que saibamos. Sua mensagem é clara e suficiente para revelar o caminho da salvação.

“Afirmamos que a Bíblia é a palavra final escrita de Deus, que nenhuma outra revelação pode superá-la…”

 

    VII. Nós amamos o mundo de Deus

  1. Nós amamos o mundo criado por Deus. Tal amor não é simplesmente sentimental, nem panteísta, mas reflete a verdade de que tudo o que há na Terra pertence ao Senhor.  “Tal amor pela criação de Deus exige que nos arrependamos de nossa participação na destruição, desperdício e poluição dos recursos da terra e da nossa conivência com a idolatria tóxica do consumismo.”
  2. Nós amamos o mundo das nações e das culturas. “Devemos amar tudo o que Deus escolheu abençoar, e isto inclui todas as culturas”. Consequentemente, rejeitaremos “os males do racismo e do etnocentrismo” e trataremos “todas as etnias e grupos culturais com dignidade e respeito…”. Como resultado deste amor faremos com que o Evangelho seja conhecido em todos os grupos étnicos do mundo.
  3. Nós amamos os pobres e os sofridos do mundo. Na Bíblia nós vemos claramente a preocupação de Deus pelo oprimido, pelo estrangeiro, o faminto, o órfão e a viúva. “Tal amor pelo pobre exige… que façamos justiça através da exposição e oposição de tudo o que oprime e explora o pobre.”
  4. Nós amamos nosso próximo como a nós mesmos. Isso faz com que também amemos “pessoas de outras crenças e se estende para aqueles que nos odeiam, difamam, perseguem e até matam.”
  5. O mundo que não amamos. “O mandamento que recebemos é para que não amemos este mundo de desejo, ganância e orgulho pecaminosos. Com tristeza confessamos que são exatamente estas marcas mundanas que com frequência distorcem nossa presença cristã e negam nosso testemunho do Evangelho”.

 

   VIII.  Nós amamos o Evangelho de Deus

  1. Nós amamos as Boas Novas em um mundo de más notícias. “Os efeitos do pecado e do poder do mal têm corrompido cada aspecto da vida humana, espiritual, físico, intelectual e relacional”. Diante desta realidade, “o Evangelho bíblico é verdadeiramente boa nova”.
  2. Nós amamos a história que o Evangelho conta: “Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo”.
  3. Amamos a garantia que o Evangelho dá, que, ao confiarmos em Cristo, temos plena certeza de salvação e vida eterna.
  4. Nós amamos a transformação produzida pelo Evangelho, que é “o poder transformador de vida dado por Deus que opera no mundo”.

 

  IX. Nós amamos o Povo de Deus

  1. O amor exige unidade. Sem unidade nosso testemunho ao mundo é destruído.
  2. O amor exige honestidade, uma honestidade que confronta o Povo de Deus com “amor profético”, mostrando-lhe seu erro, idolatria e rebelião. “Devemos renunciar às idolatrias da arrogância, do sucesso manipulado e da ganância consumista que seduz a tantos de nós e de nossos líderes”.
  3. O amor exige solidariedade. Isto deve levar-nos a cuidar dos que são perseguidos e aprisionados por conta do seu amor por Jesus. “Se uma parte do corpo sofre, todas sofrem com ele”.

 

  X. Nós amamos a Missão de Deus

“Toda a Bíblia revela a missão de Deus, de convergir a Cristo todas as coisas no céu e na terra, reconciliando-as através do sangue da Sua cruz” transformando “em uma nova criação a criação destruída pelo pecado…”

  1. Nossa participação na Missão de Deus. Nós, como Povo de Deus, somos chamados a fazer parte da Sua missão. Devemos ser benção e luz para todas as nações.
  2. O custo da nossa missão. O sofrimento faz parte do nosso esforço de testemunhar de Cristo. “Deus pode usar o sofrimento, a perseguição e o martírio para avançar sua missão”.
  3. A integridade da nossa missão.  “Evangelização propriamente dita é a proclamação do Cristo bíblico e histórico como Salvador e Senhor, com  o intuito de persuadir as pessoas a virem a ele pessoalmente, e, assim, se reconciliarem com Deus…” Um dos resultados da evangelização é “um serviço responsável no mundo”. Portanto, “a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão”.

(Continua)

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