Por Luana Pitaro

Boto fé no Ministério Morada, porque é um ministério que tem por anseio “gritar nos telhados o que Deus tem sussurrado em seus ouvidos”.

Não se trata apenas de uma banda que toca músicas bonitas, divertidas e emocionantes, mas, também, de levar a Palavra de alinhamento entre o Céu e a Terra, afim de que o coração de Deus seja alcançado, e aconteça uma transformação no coração de cada pessoa.

Têm unção em cada Palavra cantada, e a vida de cada integrante é grande inspiração de dependência e entrega ao Pai. Empenhados em missões em diversas esferas, não têm o estilo “popstar gospel”, mas vejo discípulos comprometidos em tirar as sandálias dos pés dos perdidos, comprometendo-se em lavá-los e cuidar das feridas que a caminhada gerou. Continue lendo →

Por Amanda Almeida

À primeira vista, Um Homem de Família (2017) parece ser mais um daqueles filmes no qual um cara que se dedica excessivamente ao trabalho, e por isso acaba deixando a vida pessoal de lado, finalmente percebe que o que importa na vida são os relacionamentos. De certa forma, isso acontece sim. Mas acaba não sendo o ponto mais alto do filme.

Esse título pode até parecer um trabalho não tão bom de tradução (à la as “turmas do barulho” e “noites muito loucas” dos filmes dos anos 90 na da Sessão da Tarde), mas o original é A Family Man mesmo. Gerard Butler é Dane Jensen, o homem em questão, um recrutador muito competente que passa a disputar uma promoção na empresa. No meio dessa competição, seu filho fica doente. A essa altura fica claro que a intenção é que o personagem entre no conflito entre dedicar tempo à família ou ao trabalho.

O problema é que esse dilema não é lá tão bem sustentado. Até o momento em que o filho vai para o hospital, o expectador não é deixado com a sensação de ausência da figura paterna na família vista na tela. Vemos momentos de Dean presente e interessado nos acontecimentos da vida dos filhos, e até fica registrado que ele não pode estar em alguns compromissos, mas de certa forma isso é compreensível. O que não é compreensível são as táticas duvidosas que Dean toma para ter sucesso em seu trabalho. E é nesse dilema que o filme ganha força.

Aos olhos do filho, o que o pai faz é “ajudar outros pais a encontrarem trabalho, para poderem sustentar suas famílias”. Como recrutador, Dean conecta profissionais em busca de emprego a empresas com vagas disponíveis. Parece algo até altruísta quando colocado dessas formas, mas são altíssimas as taxas de comissão e os benefícios envolvidos nessas negociações, que nem sempre são honestas. E com uma oferta de promoção dependendo de seu desempenho, Dean faz com que elas sejam menos honestas ainda. Em certo momento, o filho pergunta ao pai se ele acredita em Deus. A resposta que recebe é “depende do mês que estou tendo”. Continue lendo →

Por Maurício Avoletta Junior

Então disse o homem: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada. Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher, e eles serão uma só carne”. (Gênesis 2:23, 24)

No primeiro ato do drama da criação, logo na introdução, onde somos apresentados ao autor e consumador da história, somos apresentados também à base da humanidade: a família. Sei que é perigoso falarmos isso, especialmente diante do quadro político que estamos vivendo em nosso país. Certas posições foram batizadas por ideologias políticas: defender a liberdade hoje é bandeira da esquerda; defender a família hoje é bandeira da direita.

Em meio à tanta bagunça, nos tornamos reféns da nossa própria época. Contudo, hoje tentarei fazer a defesa de uma ideia eterna. Como costumava dizer Chesterton: não falarei nada de novo, pois muitos já disseram o mesmo antes de mim.

É comum encontrarmos discursos de “desconstrução” nos mais diferentes lugares. Pessoas desconstroem tudo hoje em dia, desde gênero, até sexo, músicas, livros e também a família. Contudo, me parece que o conceito que mais desejam desconstruir é a família. Desejam tornar a família em um conceito meramente afetivo.

Família se tornou tudo aquilo que é construído na base do amor. Mas, o que realmente é a família? Respondendo de forma bem direta: pai, mãe e filhos. Sei que essa afirmação hoje é digna de apedrejamentos, mas pretendo explicar meu pensamento – que não é meu – no decorrer desse texto. Quando terminar, você pode decidir se me odiará ou se concordará comigo, mas até lá, leia até o final. Continue lendo →

Por Rafaela Senfft

Sonhei que estava colando paetês em bananas. Soa estranho. Como a maioria dos sonhos, é engraçado e ilógico; mas permaneci pensando sobre este e não é tão ilógico assim. A arte surrealista nos ensina, pela justaposição de objetos aparentemente sem sentido, a entender coisas importantes na vida; só que a gente despreza o que é engraçado e aparentemente sem sentido porque não corresponde à nossa lógica pragmática de organização diária.

O bom de ser artista, e os poetas também podem sentir a mesma gratidão, é que a gente dá importância a essas trivialidades, louquinhas de rir. A gente não dá de ombros, pois qualquer coisa é uma oportunidade pra encher o coração. E enche.

Não vou falar sobre o que compreendi sobre a metáfora da banana coberta de paetês; mas isso me leva a falar das motivações dos artistas e poetas a fazer o que fazem, principalmente na arte que não é óbvia. Que, como a um sonho esquisito, a gente dá de ombros porque não gostamos de perder tempo com essas coisas “insignificantes”, e assim vai.

E a gente vai perdendo a capacidade de ser sensível e fica parecido com o dragão Smaug, cheio de escamas duras, que não é atingido por nada, carregando toneladas de rigidez. Mas até ele tinha um pedacinho na barriga, bem pequenino, onde não havia escama, e quando a flecha o atingisse naquele lugar vulnerável, ele morreria.

Talvez seja isso, morrer para viver, e isso requer vulnerabilidade. O dragão não morre para viver, mas aquele era o ponto sensível dele.  Mas a gente deve morrer (quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á – Marcos 8:35), deve deixar ser atingido naquele lugar que a gente mesmo faz questão de manter oculto.  Continue lendo →

Por Daniel Theodoro

Desde cedo alvo do adaptado trocadilho da piscicultura, “filho de crente, crentinho é”, a criança nascida em família evangélica tem forte tendência a se sentir um peixe fora d’água quando se descobre parte do errante mundo e nele se vê obrigada a nadar contra a corrente até quando Deus quiser.

Um fator que contribui para o sentimento de estranhamento é – acredite, leitor! – a igreja. Toda criança evangélica que inicia sua odisseia teológica na classe Cordeirinhos de Cristo (ou Timóteo I) da Escola Bíblica Dominical tem dificuldade para se sintonizar no mundo. Isso acontece porque parece haver uma dissintonia que compromete a plena compreensão daquilo que Jesus quer que o filho de crente seja.

Invariavelmente, o questionamento do filho de crente acerca da própria existência chegará, mais cedo ou mais tarde, ao intrigante axioma: “Sou filho de crente. Mas Deus tem netos?”. Só mesmo o amor divino aos pequeninos e o uso de muito flanelógrafo para resolver a crise existencialista na tenra idade.

Na sequência, outro fator que insiste em empurrar o filho de crente para uma realidade paralela – cujos valores em nada condizem com os vistos mundo afora – é a família. Relativamente bem orientado a respeito dos fundamentos cristãos, o adolescente evangélico sabe que purgatório não existe, no entanto sente-se parte integrante do dantesco reformatório das almas uma vez que se encontra preso à imposição moral dos pais, devendo cumprir à risca as regras do jogo para se dar bem.

Destaca-se que nesse período específico o adolescente evangélico – cuja natureza redimida parece dar mais espaço ao Espírito Supercrítico que ao Espírito Santo –  acredita estar pagando os pecados simplesmente porque obedece a regras que nunca farão parte do jogo praticado pelos amigos de fora da igreja. Boa parte das discussões com os pais nessa época da vida nasce a partir de um simples questionamento: “Se meus amigos de fora da igreja podem, por que eu não posso?”.

Lá pelo início da vida adulta, se a misericórdia de Deus e o arrependimento do filho de crente se cruzarem no caminho da Graça, a tendência é que se encerre a claudicante caminhada de um pé no céu e outro no purgatório. Emancipado do falso senso de pedigree cristão familiar, o jovem evangélico se encontrará diante do início de uma longa vereda de justiça cujo caminho aponta para a ofuscante luz da aurora.

Não será uma viagem fácil. Por vezes, haverá desapontamentos – inclusive com a família da igreja e de sangue. Mas se perseverar, o filho de crente também poderá contemplar o dia perfeito.

  • Daniel Theodoro, 33 anos. Cristão “em reforma” e membro nascido na Igreja Presbiteriana Maranata de Santo André (SP). Casado com a Fernanda. Formado em Jornalismo e Letras.