EU

UltJovem_08_06_16_eu_HOMEPeço permissão para iniciar essa reflexão com uma confissão: ao me ver frente a frente com as letras, ainda sem forma definida, no teclado, companheiro de mais uma madrugada, confesso que não sabia ao certo o que escrever.

Madrugada perfumada e florida.

Carregada de beleza e colorido da primavera chegada em terras gélidas.

O velho barco continua navegando!

Embalado pelo balanço suave das ondas e o bailar das velas sigo, sem pressão. Na solitude das reflexões envoltas em certa atmosfera poética.

Os ventos continuam a me conduzir ao encontro cada vez mais profundo com o eu. A palavra ressignificar é companheira diária. E um olhar mais amplo de tudo quanto tenho vivenciado me mostra que sim, eu tenho caminhado.

Seguido o caminho da fé, do amor, do amar, do ser amado, da liberdade do ser eu, da estranheza do ser eu, e da alegria de poder gritar estou vivo.

É com essa liberdade do ser quem sou que lanço em poucas linhas o EU.

Olá caro leitor, permita-me te chamar de amigo leitor.

EU
Um estranho
Vivência
Por outra ótica
Não me encaixo
E pergunto
Preciso encaixar?
Que tal me isolar sumir deixar de amar
E pergunto
Quem sou eu?
Se sou um estranho
O que faço aqui?
Por vezes olho e não me enxergo
Serei um cego vagando sem rumo?
Tentando encontrar sentido
Onde está o sentido?
Busco no outro o que eu mesmo não tenho
Me cobro me censuro me puno
Queria gritar
Correr
Me encontrar
Te encontrei nos encontramos
Hoje nos amamos
Você enxerga?
Como diz a velha canção
Eu te quero tanto!!
Tanto que ultrapasso
Confronto
Por vezes não compreendo
Mas seu cuidado
Seu amor
Sua não censura
Onde encontrarei se não em você
Um estranho
Estranho que lutará por você
Entenda
Eu te quero tanto!!
Te amo
Sempre amarei
E se não estou presente pode ser fraqueza
Não falta da certeza
Que caminharemos juntos
E colheremos lindas flores
Flores que perfumarão
O amor
Que jamais acabará
Afinal
Sou um estranho
Estranho
Eu te quero tanto!!
Te amo

• Jeverton “Magrão” Ledo é missionário e trabalha com juventude. Ele e a esposa estão na Bélgica, onde vão morar por um tempo.

A Babel ideo-político-teológica

UltJovem_01_06_16_babel

Pieter Bruegel the Elder – The Tower of Babel (Vienna)

Por Vinnícius Almeida

Triste pelos últimos acontecimentos da semana…

Parece que vivemos numa Babel de dialetos incompreendidos. Teria o discurso ideológico sucumbido a espiritualidade? Ou ainda, a capacidade de dialogar?

É nublado o horizonte de fraternidade. O que emerge é um espectro de violência e hostilidade que permeia as múltiplas vozes polarizadas. Gritam, mas nada comunicam! Pelo menos, quando o assunto é promover uma mensagem de Paz, proclamada na ética das religiões, e, especificamente neste caso, daqueles que falam em nome do Evangelho…

Nossa linguagem teológica fala sobre a divindade que cremos? E nossa alteridade? Nossa sensibilidade? Empatia? Sem nenhuma gota de romantismo ou desconhecimento acerca da singularidade das diferenças, precisamos urgentemente de diálogos e encontros. Nossas fofocas de janelas fechadas vêm sendo pretexto para que cada voz ecoe apenas na própria sala de casa (ou teclada do computador), isolada nas quatro paredes do quiosque das ilhas virtuais e sectárias.

Aprendi há algum tempo que a Igreja é maior do que eu penso… E o Cristianismo é um profundo mar que contempla as mais belas praias espalhadas por suas tantas realidades: locais, globais, regionais e, universais. Mais >