Por Jeverton “Magrão” Ledo

Pensar em pessoas marcantes que vivem seus momentos no mesmo tempo e espaço que você pode parecer tarefa fácil, mas não é. Afinal, os tempos andam complicados, e por vezes o mundo parece estar de ponta cabeça.

Tive e tenho o privilégio de já ter convivido e de ainda conviver com pessoas que não apenas passaram por minha vida como um vento, mas que têm deixado suas marcas, têm me fortalecido, e me inspirado a buscar servir com o meu melhor a cada dia.

Tenho alguns nomes em mente, mas me permiti escolher destacar uma pessoa que tem vivido dias marcantes há muitos anos, sem o glamour dos holofotes ou das grandes mídias.

Tem construído uma trajetória marcada pelo acolhimento, respeito e humildade. Servindo o outro sem restrições e pré-julgamentos, seguindo o caminho, abrindo mão da estrada, do corre corre, e sendo o que deve ser.

Lembro do momento em que nos conhecemos, era um dia frio e os primeiros raios da manhã quebravam a névoa fria e densa de mais uma noite gelada em uma pequena cidade encravada entre vales e montanhas.

Era o começo de um novo desafio para mim. Recebi um abraço, fui conduzido ao meu dormitório e recebi as primeiras orientações. “Estou à disposição”, disse com voz calma e acolhedora.

Os dias correram, momentos alegres, outros nem tanto. Saudade, questionamentos e dor vieram, e a pessoa estava lá ao meu lado.

As aulas com minha inspiração eram esclarecedoras, as discussões eram interessantes, e as tarefas nos desafiavam a experimentar o novo. Assim fomos lapidando nossa amizade.

E nessa amizade, uma das coisas mais marcantes eram os aconselhamentos. Me lembro com riqueza de detalhes: sentados frente a frente, eu me sentia livre para expor aquilo que muitas vezes me trazia angústia, tristeza, indignação…

Em nenhum momento era interrompido, e no começo isso às vezes me levava a pensar “estou mesmo sendo ouvido?”. Com o passar do tempo, entendi que a pessoa estava escutando atentamente cada palavra.

Antes de nosso tempo se findar, ela dizia suas poucas, mas sempre sábias palavras. Palavras que me levavam a refletir e encontrar internamente as respostas.

Saber escutar o outro é uma chave que abre nossas portas internas e nos permite partilhar do nosso eu obscuro. Agradeço por me ensinar o precioso valor do escutar.

Nossos caminhos na missão nos levaram a destinos diferentes, mas apesar da distância, a amizade se fortalece a cada novo dia.

Tonica

A deã, professora, conselheira, amiga e madrinha segue me ensinando e inspirando.

A missão exige comprometimento e esforço, exige de nós a pergunta diária de “quem sou eu para impor, exigir, acusar o outro?”.

Que sigamos firmes, certos que nosso servir não tem sido vão, e que as sementes lançadas têm encontrado solos férteis. E aqui fica registrada minha gratidão por alguém que plantou sementes em minha vida.

Sou grato por desfrutar da amizade de Antonia Leonora Van der Meer, carinhosamente conhecida por Tonica.

E após alguns anos, entramos em contagem regressiva para quando estaremos juntos novamente. E esse encontro será celebrado com muita alegria. Nos vemos em 3, 2, 1…

  • Jeverton “Magrão” Ledo é um missionário apaixonado pela vida e por quadrinhos. Ele e a esposa moram em Gent, na Bélgica.
  1. A Tônica é um grande exemplo de humildade e sabedoria. Interessante como essas coisas andam juntas. Magrão exemplo de perseverança, superação e otimismo. Nossas conversas e suas palavras sempre marcam o momento. Deus continue a cuidar desses que se entregam para obra do evangelho.

  2. Parabéns, Magrão, por mais um texto do fundo do coração. A Tonica é realmente uma benção por onde passa. Uma serva de Deus, pessoa admirável. Que Deus abençoe a você e à Ju! E TB à nossa querida Tonica!

  3. Antonia Leonora van der Meer

    Difícil responder a uma expressão tão linda e comovedora de amor, apreciação e amizade. Muito obrigada querido amigo Magrão, foi um privilégio poder caminhar ao seu lado e ver você crescer, perseverar, lutar em situações muito difíceis e não se entregar, ser bênção para muitos. Que Deus continue abençoado sua vida. Também me alegro com a oportunidade de um breve, mas significativo reencontro. Tonica

  4. “Saber escutar o outro é uma chave que abre nossas portas internas e nos permite partilhar do nosso eu obscuro”. Belo texto. Saber escutar é um dom que devemos aprender e praticar.

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