Por Jeverton “Magrão” Ledo

Era moderna, avanços científicos, revoluções tecnológicas… Tanta novidade que fico admirado com o quanto o mundo mudou nesses últimos tic-tacs dos ponteiros incansáveis do relógio.

E quero ser bem sincero: ainda me considero um jovem.

Opa, ao lerem essas linhas, alguns amigos vão me escrever uma carta. Carta já é coisa de um passado recente…

Como não podemos parar o tempo, nem impedir que toda essa tecnologia faça parte de nossas vidas, casas e principalmente das nossas relações interpessoais, o que fazemos?

Seguimos. Por vezes sem perceber, simplesmente seguimos.

Relacionamentos são construídos olhando no olho, caminhando lado a lado. O que fazer quando estamos separados por um oceano?

Respondemos de bate pronto: recorra ao Skype! Boa resposta. Viu, a tecnologia. E você vai ficar de fora?

Toda semana mamãe faz questão de receber uma ligação do filho que para longe se foi (“para de ser dramático”, pensa você aí com seus botões). Para mamãe a saudade é enorme. Ela, no auto de completar 90 anos e longe de desejar ter uma conta no Skype, fica feliz quando escuta minha voz.

No fundo o que essa senhora simpática quer de verdade é me abraçar, apertar, olhar nos meus olhos. Dizer o que toda mãe diz: “está me parecendo magro, vamos preparar agora mesmo um angu bem gostoso”. Bem, a parte do angu vai para aqueles que sabem o que é bom de verdade nessa vida.

Mas como o tempo passa tão rápido quanto uma prova de 100 metros rasos, estou eu envolto no mundo – para muitos fantástico – do whatsapp, hangouts, e etc, etc, etc e tal. Uma questão importante que deve ser destacada é que muitas vezes as mídias sociais podem ser um veneno que aos poucos nos deixa inebriados; podem roubar algo precioso em nossa caminhada.

Em certos momentos podemos ficar em uma posição vulnerável, e sutilmente nos lançarmos à tentação de postar qualquer coisa, mesmo que saia de lugar nenhum para nenhum lugar. Sim, a tecnologia e as novas ferramentas de comunicação podem nos servir, mas cuidado para que elas não virem a mesa e vençam o jogo.

Será que estamos jogando?

Se for um jogo, não pode ser um virtual, onde tudo pode acontecer. Onde você e eu podemos ser aquilo que queremos, vencer tudo e todos, comprar sem pensar na fatura do cartão de crédito. O que dizer então dos juros? Esses nunca mais! Elimina-se tudo que nos parece indesejável e dá-se um novo start. Tudo é permitido no terreno virtual, afinal.

Uma pausa: me parece que isso tem se tornado verdade também na vida real, não? Pare e reflita. Virtual e realidade: onde começa um e termina o outro?

Penso que muitas vezes andamos misturando as estações, um canal tem interferido no outro, conduzindo pessoas a levarem para seu cotidiano aquilo que pensam ser verdade no universo virtual.

Sim, eu sei: essa pequena exposição de ideias vai chegar até você através de uma ferramenta tecnológica. Claro que não podemos e nem devemos nos isolar em nossas próprias caixas, mas como seres humanos, com sangue correndo pelas veias, não deixemos de exercitar o abraçar, o tocar das mãos que traz segurança, o olhar atento e cuidadoso que permite que a criança se lance e tenha novas experiências.

Sigamos o caminho do avanço, das novas descobertas, mas sem nos esquecermos nem um segundo sequer de que a vida é real e deve ser vivida em sua plenitude como tal.

  • Jeverton “Magrão” Ledo é missionário e trabalha com juventude. Ele e a esposa estão na Bélgica, onde vão morar por um tempo.
  1. Antonia Leonora van der Meer

    Querido Magrão,

    Sua reflexão é muito boa e apropriada para nossos dias. A comunicação virtual facilita muitas coisas. Lembro-me de quando vivia em Angola e as cartas levavam 2 meses para chegar. Hoje podemos contatar nossos queridos com facilidade e sem demora. Mas também é muito certo que a presença física, olho no olho, abraços, mãos extendidas é uma oportrunidade de relacionamentos mais profundos. É preciso evitar a dependência do virtual…

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