O aniversário de Áureo
23/04/12
Por Eliceli Bonan

Dedos queimados e calos são cicatrizes comuns deixadas pelo crack nas mãos de quem fuma Foto: Marcello Casal Jr./ABr
- A única diferença entre eu e vocês é que minha roupa está suja – disse Áureo Angélico de Jesus, em pé, debaixo da marquise de um prédio próximo ao Ponto 7, um dos mais movimentados na noite de Porto Velho, RO.
Enquanto discursa sobre a vida, come o cachorro quente que lhe oferecemos e saboreia dydyo, um refrigerante da região, mais vendido que coca-cola. Tira do bolso da bermuda cáqui a carteira de trabalho que há muito tempo não usa. É seu único documento. Bate no peito ao contar que nasceu em Rio Branco, no Acre. Sua expressão muda ao lembrar-se de não ter ganhado nenhum presente de aniversário, no dia anterior.
Veio a Porto Velho por causa da mulher. A língua se embaralha ao falar dela e não consegue dizer coisas claras. Trabalha como guardador de carros e dorme em qualquer lugar. Fuma crack todos os dias depois da metade da tarde porque, segundo ele, as outras drogas não fazem nenhum efeito. O cabelo longo, a barba por fazer, um dos dedões do pé sem a ponta. De pé, na calçada, cinquenta centímetros acima do meu olhar, ele é o professor agora. Sinto-me diante de um mestre. Ele sabe do que fala. Não quer ir para uma casa de recuperação, porque não precisa ser recuperado. E o que precisa? Mais >
Por que você lê a Ultimato?
18/04/12
Pessoas deixam marcas
16/04/12
De tempos em tempos me lembro de pessoas que marcaram minha vida. Algumas vezes elas parecem verdadeiros heróis, outras conhecedoras de todas as respostas. Meu pai me ensinou muitas coisas, e suas conversas comigo sempre me deixavam pensativo. Para um garoto era intrigante ver tanta sabedoria. Entre outras coisas, aprendi que ser sincero é como uma chave para se ter uma vida tranquila. Mas tem um garoto que me ensinou muito. Um garoto cheio de responsabilidade, um coração terno e uma história construída sobre uma base bem sólida. Seria esse garoto um herói? Na verdade não, era um jovem cheio de conflitos e sonhos. Seu nome era Davi. Mais >
Aviso aos navegantes
13/04/12
Gente,
Por conta de uma transição interna na equipe do Núcleo Web, o boletim Ultimato Jovem está suspenso temporariamente e as postagens aqui no blog serão menos frequentes. Pedimos desculpas a todos e todas.
Esperamos que a “vida volte ao normal” em breve.
Obrigado!
Lissânder Dias (editor de web)
Aborto
01/04/12
Está novamente em debate a política em torno da regulamentação do aborto no Brasil. Por isso, achamos pertinente publicar a poesia de Delor da Costa, poeta e mobilizador social em Vitória (ES). O texto foi escrito em janeiro de 2005 e foi musicado em 2006 pela banda Enxerto.
Aborto
Nasceu uma criança na maternidade,
Mata, eternidade,
Nasceu uma criança na clinica,
Arranca pinça,
Quase ou totalmente despedaçada,
Ela não chorava e não foi visitada.
Ela estava nas mãos da açougueira, da enfermeira, quase parteira,
A mãe foi embora com o namorado,
Mais um casal apaixonado,
Ela acabou de passar no vestibular,
Nada, podia dar errado,
E ele, não queria perder as curvas do corpo do ser amado,
Mais um casal da era da modernidade.
Moderna, idade,
Que acredita que pode sair com quem quiser,
Quando quiser,
E o que passar disso,
Crescer e chorar,
É só depois, mandar arrancar,
É só mandar arrancar.




Comentários