Por Maurício Avoletta Júnior

“Ele foi maltratado, humilhado, torturado; contudo, não abriu a sua boca; agiu como um cordeiro levado ao matadouro; como uma ovelha que permanece muda na presença dos seus tosquiadores ele não expressou nenhuma palavra. Por intermédio de julgamento tirano ele foi preso. E quem pode falar dos seus descendentes? Pois ele foi ceifado da terra dos viventes; por causa dos erros do meu povo ele foi golpeado”.

Isaías 53:7,8

De um lado querem a revolução, do outro, o fim da nação. Uns clamam por mais estado, outros, pelo livre mercado. Tem aqueles que acham que o capitalismo salvará o mundo do caos e aqueles que acham que o paraíso virá depois da “bendita” revolução do proletariado. Porém, existem aqueles, como eu, que acreditam em contos de fadas.

A história da humanidade começou com um grandioso “era uma vez…”, no qual Deus em 7 dias criou todas as coisas. Porém, como toda boa história, algo sempre dá errado. Não deu outra, algo realmente deu errado. Bom, pelo menos é o que parecia, porque, na verdade, nada nunca esteve fora do controle do Criador dessa história. Tudo estava perfeito quando Adão e Eva decidem desobedecer a Deus e são expulsos do paraíso. Daí em diante as coisas só pioram.

Vieram pragas, escravidão, doenças, morte, sofrimento e tudo de pior que você pode imaginar. Um dia, no entanto, chegou em nossas terras, por meio de uma virgem chamada Maria, um príncipe que se fez plebeu. Ele veio anunciar a seu povo, que há muito havia sido exilado de sua terra natal, que nada estava perdido e que eles não haviam sido abandonados pelo Rei. Ele ainda não tinha vindo buscar seu povo, veio apenas prepará-los.

Num belo dia no qual tudo parecia bem, depois de um jantar com seus amigos, o príncipe-plebeu foi preso, julgado, torturado e morto. Ele foi acusado injustamente de rebelde e blasfemo. Nos dias em que o príncipe estava morto, o caos se instaurou por completo. Pessoas começaram a ser perseguidas, torturadas e mortas por serem associadas a ele.

Ao morrer, o príncipe levou consigo a paz. Contudo, graças a Deus, o príncipe venceu a morte e ressuscitou no terceiro dia. Quando ele voltou, a paz retornou com ele. Isso quer dizer que o sofrimento foi embora de vez? Infelizmente não. Mas essa foi a prova de que todo esse sofrimento um dia irá acabar.

Essa história, para os mais céticos, é apenas uma estória. Para os que creem em contos de fadas, é uma história mais real que a própria realidade. E devo dizer que essa história é tão real, que a realidade a reproduz constantemente, como forma de nos lembrar que esse príncipe, ou melhor, que Cristo um dia retornará para buscar os exilados. Até lá, devemos resistir bravamente ao caos desse mundo. Diante do desespero do mundo, devemos ser inabaláveis como a rocha e calmos como a brisa de um fim de tarde.

O escritor Shuzako Endo relata, em seu livro Silêncio, diversos casos de martírios, nos quais cristãos resistem bravamente a torturas e de modo algum renegam sua fé, ainda que diante do sofrimento. C.S. Lewis, em meio à dor da perda de sua esposa, se questionou: o que devemos contrapor ao sofrimento? E como alguém sustentado pela graça divina, ele responde em um tom heroico e com profunda humildade: ao sofrimento, contrapomos Cristo!

Diante da desesperança da sociedade, o contraponto é a esperança da volta de Cristo. Diante da crise política e econômica, o contraponto é a soberania de Cristo. Diante da dor e do sofrimento, o contraponto é a vida de Cristo. Diante das dúvidas e do desespero, o contraponto é a Cruz de Cristo. Tudo sempre vai apontar para Ele, pois tudo sempre foi e sempre será a respeito dEle. Cristo é o centro, não nossas preocupações.

Passamos por um momento complicado em nosso país e, ao que tudo indica, não haveremos de sair dessa situação tão rapidamente. O que nós, cristãos, devemos fazer diante da incerteza e das dúvidas? Devemos evidenciar Cristo como contraponto à desesperança, pois assim, como nos contos de fadas, seremos aqueles que evidenciam a chegada do “(…) e viveram felizes para sempre”.

  • Maurício Avoletta Junior, 23 anos. Congrega na Igreja Batista Fonte de Sicar (SP). Formado em Teologia pela Mackenzie, estudante de filosofia e literatura (por conta própria); apaixonado por livros, cinema e música; escravo de Cristo, um pessimista em potencial e um futuro “seja o que Deus quiser”.

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