Por João Paulo de Assis

É triste observar a situação pela qual nossa sociedade passa. Todos os dias vemos notícias sobre as mais variadas situações, sejam elas na política, economia ou na vida urbana, retratando o que todos que são cristãos sabem (ou deveriam saber): a necessidade que o ser humano tem de Deus.

“Existe um vazio no coração do homem do tamanho de Deus” é uma frase bastante conhecida em nosso meio cristão. O problema é quando a ouvimos, mas ela não nos incomoda. O modo confortável como a maioria de nós, que somos a igreja do Senhor, tem levado a vida cristã deveria ser preocupante. Onde é que está entrando a ação da igreja nessa história? Nós temos deixado de ser uma influência na sociedade e acabamos sendo influenciados por ela.

É fundamental ter uma igreja saudável se queremos ser relevantes no mundo em que vivemos. Paulo, na sua carta aos coríntios, faz uma analogia muito interessante da igreja sendo um corpo, sendo que nós sendo membros desse corpo (1 Coríntios 12). Nesse sentido, podemos analisar quatro partes desse corpo que são vitais para a saúde da igreja atual, para consequentemente sermos sal e luz para nossa sociedade.

Cabeça

Esse é um membro fundamental para o corpo, porque é nele que está o órgão que coordena as respostas para as mais variadas situações. Mas em nossas igrejas, atualmente, podemos estar nos esquecendo de dar atenção a essa parte, nos esquecendo  principalmente de quem é o cabeça da igreja.

A ganância pelo poder e falta de humildade de muitos líderes em reconhecer seu lugar têm levado igrejas à destruição. Mas afinal, quem é o cabeça? Cristo! É Ele quem deve ser o líder das nossas igrejas! Vemos na Bíblia várias referências sobre isso (como em Efésios 1.22; 4.15; 5.23). Por mais que seja a presença de bons líderes nas nossas igrejas seja necessária, Cristo deve estar no centro, pois é Ele quem tem autoridade sobre tudo e todos. Consequentemente, a palavra final deve vir dele.

Ombros

A nossa igreja precisa aprender a sofrer. A carregar nos ombros o custo do discipulado e a sofrer por aquilo em que crê. John Stott, em seu livro A igreja autêntica, diz uma frase extremamente interessante e impactante: “O sofrimento é um teste de nossa autenticidade”.

Será que temos entendido a importância dessa parte do corpo nas nossas igrejas? Ou a temos negligenciado? Se não estamos prontos para isso, talvez nós não tenhamos entendido algumas questões do evangelho. Cristo foi o servo sofredor (Isaías 53). Nesse mundo em que as pessoas não querem sofrer por nada, aprendermos a sofrer pela causa do evangelho é o maior testemunho em que podemos dar.

Joelhos

Existe uma música cristã antiga que diz em um de seus versos: “Eu creio no poder dos joelhos que se dobram; eu creio no poder da oração”. A oração é o que impulsiona a igreja, aquilo que dá respaldo e poder para avançarmos nos nossos objetivos. É incrível como poucas igrejas têm sido reconhecidas por serem igrejas que oram muito. Se nós somos uma igreja que não ora, somos uma igreja que não tem comunhão com Deus.

Pés

Não podemos nos esquecer da importância do evangelismo em nossas igrejas. Nós fomos chamados pra fora, não para dentro. Não podemos ser tão egoístas a ponto de guardamos aquilo que nos trouxe vida apenas pra nós mesmos, enquanto muitas pessoas lá fora morrem. Precisamos ser uma igreja que cumpre o Ide, seja para o nosso vizinho, seja para a pessoa que está do outro lado do mundo. A Bíblia diz que os pés daqueles que anunciam as boas novas são belos (Isaías 52.7). Como estão os nossos pés?

Se a sociedade está se corrompendo cada vez mais, a culpa também é nossa. Como Stott mesmo diz, a sociedade está apenas seguindo seu curso natural. A questão é: onde está o sal? E onde está a luz? Somente sendo uma igreja com uma boa cabeça, que tem ombros largos, joelhos calejados e belos pés é que poderemos influenciar a sociedade ao nosso redor. Avante!

  • João Paulo de Assis, 24 anos. É estudante de Biomedicina e membro da Primeira Igreja Batista, Bela Vista de Goiás/GO. Participa do projeto Estufa Stott.

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