Por Gabriel Louback 

De manhã, enquanto caminho pelo corredor para pegar minha filha no berço, a expectativa cresce dentro de mim. Sei que, assim que abrir as cortinas, verei os olhos dela, sorrindo para mim, esperando por mim; já em pé, levantando os braços para ser erguida no ar e receber meu abraço.Mal posso esperar pela hora de encontrá-la, de vê-la acordada, esperando por mim para que comecemos juntos o nosso dia.

A paternidade é incrível, pois invariavelmente nos leva a pensarmos em nosso Pai.

Fiquei, então, pensando em Deus vendo o dia amanhecer, observando com expectativa a gente acordar. Imaginei-O aguardando pelo momento em que abriremos nossos olhos, em que despertaremos para um novo dia e, então, olharemos para Ele, erguendo nossos braços e dando um abraço em forma de bom dia, quando contaremos para Ele sobre nossa manhã, o dia que começa e como foi nossa noite.

Se eu tenho essa expectativa com minha filha, por que Deus também não teria com os Seus filhos?

Então, fiquei pensando em quantas e quantas vezes eu mesmo não faço isso de manhã, com Ele. Quantas vezes levanto e nem dou bom dia, ou nem lembro de que fui dormir enquanto Ele me olhava e cuidava de mim. De quantas vezes acordei, peguei o celular antes de levantar, vi as mensagens no WhatsApp e Telegram, vi as notícias, chequei o Twitter e os likes no Instagram. E, quando enfim me levantei, quantas vezes passei o dia todo sem nem pensar Nele, quanto mais conversar ou olhar para Ele; fosse o mínimo para falar com Ele, falar de mim, clamar por alguém, vê-Lo nos olhos de quem sofre ou alguém cruza o meu caminho no meu dia.

Penso e digo isso não com peso ou cobrança; apenas como um reflexo da minha experiência e expectativa com minha filha, e pensando em como nosso Pai tem prazer em se relacionar conosco, em ouvir de nós, saber com nossas palavras como estamos nos sentindo, nem que seja um pensamento traduzido em gemidos inexprimíveis; como Ele é realmente nosso Pai, e realmente nos trata como filhos, não apenas formalmente, mas quer e busca ter uma relação de paternidade conosco… como Ele nos espera sempre de braços abertos pelo momento em que correremos para seu abraço.

“Então voltou para a casa de seu pai. Quando ele ainda estava longe, seu pai o viu. Cheio de compaixão, correu para o filho, o abraçou e o beijou.” – Lucas 15:20

  • Gabriel Louback é formado em jornalismo, com especialização em Missiologia na escola Gå Ut Senteret (Noruega) e missionário na Itália. Gosta de ouvir histórias e de contar as que não são ouvidas.

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