Por Maurício Avoletta Junior

Então disse o homem: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada. Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher, e eles serão uma só carne”. (Gênesis 2:23, 24)

No primeiro ato do drama da criação, logo na introdução, onde somos apresentados ao autor e consumador da história, somos apresentados também à base da humanidade: a família. Sei que é perigoso falarmos isso, especialmente diante do quadro político que estamos vivendo em nosso país. Certas posições foram batizadas por ideologias políticas: defender a liberdade hoje é bandeira da esquerda; defender a família hoje é bandeira da direita.

Em meio à tanta bagunça, nos tornamos reféns da nossa própria época. Contudo, hoje tentarei fazer a defesa de uma ideia eterna. Como costumava dizer Chesterton: não falarei nada de novo, pois muitos já disseram o mesmo antes de mim.

É comum encontrarmos discursos de “desconstrução” nos mais diferentes lugares. Pessoas desconstroem tudo hoje em dia, desde gênero, até sexo, músicas, livros e também a família. Contudo, me parece que o conceito que mais desejam desconstruir é a família. Desejam tornar a família em um conceito meramente afetivo.

Família se tornou tudo aquilo que é construído na base do amor. Mas, o que realmente é a família? Respondendo de forma bem direta: pai, mãe e filhos. Sei que essa afirmação hoje é digna de apedrejamentos, mas pretendo explicar meu pensamento – que não é meu – no decorrer desse texto. Quando terminar, você pode decidir se me odiará ou se concordará comigo, mas até lá, leia até o final. Continue lendo →

Por Rafaela Senfft

Sonhei que estava colando paetês em bananas. Soa estranho. Como a maioria dos sonhos, é engraçado e ilógico; mas permaneci pensando sobre este e não é tão ilógico assim. A arte surrealista nos ensina, pela justaposição de objetos aparentemente sem sentido, a entender coisas importantes na vida; só que a gente despreza o que é engraçado e aparentemente sem sentido porque não corresponde à nossa lógica pragmática de organização diária.

O bom de ser artista, e os poetas também podem sentir a mesma gratidão, é que a gente dá importância a essas trivialidades, louquinhas de rir. A gente não dá de ombros, pois qualquer coisa é uma oportunidade pra encher o coração. E enche.

Não vou falar sobre o que compreendi sobre a metáfora da banana coberta de paetês; mas isso me leva a falar das motivações dos artistas e poetas a fazer o que fazem, principalmente na arte que não é óbvia. Que, como a um sonho esquisito, a gente dá de ombros porque não gostamos de perder tempo com essas coisas “insignificantes”, e assim vai.

E a gente vai perdendo a capacidade de ser sensível e fica parecido com o dragão Smaug, cheio de escamas duras, que não é atingido por nada, carregando toneladas de rigidez. Mas até ele tinha um pedacinho na barriga, bem pequenino, onde não havia escama, e quando a flecha o atingisse naquele lugar vulnerável, ele morreria.

Talvez seja isso, morrer para viver, e isso requer vulnerabilidade. O dragão não morre para viver, mas aquele era o ponto sensível dele.  Mas a gente deve morrer (quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á – Marcos 8:35), deve deixar ser atingido naquele lugar que a gente mesmo faz questão de manter oculto.  Continue lendo →

Por Daniel Theodoro

Desde cedo alvo do adaptado trocadilho da piscicultura, “filho de crente, crentinho é”, a criança nascida em família evangélica tem forte tendência a se sentir um peixe fora d’água quando se descobre parte do errante mundo e nele se vê obrigada a nadar contra a corrente até quando Deus quiser.

Um fator que contribui para o sentimento de estranhamento é – acredite, leitor! – a igreja. Toda criança evangélica que inicia sua odisseia teológica na classe Cordeirinhos de Cristo (ou Timóteo I) da Escola Bíblica Dominical tem dificuldade para se sintonizar no mundo. Isso acontece porque parece haver uma dissintonia que compromete a plena compreensão daquilo que Jesus quer que o filho de crente seja.

Invariavelmente, o questionamento do filho de crente acerca da própria existência chegará, mais cedo ou mais tarde, ao intrigante axioma: “Sou filho de crente. Mas Deus tem netos?”. Só mesmo o amor divino aos pequeninos e o uso de muito flanelógrafo para resolver a crise existencialista na tenra idade.

Na sequência, outro fator que insiste em empurrar o filho de crente para uma realidade paralela – cujos valores em nada condizem com os vistos mundo afora – é a família. Relativamente bem orientado a respeito dos fundamentos cristãos, o adolescente evangélico sabe que purgatório não existe, no entanto sente-se parte integrante do dantesco reformatório das almas uma vez que se encontra preso à imposição moral dos pais, devendo cumprir à risca as regras do jogo para se dar bem.

Destaca-se que nesse período específico o adolescente evangélico – cuja natureza redimida parece dar mais espaço ao Espírito Supercrítico que ao Espírito Santo –  acredita estar pagando os pecados simplesmente porque obedece a regras que nunca farão parte do jogo praticado pelos amigos de fora da igreja. Boa parte das discussões com os pais nessa época da vida nasce a partir de um simples questionamento: “Se meus amigos de fora da igreja podem, por que eu não posso?”.

Lá pelo início da vida adulta, se a misericórdia de Deus e o arrependimento do filho de crente se cruzarem no caminho da Graça, a tendência é que se encerre a claudicante caminhada de um pé no céu e outro no purgatório. Emancipado do falso senso de pedigree cristão familiar, o jovem evangélico se encontrará diante do início de uma longa vereda de justiça cujo caminho aponta para a ofuscante luz da aurora.

Não será uma viagem fácil. Por vezes, haverá desapontamentos – inclusive com a família da igreja e de sangue. Mas se perseverar, o filho de crente também poderá contemplar o dia perfeito.

  • Daniel Theodoro, 33 anos. Cristão “em reforma” e membro nascido na Igreja Presbiteriana Maranata de Santo André (SP). Casado com a Fernanda. Formado em Jornalismo e Letras.

Por Jeverton “Magrão” Ledo

Por onde devo começar? Família é tudo igual ou será que nossas histórias familiares se confundem e se cruzam pelo simples fato de todas as relações pessoais estarem em descompasso com a essência do projeto?

Projeto família pode ser um bom ponto de partida. Afinal, todos somos envolvidos nesse núcleo composto por um elenco com seus mais diferentes papéis. Os papéis aqui são bem definidos, e devem executar o script com todas as nuances e detalhes para que o enredo tenha um “le grand finale“!

Infelizmente, nem tudo que por vezes começa bem terá o final esperado, e sim, isso causa frustração e desgaste ao longo do restante de uma caminhada.

O pano de fundo é o amor. Carregado do desejo de construir um ambiente onde todos os envolvidos cresçam e assim sigam dando continuidade a um ciclo. Esse deve perdurar, pois a família é o equilíbrio dessa pirâmide.

Me permita perguntar: qual é sua história familiar? Ok, isso é pessoal, mas cabe refletir! Penso eu que ainda há tempo para resgatar, reconciliar, e acima de tudo perdoar. Por vezes, e porque não dizer na maioria das vezes, a si mesmo.

Minha própria história me deixou aprendizados que jamais se apagarão de minha memória. Como tantos outros, sim, vivi conflitos, questionamentos. Por vezes e vezes, não entendia o posicionamento de meus pais. Sobrevivemos, superamos. E que doces lembranças dos dias que não voltam mais.

A família é um presente, mas sim, eu sei que muitas histórias estão marcadas por dor, desconfiança, traições e uma total e completa desilusão.

O recomeço e o escrever de um novo capítulo sempre será possível quando não se perde a esperança e a fé coerente. Fé essa que nos posiciona como falhos, limitados e incapazes de administrar tudo com margem de erro zero.

Mas sim, creia que a construção de uma nova família não precisa ser a reprodução daquilo que por vezes muitos de nós tenhamos outrora experimentado em algum momento dessa caminhada.

Restauração, construção, peças em um tabuleiro que devem se permitir ser mexidas pelo Criador, arquiteto e idealizador da família.

Para finalizar, com saudade das terras de Minas, onde por alguns anos vivi, digo Família: “Ô trem bão sô”.

  • Jeverton “Magrão” Ledo é missionário e trabalha com juventude. Ele e a esposa estão na Bélgica, onde vão morar por um tempo.

Por Joyce Hencklein

Quando pensamos em família, pensamos em lar. E lar nos remete a um lugar de conforto, aconchego, união, comida na mesa, harmonia e amor.

Mas nossas famílias nem sempre possuem essas características tão boas e satisfatórias. Muitas vezes as famílias se tornam extremamente conflituosas e o ambiente fica nada agradável. Talvez até com muito rancor, tristeza e falta de recursos.

A família pode estar “doente”, precisando de cuidados, de um “exame médico” para diagnosticarmos o problema e buscarmos a solução.

A Bíblia nos oferece muitos conselhos que servem perfeitamente como remédios para aprendermos a viver bem em família e comunidade. Valores que são cruciais e que nos ajudam a expressar uma vida centrada em Jesus e seus ensinamentos:

– Para todos os filhos e pais a palavra de Deus diz: “Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra teu pai e tua mãe (que é o 1° mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra. E vós, pais não provoqueis vossos filhos a ira, mas criai-vos na disciplina e na admoestação do Senhor”. (Efésios 6.1-4) Continue lendo →