Por Gabriel Louback

“Estando ainda longe, seu pai o viu e, cheio de compaixão, correu para seu filho, e o abraçou e beijou”. (Lucas 15:20)

Quando eu e minha esposa fechamos nossa casa no final daquele ano, em mais uma mudança para um novo país, entregamos as chaves às pessoas responsáveis. Assim, no dia da partida daquela cidade, meu chaveiro não tinha nenhuma chave nele. As chaves da casa que usei naquele ano, as do escritório em que trabalhei, todas elas não estavam mais lá. Sobrou apenas o chaveiro e sua argola. Olhar para ele e ver que não havia mais chaves era saber que não tínhamos uma casa no fim do dia para voltar e dizer “Ah, que bom é estar na minha casa”. Pelo menos seria assim nos próximos dias ou meses.

Chegando à minha cidade natal, contei essa história ao meu pai, compartilhando que tem sido muito bom viver o que Deus planejou e sonhou em nossas vidas, mas que às vezes é difícil se ver em situações assim. Era um simples chaveiro sem chaves, mas o significado disso foi grande naquele momento.

Um dia depois de contar isso ao meu pai, recebi uma mensagem dele dizendo: “Uma dica sobre o chaveiro vazio: mantenha sempre nele uma chave de minha casa e de sua mãe, para onde você pode voltar sempre”. Chorei, é claro. Desde então tenho vivido uma realidade de ter diversos lares e famílias, onde sou bem-vindo e tenho para onde voltar. Em meio às incertezas ou demoras no saber direito onde “estou em casa”, tenho o privilégio de me sentir em casa em diversos lares, com diversos amigos que hoje também são minha família.

Lembrei de toda essa história durante uma linda palavra que meu querido amigo Rafael Bitencourt compartilhou há algum tempo, em uma pregação. Era sobre o filho que saiu de casa e o filho que ficou em casa, a parábola dos dois filhos perdidos.

Não importa o que você fez ou o que tem feito ultimamente; não importa quem você é, como você se veste. Não importa nem no que você acredita ou não acredita, qual é sua prática de fé ou espiritualidade: o Pai Eterno está sempre de braços abertos, te esperando voltar para Casa. Não há nada que você possa fazer para mudar esse fato, de que Deus te ama e te quer ao lado dEle (Lucas 15:20). Que Deus te ama e que por meio de Seu Filho somos convidados a fazer parte dessa família crendo em Seu Nome, não por descendência natural, mas nascidos de Deus (João 1:12-13).

Fui lembrado, naquele dia, de que meu chaveiro podia não ter chaves, mas que meu pai me dava a chave de sua casa, e dizia: “Minha casa é o lugar onde você pode sempre voltar, e você sempre estará em casa”. Naquele dia, fui lembrado que em Casa somos aceitos, somos amados e somos celebrados.

“Não importa o quão distante você está de Deus, o que importa é o quão perto você está de voltar para casa do Pai” – Rafael Bitencourt

  • Gabriel Louback é formado em jornalismo, com especialização em Missiologia na escola Gå Ut Senteret (Noruega) e missionário na Itália. Gosta de ouvir histórias e de contar as que não são ouvidas.

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