Por Rafaela Senfft

A arte tornou-se assunto privado, coisa reclusa à vida pessoal. A este respeito, Walter Benjamin chegou a falar de uma perda da “aura” das obras de arte. É certo, portanto, como já observara Hegel, que a arte não desempenha entre nós o papel central que desempenhava na vida coletiva, como era o caso com os antigos gregos.

Ao invés de experiência no sentido objetivo e coletivo, o que temos hoje são vivências isoladas e fragmentadas da arte. Os homens solitários das grandes cidades são incapazes de compartilhar uma experiência comum. Sim, estamos solitários: o artista está solitário e o espectador também. A comunicação entre ambos está se tornando desajustada.

Os problemas da frustração e desilusão com a vida, vindas da proposta iniciada no Renascimento e depois retomada pelo Iluminismo, de que a ciência e a tecnologia forneceriam recursos para uma vida mais justa, impactaram o final do século 19, o que gerou uma arte apática e sem esperança.

Houve no campo das artes uma urgência por ressignificação, voltada a uma busca individual para as demandas da existência. Cada grupo ou artista foi buscar o elo perdido, e assim cada arte refletia uma busca individual.

A arte é e sempre será a ilustração do seu tempo. Se o tempo é de paz, existe uma arte que corresponde a esse adjetivo. Se forem tempos de tensão, haverá uma arte com características correspondentes a elementos tensos.

O que um artista em meio a uma Alemanha pós-guerra, desiludida e devastada existencialmente, teria para retratar? Ele próprio devia estar tão devastado quanto seu meio. Se fosse um homem cheio de fé, poderia produzir uma arte que retratasse esperança; mas não podemos esperar isso de quem não tem essa convicção. A boca fala do que está cheio o coração, e a arte é o coração do artista.

Continue lendo →

Por Jean Francesco

No mês de setembro a primavera retorna para trazer vida e beleza à terra. Sabemos que esta estação do ano representa a renovação da criação, de sua beleza e da vitória contra o inverno. É uma estação pedagógica para todos nós. Embora aqui na cidade de São Paulo não percebamos tanto o inverno e o outono – parece que sempre faz calor -, a primavera é notória. Você tem dúvida do quanto Deus pode nos ensinar através dos ciclos naturais da criação? Vejamos algumas coisas:

(1) A primavera é uma ilustração da vida. Flores têm tudo a ver com nossa vida. São obras de arte do Criador. As flores e a vida podem ter perfumes diversos. Mas às vezes as folhas murcham, secam e morrem — na vida de muitos também. A vida pode queimar no verão, vai caindo pouco a pouco no outono, até congelar de frio no inverno. Infelizmente algumas desistem por aqui. Contudo, as que continuam suportando o frio dessa estação serão as únicas que verão as flores renascerem quando a primavera chegar mais uma vez.

Quem continua seguindo a vida com firmeza apesar das estações contrárias sempre verá florescer muitas primaveras em seu jardim. Esse é o meu desejo para você. Que apesar de tudo o que você já viveu, esse tempo seja o momento de você renascer e experimentar mais beleza, perfume e leveza.

(2) A primavera é uma ilustração do evangelho. A mensagem essencial da fé cristã são as boas novas. Que mensagem é esta? Não é apenas “Jesus te ama” ou “Deus tem um plano para a sua vida”. O evangelho é a verdadeira história que o mundo precisa ouvir, é o plano de Deus para restaurar toda a criação perdida. Isso tem tudo a ver com primavera, pois restauração, renovação e florescimento são elementos essenciais dessa estação.

Deus nos criou para vivermos numa primavera eterna. Ele fez um jardim e nos deu todas as árvores, plantas e animais para cuidar. Deus criou o mundo e entregou sua administração ao ser humano. Porém, numa atitude de rebeldia, o ser humano arrancou suas raízes do Criador e decidiu subvertê-lo. A obra prima se voltou contra o Artista; a criatura se insurgiu contra o Criador. Por isso a vida humana deixou de ser primavera e passou a ser um inverno implacável, sem cor, e pior, mortal. Mas Deus, desde sempre, desejava restaurar sua criação murcha e morta, então enviou a Flor mais bela que tinha consigo para perfumar o nosso inverno cruel: Jesus é a primavera de Deus; Jesus é a nossa primavera.  Continue lendo →

Joyce Hencklein

“Porque o amor do dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmo se atormentam com muitas dores” – 1 Timóteo 6.10

Falar sobre dinheiro em nossa sociedade quase sempre nos remete a alguns pensamentos como “Se eu tivesse dinheiro, não teria problemas” ou “É muito melhor ter algo do que ser alguém”. Esses pensamentos são nutridos dia após dia em nossa cultura. A ideia de ter carros importados, morar em condomínios de luxo e usar roupas de marca comumente nos parece ser o melhor jeito de viver uma vida fácil e feliz.

Ser alguém não parece tão legal quanto ter o salário do Neymar, e é a partir disso que “ganhar dinheiro ou morrer tentando” se tornou uma missão para boa parte da população. É claro, queremos trabalhar para ter uma vida confortável, mas não podemos viver em função da busca implacável pela riqueza.

O grande problema é que essa questão do nosso relacionamento com o dinheiro tomou conta de grande parte dos púlpitos evangélicos do nosso país. Já não é de hoje que vemos líderes distorcendo a mensagem de Cristo, falando sobre as riquezas terrenas e não sobre a visão do Eterno.

A teologia da prosperidade foi uma forma de atrair público oferecendo aquilo que o povo tinha como necessidade, a “benção” do dinheiro. Nessa lógica, Deus tem bênçãos infinitas, mas para obtê-las é preciso comprá-las, barganhá-las. Iniciar campanhas para ter vitórias financeiras nunca foi tão comum – quase tão comum quanto os escândalos envolvendo pastores e dinheiro dos fiéis. Continue lendo →

Por Amanda Almeida

Lewis afirma que “a amizade nasce no momento em que uma pessoa diz para a outra: ‘O quê? Você também! Pensei que eu era o único’”. Sendo assim, acho que somos capazes de criar um tipo de afeição direcionada a pessoas com as quais nem convivemos. Pelo menos é desse jeito comigo e com os autores que admiro.

Lá pelos primeiros períodos da faculdade, quando meu interesse por jornalismo cultural começou a ficar bem forte, foi crescendo também a vontade de entender melhor as relações entre arte e cristianismo. Mas parecia difícil encontrar em terras tupiniquins conteúdos que tratavam do tema com qualidade e profundidade. Até que encontrei A Arte e a Bíblia numa livraria, fui procurar por mais livros sobre o tema no catálogo de Ultimato, e vi que eu estava longe de ser a única a buscar um diálogo entre esses campos.

Francis Schaeffer, Rookmaaker e Steve Turner hoje são alguns desses autores que têm um lugar especial na minha estante. Desses que, enquanto lia, o pensamento “O quê? Você também! Pensei que eu era o único” era recorrente. Acredito que esse vá ser o caso de muitos cristãos interessados em arte. Se você precisa de um guia, de algumas indicações, aqui vão elas:

A Arte e a Bíblia

Glorificar a Deus com as artes significa simplesmente que o cristão deve usar as artes como uma forma de evangelismo? Francis Schaeffer, um dos pensadores cristãos mais influentes do século XX, defende que não. O dever do cristão é produzir e consumir a arte como algo belo para a glória de Deus.

A Arte e a Bíblia já é um clássico, no qual Schaeffer faz uma análise do registro da utilização de várias formas artísticas na narrativa bíblica, estabelecendo a partir disso uma perspectiva cristã sobre a arte. Ele desmitifica algumas noções comuns no meio cristão, propõe critérios de avaliação sobre a arte, e aponta caminhos claros para a relação do cristão com esse campo. E termina dizendo: “o cristão é alguém cuja imaginação deve voar além das estrelas”.

A Arte Não Precisa de Justificativa

Hans R. Rookmaaker é, talvez, o principal historiador e crítico cultural protestante do século 20. A Arte Não Precisa de Justificativa é um livro para quem produz arte e deseja usar seus talentos para a glória daquele que lhe entregou esses dons. Também é um livro para quem quer entender melhor qual deve ser o papel da arte em nossas vidas hoje. Em qualquer um dos casos, o apanhado histórico e a argumentação quem entende do assunto vão ajudar a clarear muitos dos pensamentos de quem se interessa por arte.

Ver os artistas como gurus da cultura ou como bobos da corte, e cobrar deles um sucesso que só virá se aderirem à moda do momento, por exemplo, não são problemas novos.  É preciso ter discernimento para interpretar o que está por trás disso e buscar soluções para o cenário de hoje. E para começar a compreender a afirmação do título, fica uma frase de Rookmaaker: “As coisas têm valor por aquilo que são, e não pelas funções que exercem, por mais que estas sejam importantes”.

A Arte Moderna e a Morte de Uma Cultura

Em A Arte Moderna e a Morte de uma Cultura, Rookmaaker faz reflexões mais profundas, apresentando os movimentos e a turbulência cultural dos anos sessenta e seu impacto especialmente sobre o mundo das artes. Você consegue imaginar como a produção musical, a arte performática, as artes visuais ou o cinema contemporâneo atingem nossas crenças fundamentais, surtindo efeitos em nossa caminhada cristã?

O que o autor defende é que esses movimentos do século XX não colocaram em jogo somente questões sociais, mas também as espirituais. Como relacionar a fé cristã com os diferentes campos da cultura em um terreno tão movediço? Em sua argumentação, Rookmaaker envolve-se com o mundo da arte no lugar de simplesmente condená-lo. Ele critica fortemente a arte moderna, mas foca no que acredita ser o cerne de sua aparente destrutividade: uma sensação de perda e desespero, que ainda vemos no século XXI.

Cristo e a Criatividade Continue lendo →

Por Nayama Silva

Eu sempre fico esperando o que vai ser indicado na sessão Boto Fé, pois já fui edificada com algumas indicações. Dessa vez, eu gostaria de indicar duas bandas que tenho curtido e que sou muito ministrada por Deus ao ouvir os trabalhos.

A primeira é a banda Projeto Selá. A segunda é a Vanessa Laís. Ambas possuem composições próprias, e acredito que muitos jovens poderão ser edificados por Deus através das músicas deles.

O que mais me chama atenção no Projeto Selá é o comprometimento com a propagação do reino por meio de músicas que nos fazem refletir sobre como estamos vivendo o verdadeiro evangelho.

A música que mais gosto é “Tudo”, pois confronta a minha fé e me faz pensar sobre a certeza que em Deus eu posso confiar e descansar.

Eu indico essa banda por acreditar que por meio de suas músicas, da poesia que existe em cada verso, outros jovens podem ser ministrados por Deus.

Já o que mais me chama a atenção em Vanessa Laís é o modo como a poesia e a Palavra são alinhadas, e juntas formam acordes que me permitem adorar ao Senhor, reconhecendo o quanto precisamos Dele. Continue lendo →