Por Jean Francesco

No mês de setembro a primavera retorna para trazer vida e beleza à terra. Sabemos que esta estação do ano representa a renovação da criação, de sua beleza e da vitória contra o inverno. É uma estação pedagógica para todos nós. Embora aqui na cidade de São Paulo não percebamos tanto o inverno e o outono – parece que sempre faz calor -, a primavera é notória. Você tem dúvida do quanto Deus pode nos ensinar através dos ciclos naturais da criação? Vejamos algumas coisas:

(1) A primavera é uma ilustração da vida. Flores têm tudo a ver com nossa vida. São obras de arte do Criador. As flores e a vida podem ter perfumes diversos. Mas às vezes as folhas murcham, secam e morrem — na vida de muitos também. A vida pode queimar no verão, vai caindo pouco a pouco no outono, até congelar de frio no inverno. Infelizmente algumas desistem por aqui. Contudo, as que continuam suportando o frio dessa estação serão as únicas que verão as flores renascerem quando a primavera chegar mais uma vez.

Quem continua seguindo a vida com firmeza apesar das estações contrárias sempre verá florescer muitas primaveras em seu jardim. Esse é o meu desejo para você. Que apesar de tudo o que você já viveu, esse tempo seja o momento de você renascer e experimentar mais beleza, perfume e leveza.

(2) A primavera é uma ilustração do evangelho. A mensagem essencial da fé cristã são as boas novas. Que mensagem é esta? Não é apenas “Jesus te ama” ou “Deus tem um plano para a sua vida”. O evangelho é a verdadeira história que o mundo precisa ouvir, é o plano de Deus para restaurar toda a criação perdida. Isso tem tudo a ver com primavera, pois restauração, renovação e florescimento são elementos essenciais dessa estação.

Deus nos criou para vivermos numa primavera eterna. Ele fez um jardim e nos deu todas as árvores, plantas e animais para cuidar. Deus criou o mundo e entregou sua administração ao ser humano. Porém, numa atitude de rebeldia, o ser humano arrancou suas raízes do Criador e decidiu subvertê-lo. A obra prima se voltou contra o Artista; a criatura se insurgiu contra o Criador. Por isso a vida humana deixou de ser primavera e passou a ser um inverno implacável, sem cor, e pior, mortal. Mas Deus, desde sempre, desejava restaurar sua criação murcha e morta, então enviou a Flor mais bela que tinha consigo para perfumar o nosso inverno cruel: Jesus é a primavera de Deus; Jesus é a nossa primavera.  Continue lendo →

Joyce Hencklein

“Porque o amor do dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmo se atormentam com muitas dores” – 1 Timóteo 6.10

Falar sobre dinheiro em nossa sociedade quase sempre nos remete a alguns pensamentos como “Se eu tivesse dinheiro, não teria problemas” ou “É muito melhor ter algo do que ser alguém”. Esses pensamentos são nutridos dia após dia em nossa cultura. A ideia de ter carros importados, morar em condomínios de luxo e usar roupas de marca comumente nos parece ser o melhor jeito de viver uma vida fácil e feliz.

Ser alguém não parece tão legal quanto ter o salário do Neymar, e é a partir disso que “ganhar dinheiro ou morrer tentando” se tornou uma missão para boa parte da população. É claro, queremos trabalhar para ter uma vida confortável, mas não podemos viver em função da busca implacável pela riqueza.

O grande problema é que essa questão do nosso relacionamento com o dinheiro tomou conta de grande parte dos púlpitos evangélicos do nosso país. Já não é de hoje que vemos líderes distorcendo a mensagem de Cristo, falando sobre as riquezas terrenas e não sobre a visão do Eterno.

A teologia da prosperidade foi uma forma de atrair público oferecendo aquilo que o povo tinha como necessidade, a “benção” do dinheiro. Nessa lógica, Deus tem bênçãos infinitas, mas para obtê-las é preciso comprá-las, barganhá-las. Iniciar campanhas para ter vitórias financeiras nunca foi tão comum – quase tão comum quanto os escândalos envolvendo pastores e dinheiro dos fiéis. Continue lendo →

Por Amanda Almeida

Lewis afirma que “a amizade nasce no momento em que uma pessoa diz para a outra: ‘O quê? Você também! Pensei que eu era o único’”. Sendo assim, acho que somos capazes de criar um tipo de afeição direcionada a pessoas com as quais nem convivemos. Pelo menos é desse jeito comigo e com os autores que admiro.

Lá pelos primeiros períodos da faculdade, quando meu interesse por jornalismo cultural começou a ficar bem forte, foi crescendo também a vontade de entender melhor as relações entre arte e cristianismo. Mas parecia difícil encontrar em terras tupiniquins conteúdos que tratavam do tema com qualidade e profundidade. Até que encontrei A Arte e a Bíblia numa livraria, fui procurar por mais livros sobre o tema no catálogo de Ultimato, e vi que eu estava longe de ser a única a buscar um diálogo entre esses campos.

Francis Schaeffer, Rookmaaker e Steve Turner hoje são alguns desses autores que têm um lugar especial na minha estante. Desses que, enquanto lia, o pensamento “O quê? Você também! Pensei que eu era o único” era recorrente. Acredito que esse vá ser o caso de muitos cristãos interessados em arte. Se você precisa de um guia, de algumas indicações, aqui vão elas:

A Arte e a Bíblia

Glorificar a Deus com as artes significa simplesmente que o cristão deve usar as artes como uma forma de evangelismo? Francis Schaeffer, um dos pensadores cristãos mais influentes do século XX, defende que não. O dever do cristão é produzir e consumir a arte como algo belo para a glória de Deus.

A Arte e a Bíblia já é um clássico, no qual Schaeffer faz uma análise do registro da utilização de várias formas artísticas na narrativa bíblica, estabelecendo a partir disso uma perspectiva cristã sobre a arte. Ele desmitifica algumas noções comuns no meio cristão, propõe critérios de avaliação sobre a arte, e aponta caminhos claros para a relação do cristão com esse campo. E termina dizendo: “o cristão é alguém cuja imaginação deve voar além das estrelas”.

A Arte Não Precisa de Justificativa

Hans R. Rookmaaker é, talvez, o principal historiador e crítico cultural protestante do século 20. A Arte Não Precisa de Justificativa é um livro para quem produz arte e deseja usar seus talentos para a glória daquele que lhe entregou esses dons. Também é um livro para quem quer entender melhor qual deve ser o papel da arte em nossas vidas hoje. Em qualquer um dos casos, o apanhado histórico e a argumentação quem entende do assunto vão ajudar a clarear muitos dos pensamentos de quem se interessa por arte.

Ver os artistas como gurus da cultura ou como bobos da corte, e cobrar deles um sucesso que só virá se aderirem à moda do momento, por exemplo, não são problemas novos.  É preciso ter discernimento para interpretar o que está por trás disso e buscar soluções para o cenário de hoje. E para começar a compreender a afirmação do título, fica uma frase de Rookmaaker: “As coisas têm valor por aquilo que são, e não pelas funções que exercem, por mais que estas sejam importantes”.

A Arte Moderna e a Morte de Uma Cultura

Em A Arte Moderna e a Morte de uma Cultura, Rookmaaker faz reflexões mais profundas, apresentando os movimentos e a turbulência cultural dos anos sessenta e seu impacto especialmente sobre o mundo das artes. Você consegue imaginar como a produção musical, a arte performática, as artes visuais ou o cinema contemporâneo atingem nossas crenças fundamentais, surtindo efeitos em nossa caminhada cristã?

O que o autor defende é que esses movimentos do século XX não colocaram em jogo somente questões sociais, mas também as espirituais. Como relacionar a fé cristã com os diferentes campos da cultura em um terreno tão movediço? Em sua argumentação, Rookmaaker envolve-se com o mundo da arte no lugar de simplesmente condená-lo. Ele critica fortemente a arte moderna, mas foca no que acredita ser o cerne de sua aparente destrutividade: uma sensação de perda e desespero, que ainda vemos no século XXI.

Cristo e a Criatividade Continue lendo →

Por Nayama Silva

Eu sempre fico esperando o que vai ser indicado na sessão Boto Fé, pois já fui edificada com algumas indicações. Dessa vez, eu gostaria de indicar duas bandas que tenho curtido e que sou muito ministrada por Deus ao ouvir os trabalhos.

A primeira é a banda Projeto Selá. A segunda é a Vanessa Laís. Ambas possuem composições próprias, e acredito que muitos jovens poderão ser edificados por Deus através das músicas deles.

O que mais me chama atenção no Projeto Selá é o comprometimento com a propagação do reino por meio de músicas que nos fazem refletir sobre como estamos vivendo o verdadeiro evangelho.

A música que mais gosto é “Tudo”, pois confronta a minha fé e me faz pensar sobre a certeza que em Deus eu posso confiar e descansar.

Eu indico essa banda por acreditar que por meio de suas músicas, da poesia que existe em cada verso, outros jovens podem ser ministrados por Deus.

Já o que mais me chama a atenção em Vanessa Laís é o modo como a poesia e a Palavra são alinhadas, e juntas formam acordes que me permitem adorar ao Senhor, reconhecendo o quanto precisamos Dele. Continue lendo →

Por Daniel Theodoro

O recente cancelamento da mostra Queermuseu, em Porto Alegre, motivado por protestos nas redes sociais, revela como pode ser difícil pintar um quadro sobre a arte no Brasil em tempos atuais tão monocromáticos. Anda tudo tão preto no branco, tão branco no preto, que nem parece que, na realidade, vivemos diluídos em uma aquarela divina, um caldo de cores misturado na paleta do Artista.

Contudo, caso não exista outra saída para o debate artístico, sugiro que a gente abra uma exceção e eleve, provisoriamente, a Arte ao estágio de quarta pessoa da trindade humana “Futebol, Religião e Política”. Assim, antes mesmo de iniciar uma briga, conclui-se que não existe conclusão.

Confesso ao leitor que não vou discutir arte nestes poucos parágrafos que me são permitidos. Além de fugir de webdiscussões, ando muito ocupado apreciando a mais nova exposição que Deus inaugurou aqui na sacada de casa. Uma orquídea amarela floresceu! Nem mesmo o museu do Louvre em toda sua glória pode se comparar ao ateliê divino que o Criador acaba de instalar aqui no meu balcão.

É uma orquídea chuva-de-ouro, dona de um amarelo quase indecente se observada de longe. Parei para admirá-la. Próxima aos olhos, ela revela nas pétalas sutis pinceladas originalmente marrons, mas que se esparramam alcançando um leve tom de vermelho. Para contemplar melhor a obra de arte, tiro uma foto com o celular e expando o retrato com os dedos. Evidencia-se o sobressalente labelo, que para meu pobre repertório lembra muito um véu de noiva caído sobre as pétalas da cauda vestido. Há muitos outros detalhes impossíveis de descrever, possíveis apenas de sentir. Afinal, o que é a arte senão a manifestação reveladora das coisas? Continue lendo →