sebastian-pichler-unsplashPor Jean Francesco

Quero aqui dar uma palavra aos cristãos que namoram não cristãos.

Realmente não é uma atitude sábia iniciar um namoro e muito menos um casamento com alguém que não compartilha a mesma fé. Os motivos já foram dados e repetidos no texto anterior (Cristãos devem namorar não cristãos?). Contudo, sei que alguns dos que leem esse texto vivem essa realidade, por isso, sinto-me na obrigação de ajudá-los de alguma forma. Portanto, tenho três conselhos para você que está em um namoro ou caminha para se casar nesse estado.

Primeiro, inclua o seu(sua) namorado(a) na vivência da sua igreja local. Na maioria das vezes os não crentes têm uma visão distorcida sobre o que é a igreja. Pensam que os pastores são ladrões e que os membros são alienados – às vezes estão até corretos. Mostre para ele(a) que a igreja é um ambiente favorável a relacionamentos verdadeiros e transformadores. Envolva-o num ambiente de amor e de conversas saudáveis. Conheço várias pessoas que, por meio da convivência cristã com a pregação do Evangelho, se entregaram para ele. Esse é o primeiro passo. Deus pode mudar a direção do coração e fazer ele(a) se converter a Cristo.

Segundo, saiba bem quais são as convicções dessa pessoa sobre Deus e sobre os princípios que você adota. Creio firmemente que o relacionamento amoroso entre crentes e não crentes não é uma atitude sábia, porém, quando os não crentes são pessoas tementes a Deus ou têm alguma noção bíblica sobre ética, princípios e valores, a aproximação é menos problemática.

Já quando a relação se dá entre crentes e ateus, agnósticos, orientalistas, ou pessoas que têm uma moral oposta à da fé cristã, eu incentivaria a desistir de vez. Rute era uma moabita, não era do povo de Israel e, ainda assim, se casou com Boaz, um israelita, pois tinha valores sólidos sobre família e sobre Deus. Não posso negar que exceções realmente acontecem, todavia, ninguém deve viver pautado nelas.

Faça esse teste: A pessoa dá alguma importância a Deus? Ela respeita minhas opiniões espirituais de criação de filhos, moralidade, sexo etc?

Terceiro, teste se a pessoa está disposta a se casar. A vontade de Deus para namorados é o casamento. Se essa pessoa com quem você namora não é crente e ainda não pensa em se casar, certamente não é uma pessoa ideal para desenvolver um noivado e, pior, um casamento. Geralmente, quando um(a) namorado(a) não pensa em casamento, ela pensa em outras coisas e, na maioria das vezes, o que se pensa desrespeita radicalmente os seus valores morais cristãos.

Pergunte-se: Namorar, noivar ou casar com essa pessoa vai me aproximar mais de Deus? Vai me tornar mais santo? Vai me dar mais segurança para o futuro?

Então vamos colocar os pesos na balança. Suponhamos que essa pessoa gostou de frequentar sua igreja local, fez amizades com os seus amigos e mudou sua concepção sobre o que é igreja. Parabéns! Um passo enorme já foi dado. E mais, se ele(a) teme a Deus de alguma forma e respeita os limites da sua santidade, parabéns, pela segunda vez. Terceiro: Se o seu(sua) namorado(a) também pensa em casamento, ótimo, ele está agindo como se fosse um cristão, seria bom você perguntar a ele(a) se deseja seguir a Jesus em definitivo. Vimos isso acontecer algumas vezes em nossa Igreja e, no fim das contas, houve verdadeira salvação.

Entretanto, se você incluiu a pessoa na vivência da igreja local, ela ouviu o Evangelho de forma clara, analisou profundamente as crenças que ela tem sobre Deus e fez o teste do respeito, santidade e casamento, mas tudo deu errado, cuidado! Se algum dos três testes falhar, eles provavelmente irão ruir juntos.

Quem não quer fazer parte da sua igreja local, respeitar seu Deus, seus princípios e não quer saber de casamento, na verdade, não quer saber de você. Do fundo do meu coração, te aconselho a abrir mão da sua vontade e buscar a vontade de Deus. Alimentar algo que nitidamente está fora de direção do Pai produzirá muitas frustrações desnecessárias. Não vale a pena trilhar este caminho. Entretanto, se a pessoa reagiu bem a estes três quesitos, tem se interessado pelo Senhor e busca uma nova vida, graças a Deus, você faz parte das exceções.

Como dito anteriormente, Deus não é obrigado a salvar ninguém, Ele salva pela Sua livre graça. Por isso, seja grato a Ele e não seja mais teimoso, fazendo o seu próprio querer, mas que sempre a vontade dEle seja feita na sua vida.

 

Jean Francesco é pastor da Igreja Presbiteriana da Penha (SP). Acompanhe seu canal no Youtube.

Foto: Sebastian Pichler/Unsplash

natalie-collins-unsplashPor Levi Agreste

“Então disse: ‘Já sei o que vou fazer. Vou derrubar os meus celeiros e construir outros maiores, e ali guardarei toda a minha safra e todos os meus bens. E direi a mim mesmo: Você tem grande quantidade de bens, armazenados para muitos anos. Descanse, coma, beba e alegre-se’. Contudo, Deus lhe disse: ‘Insensato! Esta mesma noite a sua vida lhe será exigida. Então, quem ficará com o que você preparou?’” (Lucas 12:18-20)

Acordou cedo, embora não houvesse razão. Seus olhos simplesmente não se cerravam. Não estava devidamente preocupado ou ansioso – o que, por sua vez, deixava-o preocupado e ansioso. Ao lado, dormia profundamente uma bela loura de olhos castanhos. Lembrava que ela lhe havia dito seu sobrenome, mas não o conseguia lembrar. Percebia agora, também, que roncava: um leve som suíno, nada encantador.

Vestiu o roupão e iniciou os ritos de preparo do café: armário, xícara, pires, prato, copo, mesa. Gaveta, colher, faca. Pó de café, pão, requeijão. Água, pó de café, cafeteira. Pão, torradeira. Enquanto ouvia os gemidos do café, ligou a televisão.

“Menino de dez anos é morto, vítima de bala perdida em uma das comunidades do complexo da Maré”. Pensava agora na reunião que teria assim que chegasse amanhã ao trabalho. Clientes exigentes – precisava apresentar os resultados da maneira mais contagiante possível.

“Indústria automobilística prepara plano de demissão voluntária com meta de três mil desligamentos”. O celular tocou, lembrando-lhe que deveria agendar a revisão do conversível ainda esta semana. Olhou em direção à garagem, admirando a coleção que tanto demorara a conquistar.

“Escolas públicas paulistas são forçadas a fechar as portas por falta de água”. A cafeteira soou. O pão na torradeira pulou. Preparou a mesa e sentou-se. Olhou para a comida de modo ponderado. O café cheirava-lhe a tédio. Pegou o prato e a xícara, derramou o líquido na pia e a torrada no cesto de lixo. Não estava com tanta fome assim.

***

O celular despertou, embora ainda não houvesse luz invadindo a cortina furada. “Este horário de verão…”, pensava enquanto calçava o sapato. A esposa nunca conseguiu se acostumar com seus movimentos matutinos e abriu os olhos de relance, murmurando algo. “O quê?”, perguntou o homem, “Não entendi”. “Disse bom dia”. É óbvio que havia dito bom dia, fazia-o todas as manhãs. Riu de si mesmo por fazer uma pergunta tão estúpida. “Do que está rindo?”. O bom negro inclinou-se e beijou a mulher nos lábios. Cheirava a amaciante. “Estava rindo de você”.

Quando saía do quarto, percebeu a mulher levantando. “Não, fica! Você não precisa trabalhar hoje”. “Vou preparar seu café”, respondeu a boa negra. Observava seus quadris enquanto ela abria os armários à procura do pó de café. Retirou de um deles o último recipiente. “Temos pouco. Acho que não dá nem para uma xícara”. “Não tem problema”. Esperou pacientemente o café ser coado e, sem perceber, soltou uma oração, agradecendo pela vida que tinha. A esposa serviu-lhe o café ralo e esperou que ele o tomasse. “É o melhor que já tomei”. Beijou a esposa e saiu para o trabalho.

 

  • Levi Agreste, 24 anos, graduado em Letras pela Unicamp, leciona em três escolas da região metropolitana de Campinas, faz parte da coordenação da ONG Soprar e escreve no blog umanovaviagem.

Foto: Natalie Collins/Unsplash

Punlife-cdor Fagner Santos

Indico e boto fé em uma banda de rock chamada Unlife, de São Paulo, capital. Eles já têm alguns anos de estrada, mas deram um tempo e voltaram esse ano com um álbum chamado “Um mundo inteiro em um homem só” (possível referência ao sacrifício de Jesus), com letras e som bem alternativo, impactante e uma arte gráfica bacana da capa do disco, que se assemelha a grafite e tal.

A música que mais curti foi “Aqui embaixo” (faixa 6), que termina o acróstico feito em cada título das faixas, tornando um sentido completo. Entendo que ela fala sobre nossa proximidade com o Cristo humano e divino que desceu da sua glória e veio “aqui embaixo” na Terra, pra restaurar a nossa relação com Deus e com o próximo, e para nos salvar, perdoar e transformar.

O álbum completo, lançado em julho, está disponível para download no Bandcamp da banda.

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  • Fagner Santos tem 20 anos e é de São Sebastião (SP).

halloween-julia-raasch-unsplashPor Jean Francesco

Certa vez dois garotos bateram na minha porta e disseram: “Gostosuras ou travessuras?” Além de ter achado engraçado ver os dois meninos rindo com as sacolas cheias de balas e bombons, isso me fez pensar em toda a polêmica em torno do Halloween. O que é, afinal, essa festa tão polêmica?

Existem muitas lendas sobre sua suposta origem. A mais confiável remete à festa de Samhain, celebrada pelos celtas nas Ilhas Britânicas entre 600 e 800 d.C. A festa não tinha absolutamente nada a ver com bruxas ou feiticeiros; era basicamente uma celebração em favor dos mortos, organizada pelos sacerdotes druidas, que marcava o fim do verão entre 31 de outubro até 2 de novembro.

Como uma festa pagã, alguns acreditavam que os espíritos dos familiares voltavam para abençoá-los de alguma maneira. Mas que fique bem claro, não havia abóboras, bruxas, disfarces e nem gostosuras ou travessuras.

Com a entrada do cristianismo nas ilhas britânicas e a conversão dos celtas, aconteceu uma mescla entre essas duas culturas. As festas da tradição cristã começaram a se misturar e a transformar a festa dos celtas. Encurtando a história, depois de algum tempo a festa cristã do “Dia de todos os santos”, ou “Dia de finados” ou “Dia dos Mártires”, pulou do mês de Maio para o mês de Novembro, assim o Samhain foi adaptado e passou a ser comemorado na véspera do “Dia de todos os santos”.

A Igreja tentou mostrar aos celtas que Cristo venceu o poder da morte. Essa é a razão do nome “All Hallow’s eve” = “véspera de todos os santos” ou “Hallow Evening” = “noite sagrada”. As palavras foram se aglutinando até que chegamos ao conhecido Halloween. Na Idade Média, enquanto comemoravam a festa, crianças saíam de porta em porta pedindo bolos, doces, em troca de orações por cada membro da família.

No século 19, os irlandeses emigraram para os Estados Unidos e trouxeram a festa junto com eles. Na América, então, começou a descaracterização da celebração cristã-celta. Continue lendo →

14718726_565139490361943_8533429687635100688_nFoi na aldeia Córrego do Meio, em Sidrolândia (MS), que aconteceu o 8º Congresso Nacional do CONPLEI (Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas) desse ano, no inicio de outubro. Além dos líderes e pastores, muitos jovens passaram por lá, saindo marcados pela experiência da expressão do amor de Cristo entre os índios. Thais, de 19 anos, e Kariny, de 20, contam pra gente a visão delas sobre o congresso. Ao final, confira imagens do Conplei (do acervo pessoal da Thais e da cobertura oficial do evento).

 

“Fui sem muitas expectativas, e confesso que fiquei extremamente surpreendida. Descobri nesses dias que o Conplei não é só um congresso, é muito mais. Não sei definir! Estar lá me proporcionou a experiência de conviver com mais de 30 etnias de mais de 10 países diferentes em perfeita harmonia. Isso é amor, isso é ser corpo de Cristo. Independente se você se sente vocacionado ou não, ir ao Conplei, na minha opinião, é uma experiência válida para qualquer cristão.”

Thais Falquer, 19 anos, natural de Campos dos Goytacazes, RJ. Estudante de Secretariado Executivo Trilíngue da Universidade Federal de Viçosa, peregrina e, antes de tudo, serva daquEle que a chamou.

 

“Se começasse contando sobre o 8º Congresso Nacional do Conplei com base nos números, diria que 2375 pessoas, de mais de 36 etnias, estiveram lá. Vários brasileiros, europeus, norte-americanos, vizinhos latino-americanos, asiáticos e até nigerianos. Se contasse dos projetos sociais, não poderia omitir a informação de que 820 pessoas tiveram atendimento médico/odontológico (Projeto Servir), 434 óculos de grau foram feitos (WA/IBBN), 10 mil peças de roupa (Associados do Conplei) e 100 filtros de água doados (WA). Esses números impressionam por evidenciar a diversidade que se reuniu na aldeia Córrego do Meio durante os dias 12 a 16 de outubro e por mostrar o serviço prestado aos que estavam lá.  Continue lendo →