Em abril, como parte da celebração dos 50 anos de Ultimato, publicaremos conteúdos históricos da revista. Confira abaixo o texto “Por que a juventude sem amor rouba?”, do reverendo da Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro, Zaqueu Ribeiro, publicado na edição nº 3 de Ultimato, em março de 1968.

 

Julgo ser esse um problema de educação. A não ser que se trate de cleptomania, cuja correção se deve buscar por tratamento adequado, o jovem rouba por incapacidade ética. As bases de sua educação não incluem o respeito à propriedade alheia, nem lhe fornecem a capacidade de discernir entre a apropriação justa e injusta.

Essa incapacidade ética pode ter sua origem na infância, desde os seus primeiros movimentos de conquista do mundo exterior. Desavisados, os pais deixaram-lhe o mundo ao dispor, sem qualquer restrição, fixando-se-lhe a falsa noção de propriedade pela qual ele seria o dono de tudo quanto seus olhos vissem e suas mãos alcançassem.

Por isso o jovem rouba. Embora hoje conheça as leis punitivas ao ato de apropriação indébita, ainda assim, seu critério de juízo está cimentado à estrutura de sua educação, que, desgraçadamente, não incluiu qualquer limite ao seu domínio. Este aspecto do problema inclui uma extorsão aos pais e mestres.

Todavia, nem sempre o roubo é causado, diretamente, por falta de educação, mas por imposição da própria sociedade, que gera no moço um estado de espírito inclinado à desonestidade. Ele tem suas ideias de grandeza. E a sociedade lhe diz que homens influentes e respeitáveis de sua pátria prosperam num completo alheamento às leis de dignidade e respeito ao patrimônio nacional ou particular. Por que então ele não fazer o mesmo, e até em menor escala? Não são só os pais que embalam desonestos. A sociedade corrói e solapa a obra dos pais e mestres, cria seus monstros.

Todavia, a última palavra em torno do problema é espiritual. O jovem rouba porque não aprendeu a amar – e não aprendeu que a amar porque não se encontrou com a fonte do seu amor, que é Deus. O amor, diz o apóstolo Paulo, é o cumprimento da lei. O amor engrandece a vida por estabelecer seus próprios limites. No dia em que se encontrar com Deus, cessarão seus anseios de conquistas desonestas, porque, afinal, ele achou o tesouro de sua vida e, em Deus, todas as demais coisas lhe serão acrescentadas.

Então, nem influências sociais o farão roubar, porque ele deixou de ser uma pessoa que busca, para ser uma pessoa que dá. Antes ele desconhecia os limites da propriedade alheia e roubava. Agora, ele desconhece os limites de sua própria propriedade e dá.

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