Por Luiza Agreste Nazareth

Algo que achei muito interessante foi a reação quase unânime de todos que me encontraram nestes últimos dias ao saberem do meu noivado: “Mas já?! Por quê? Você é tão nova!”. Aí logo pensei: “Poxa! Como eu gostaria de poder contar o porquê de ser assim”. É lógico que uma conversa como esta mereceria uma longa tarde entre xícaras de café e cookies em uma boa cafeteria, mas estas palavras podem vir por aqui mesmo, pra quem eu não conseguiria proporcionar isto.

Pra começar, o porquê. Primeiro, não estou grávida. Segundo, não é tanto pela cerimônia ou festa em si. Não é por um dia em que eu possa usar um vestido branco e, aparentemente, transformar todas as minhas vontades em pequenos detalhes de um evento. Vai além disso. Vai muito além de assinar um contrato ou de dizer “sim” na frente de nossas famílias e amigos. Não é por que encontrei o meu “príncipe encantado” e estou perdidamente apaixonada por ele, sem conseguir raciocinar direito (por mais que eu esteja perdidamente apaixonada e o ache um príncipe, hehe – e ainda acho, amor!). E, definitivamente, pra quem me conhece bem, não é porque eu não conseguiria viver bem sozinha.

Noivar, pra mim, é uma opção de me engajar na construção da felicidade na vida de outra pessoa. Em inglês, noivar é “to get engaged”. Em minha opinião, essa expressão capta melhor o significado desse momento. Noivar é se comprometer, é dizer publicamente que estou “engaged” – engajada – em uma jornada de tornar outra pessoa feliz que não a mim mesma, mesmo sabendo que este caminho muitas vezes irá passar por eu abnegar da minha própria vontade.

Esses dias, vendo o programa de televisão Bones (nossa! não vejo esse programa há anos! hehe) ouvi um diálogo muito bacana. Era entre a protagonista e um japonês que tinha acabado de perder sua irmã em um assassinato. Ela o perguntava se valia mesmo a pena ter a sua felicidade tão atrelada à felicidade de outra pessoa. Ele respondeu prontamente: “Se eu seria capaz de dar a minha vida por uma pessoa, por que não trocaria a minha felicidade pela dela?”.

É isso aí. Concordo plenamente.

Casar é conjugar um futuro no qual o “eu” se torna um “nós”. Casar assim, desejando e buscando sinceramente o melhor para o outro, não é fácil em uma sociedade que prega que “se você não se importar com você mesmo, quem mais irá?”. Casar é juntar duas culturas, duas personalidades, dois temperamentos, dois modos de dormir na cama, de organizar as roupas no armário e de escovar os dentes. É juntar tudo que é completamente diferente e querer que isso se torne uma coisa só. É mais do que lógico que sai faísca, e muita! Mas é justamente essa antítese que faz florescer o amor ou queimar a última esperança.

Nesse conjugar de valores, ideias e jeitos, aprendemos que não somos o centro do universo, que o seu jeito nem sempre é o melhor e que alguém sempre tem que ceder – e, às vezes, esse alguém será você. Aí entra o amor. Não esse amor piegas-romântico, mas um amor que se consolida em meio às fraquezas e limitações do outro. Um amor-escolha que faz com que o ceder seja como uma partida de frescobol, na qual o objetivo comum é não deixar a bola cair. Pena que muitos entram em um casamento como se estivessem em lados opostos de uma partida de tênis, não vendo a hora de o outro deixar a bola cair pra poder ganhar. É um desafio e tanto abrir mão e entregar a sua felicidade para ser conjugada por outra pessoa que não você mesmo. Só se pode fazer isso por alguém que você tem certeza que também daria a vida por você.

Mas, enfim, agora que já esclareci o porquê, vamos à resposta da outra pergunta: “mas já?”. Sim, já. Não por me sentir capaz ou mesmo pronta. Mas porque encontrei alguém, com 20 anos, em quem vi um amor capaz de dar a própria vida por mim. Encontrei alguém em quem valeria a pena investir minha vida e a quem poderia confiar minha felicidade. Alguém com quem eu gostaria de passar o resto da minha vida e queria começar isso logo, com 20 e poucos anos. Pode ser que, pra muitos, isso pareça difícil demais de digerir. Investir sua vida na vida de outra pessoa? Simplesmente abrir mão de sua própria realização para se preocupar mais com a felicidade de outro do que com a sua? Fazer isso com 20 e poucos anos e deixar de “curtir” sua juventude?

Calma, deixei o mais importante para o final.

Só posso confiar minha felicidade a alguém porque um dia já encontrei uma fonte inesgotável de alegria e paz. Assim como o Paulo, a quem tenho escolhido amar. Só podemos nos propor a isso, desta maneira, porque estamos sendo ensinados a amar pelo Perfeito Amor. Assim, podemos assumir esse compromisso um com o outro tendo plena consciência de que não seremos capazes de cumpri-lo e que erraremos muitas vezes nessa tentativa. Isso mesmo! Você leu direito. Nós não seremos capazes a não ser que o que nos mova e capacite seja a graça do nosso Pai. E, sinceramente, tem jeito melhor de curtir a vida do que construindo uma caminhada junto com seu amor e melhor amigo?

Gosto de pensar que, se quisermos começar essa caminhada sozinhos, seremos sempre dois. Dois pensamentos diferentes que querem trilhar dois caminhos diferentes e não abrem mão disso. Mas se optarmos por caminhar a três, só assim poderemos ser um. Sendo um, não existirá mais “meu” ou “dele” e poderemos conjugar, juntos, a nossa felicidade.

Esse texto foi escrito por Luiza aos 20 anos, quando tinha acabado de noivar, um ano antes de se casar. Hoje Luiza está no sétimo ano de casamento. Ela diz que, graças a Deus, 7 anos depois, continua acreditando em cada vírgula escrita aqui.

  • Luiza Agreste Nazareth, 27. É discípula de Jesus, casada com Paulo, mãe do Gabriel de 3 anos e do João de 1 ano. No blog Mochilinha e Violão  compartilha seus aprendizados na escolha por caminhar mais devagar e viver uma vida mais leve, criativa e autêntica ao lado dos filhos e família.

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