Por Jeverton “Magrão” Ledo

É um sonho? Essa me parece ser uma boa pergunta. Mas poderia eu aqui lançar uma outra, pegando carona na campanha de julho do portal Ultimato: É possível sermos uma Igreja Viva?

Parto de minhas próprias impressões em relação à essa abordagem. Vida ou morte, portas abertas ou mentes fechadas em seu próprio nicho?

Opa, devagar! Não se tratava apenas de uma pergunta? Ok, entendo. Por vezes eu também não quero refletir sobre diferentes questões, se esse ou aquele é o papel de uma Igreja Viva.

Sei, tenho que me encarar e enfrentar meu maior inimigo na busca de uma resposta. Será que ela existe?

Se sua resposta for sim, essa nos conduzirá a compartilhar com o outro. Aí sim podemos trazer vida a esse múltiplo organismo vivo.

Sim, múltiplo, complexo, por vezes indiferente, mas que impulsionado por um remanescente que tem compreendido a missão, segue rumo à direção e superará obstáculos no desejo único de servir.

Mas o que é o servir? Poderíamos aqui filosofar, argumentar, repensar, redescobrir ou até mesmo lançar uma nova definição cheia de nossa própria verdade. Penso eu, pensa você… isso seria mais fácil já que somos experts em discursos bem elaborados.

Uma Igreja Viva deixa de lado picuinhas internas, trata o outro como igual. Não custa lembrar, a propósito, que somos todos pecadores. Se isso te ofende, não deveria.

Devemos nos colocar em nosso próprio lugar, e buscarmos ser funcionais.

Isso mesmo, funcionais, doando nosso precioso tempo. Opa, quase ia me esquecendo, sentar com o outro e escutá-lo, no fundo, é gastar tempo.

Sim, fica a sugestão com esse pequeno exemplo, para que de forma efetiva cumpramos nosso real papel em uma sociedade que infelizmente se encontra mergulhada na desesperança, no caminhar ilusório de que tudo vai bem entre o carnaval e o futebol.

Somos e devemos ser muito mais, já que discípulos seguem o exemplo do Mestre, aprendem e reproduzem para que brote a esperança em meio a espinhos.

Se você está vivo, cubra seu pequeno espaço de vida, por menor que seja, com o bom perfume da esperança.

  • Jeverton “Magrão” Ledo é missionário e trabalha com juventude. Ele e a esposa estão na Bélgica, onde vão morar por um tempo.

Por Rafaela Senfft

Igreja é um lugar de pessoas diferentes, vindas de diferentes contextos e histórias.  Obviamente, quando encontramos a Cristo e começamos a caminhar com Ele como Igreja, ainda levamos em nossa bagagem existencial tudo o que foi construído em nossa persona, construção essa que se dá desde a mais tenra idade, de acordo com nosso histórico familiar, religioso, cultural e etc. Nessa vivência estão inscritos nossos traumas e medos, como vemos os outros e nós mesmos, e isso certamente refletirá na maneira como vemos Deus e nos relacionamos com Ele.

A caminhada desse ponto onde construímos nossa percepção sobre Deus até aquele em que O conhecemos como é de verdade pode levar anos a fio. Ele faz esse trabalho em cada um individualmente. Os elementos tóxicos que carregamos na nossa formação embaçam a lente de como O vemos, e na medida em que caminhamos com Ele essa poeira vai se dissipando através de curas, provações e testes, até que O vejamos como Ele é. Mas cada pessoa terá seu tempo.

Devemos sempre ter em mente que somos diferentes em nossas histórias e que nossos processos também serão diversos. É sensacional como Deus considera esse tempo e faz as mudanças em cada um de uma maneira singular. Jó era um homem que já conhecia as leis de Deus e seus mandamentos, era um homem que cumpria a lei, mas ainda não tinha visto a Deus. Depois de uma longa provação e muitos anos de “crente” ele O viu, verdadeiramente como Ele é. “Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram” (Jó 42:5).

Isaías, depois de espalhar tantas palavras proféticas à nação, chegou ao momento em que viu o próprio Deus: “No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi também ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e a cauda do seu manto enchia o templo” (Isaias 6:1).

Acho sensacional como Deus trabalha em cada um, em tempos e disposições distintos. Estamos em níveis diferentes de construção e assim Deus vai nos mudando, como um vaso de cerâmica nas mãos do oleiro, o qual ele persiste pacientemente em modelar. Ainda que o vaso se quebre ou entorte várias vezes, ainda que a argila resseque no meio do processo, nada disso importa. O tempo e o modo da obra que Deus começou a fazer em cada um dos seus são de uma peculiaridade impressionante. E é para isso que quero chamar atenção. Continue lendo →

Por Raabe Rodrigues de Mendonça

Quando penso no impacto da igreja na sociedade, penso em exemplo. O ser humano é motivado por eles. Quem nunca se deparou com normas pré-estabelecidas e não teve vontade de burlá-las? Mas quem, diante de um bom exemplo, não se sentiu intimidado a optar pelo errado e se não inspirou em fazer o certo, ou pelo menos ali não encontrou liberdade para uma atitude equivocada?

Um bom exemplo disso é esse: em certa empresa, por diversas vezes os diretores tentaram aplicar o famoso “adote um copo”, numa tentativa de economizar em copos descartáveis. Chegaram a doar canecas para todos os funcionários para incentivar essa economia, mas o consumo de copos de plástico não era reduzido. As canecas ficavam nas mesas, inutilizadas, enquanto o cesto próximo ao bebedouro era cheio de copos de descartáveis.

Quando o gerente de um dos departamentos teve um problema nos rins que o levou por prescrição médica a beber mais água regularmente, acredito que pela distância da sala até o bebedouro, ele apareceu com uma garrafa térmica de água. Era o que precisava! Um exemplo para que todos os colaboradores imitassem a atitude, e ao longo da semana cada um apareceu com sua garrafa térmica. Obviamente o cesto de lixo ao lado do bebedouro esvaziou. Um exemplo foi bem mais aceito do que uma solicitação verbal.

Quando olhamos para as igrejas, o que vemos? Temos bons exemplos ali? Nossas igrejas ainda são lugares nos quais as pessoas vão porque ali encontram clareza a respeito de como vivem agora e do que foram criados para viver, ou são lugares aonde vão para assistir uma boa mensagem de autoajuda? Continue lendo →

Por Carolina Selles

Estou aprendendo a viver uma espiritualidade integral – tentando não mais separar o espiritual do ordinário. Racionalmente eu sei que essa separação entre o sagrado e o profano não existe e para algumas áreas da vida fica fácil identificar essa dicotomia e viver integralmente essa verdade. Mas para outras áreas da minha vida já não posso dizer o mesmo… Vira e mexe me pego caindo na cilada em fatiar a minha vida de um jeito que acabo diminuindo esse Deus que é tão gigante – achando que Ele não se importa, ou pior, que Ele não pode resolver um “problema” que aos meus olhos parece impossível de ser resolvido.

Não sei quando começamos a achar que Deus não ouve ou não se importa com as coisas simples, triviais e corriqueiras de nossas vidas. Ou a achar que determinadas funções são mais espirituais do que outras. Se tudo procede dEle, foi criado e permitido por Ele, como algo poderia ser considerado menos importante por Ele mesmo?

No livro “Aventuras na Oração”, de Catherine Marshall (a Luciana já falou sobre esse livro neste post), a autora discorre sobre vários tipos de oração e traz de forma leve o poder e a simplicidade da oração:

Recentemente uma amiga relatou-me o seguinte incidente. Sua filha, Elizabeth, arranjara um emprego para o verão, a fim de conseguir o dinheiro necessário para custear suas despesas na faculdade. Sua tarefa era preparar embalagens de carne para o balcão frigorífico de um supermercado. Certo dia, pouco antes de sair para o trabalho, Elizabeth deu pela falta de uma de suas lentes de contato. E embora sua mãe a auxiliasse na busca, não encontrou a lente em parte alguma.

 

Após a moça haver saído para o serviço, usando os óculos, a mãe assentou-se para tomar uma xícara de café, ponderando a respeito do problema. Havia milhares de cantinhos onde aquela fina escama de plástico poderia ter caído. Então ela pensou: “Será que devo orar a respeito disso? Ou será que o problema é trivial demais?” Esta amiga, Tib Sherrill, tinha enorme aversão a orações que tratam o Criador do universo como se ele fora um garoto de recados ou como um Papai Noel celestial.

 

Mas Tib sabia que Elizabeth precisaria gastar a quarta parte do salário para adquirir outra lente, e a moça contava com esse dinheiro para despesas na faculdade. Isso significaria também mais uma semana de desconforto no salão refrigerado onde ela trabalhava e mais dedos queimados no arame quente da máquina de embalar.

 

Acudiu-lhe à mente, então, a parábola que Jesus narrara acerca da mulher que procurara uma moeda de prata perdida — um objeto valioso. (Lc 15.8-10)

 

“Esta história revela”, pensou consigo mesma, “que Jesus se importa com tais coisas, não porque sejam importantes em si mesmas, mas por que o são para nós.

 

“Está bem, Senhor”, concluiu ela, “nós precisamos do teu auxílio nesta questão. Podes mostrar-me onde está a lente?”

 

Sem qualquer razão plausível, ela se levantou e encaminhou-se para o banheiro. Abaixou-se e correu os dedos cuidadosamente pela superfície peluda do tapete. Nada!

 

Ergueu-se de novo e olhou para a pia.

 

“Bem”, pensou, “pode ter caído aqui e descido pelo cano.”

 

Levantou o ralo cromado para olhar dentro do cano. E ali, bem na ponta do pino central do ralo achava-se a lente desaparecida, agarrada no metal como uma gotícula de água. A primeira vez que alguém abrisse a torneira, ela seria levada embora.

 

“Transcorrera menos de um minuto desde que eu fizera aquela oração na cozinha”, contou-me ela. “E eu poderia ter procurado em todos os lugares, mas nunca me ocorreria retirar aquela peça.”

 

Capítulo Um – Orar é Pedir

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Por Maurício Avoletta Júnior

Quando eu era pequeno, meus pais costumavam me contar muitas histórias fantásticas com cavaleiros, dragões, bruxas e princesas. Mesmo estando no meu quarto, pude viajar para a Terra do Nunca, para o País das Maravilhas, para Hogwarts e para a Terra Média. Conheci Dom Quixote, a boneca Emília e o pessoal do Sítio, os irmãos Pevensie e os três mosqueteiros. Contudo, dentre essas histórias, havia uma que me fascinava mais do que as outras. Enquanto todos – menos eu – acreditavam que todas aquelas histórias eram apenas estórias, havia uma que todos aceitavam como verdadeira, mas para mim, era e sempre será mais fantástica que todos os contos já criados.

É a história de um homem que era Deus e que veio para a terra para nos contar histórias sobre a vida e para nos dar esperança do que viria depois dela. Esse homem virou todos os valores desse mundo de cabeça para baixo, rejeitou tudo o que qualquer pessoa sonharia em ter. Ele era rei, mas de outro mundo, não do nosso.

Esse homem curou pessoas, ressuscitou mortos, andou sobre as águas e parou tempestades. Sei que isso é fantástico: é “fantasticamente” real! Esse homem veio cumprir as profecias que haviam dito a seu respeito, de vários anos antes dele. Ele veio cumprir a vontade soberana de Deus. Ele era Deus e Deus era seu pai. Confuso, eu sei, mas a realidade é assim mesmo: ela contradiz nossa lógica. Parafraseando Chesterton, quando algo faz completo sentido, provavelmente é falso. Se algo nega o paradoxo, é porque não é real.

Esse homem teve doze amigos que eram muito próximos dele, mas infelizmente um deles o traiu, e teve o final mais trágico de todos. Esse homem foi entregue às autoridades que queriam vê-lo morto, pois ele estava fazendo com que as pessoas acreditassem em algo diferente do que era crido até então. Ele foi condenado à morte por isso, mas antes de ser morto foi torturado de uma forma horrível. Esse homem foi crucificado injustamente, ao lado de dois ladrões.

O mais curioso, é que mesmo lá, sangrando e morrendo, esse homem teve compaixão dos ladrões, mas apenas um se arrependeu e acreditou que aquele homem era Deus. E então, como já era esperado, esse homem morreu. Mas a morte dele foi o que nos deu vida! Graças a Ele a morte não tinha força diante deste homem. Continue lendo →