Por Heloísa Alcântara

Se a oração é uma das bases primordiais e indispensáveis na vida de um verdadeiro cristão, então ela também é uma das mais fortes armas de impacto e transformação da qual a igreja dispõe.

Isso se deve ao fato de que orar é muito mais do que conversar com Deus, não se tratando de dizer o que Deus tem que fazer, mas de concatenar-se a Ele. Uma oração eficaz é como a quebra de uma taça de cristal com a voz. Quando se alcança com a frequência da voz a mesma frequência das moléculas da taça, a energia de tais moléculas se eleva paulatinamente até que ocorre a quebra.

Assim, se conseguirmos nos unir em uníssono à concordância daquilo que já está no coração de Deus, então atingimos o ponto necessário para que portas se abram, milagres se consolidem, destinos sejam despertados e circunstâncias transformadas.

Um grandioso exemplo disso para mim é a história de Ester. Uma mulher plantada por Deus na hora exata e no lugar exato para que houvesse livramento e despertamento. O posicionamento do povo em jejum e oração foi extremamente necessário para que o tocar do coração do rei, a honra de Mordecai, o vencer dos judeus, a justiça feita e a sabedoria de Ester não fossem considerados atos fortuitos, mas sim a consequência de uma ação substancial em Deus.

A oração é a base de um centro de treinamento. Ela se conecta à adoração, sendo fonte de alimento, de construção de caráter e humildade. Conecta-se à intercessão, em sua forma não egocêntrica, que abrange o outro, em que entramos em uníssono com a vontade do Pai. Conecta-se à devocional básica, que inicia uma conversa em que deixamos nossas ansiedades e medos, falamos e ouvimos, somos quebrados e consertados, esvaziados e preenchidos.

A oração é a base de um centro invisível de sustentação do visível. Através dela nos posicionamos em Deus para entrar em uníssono com Ele e encontrar a frequência exata que é imprescindível para quebrarmos as taças de cristal. Não obstante, se não estivermos nos processos que a oração nos possibilita em Deus, como os citados no parágrafo anterior, não estaremos aptos a impactar a sociedade da forma que precisamos.

Além de tudo isso, entendemos um chamado bíblico para a oração pública. O fato de estar registrado em Lucas 11 um pedido dos discípulos para que Jesus os ensinasse a orar, precedendo uma oração “coletiva”, parece opor o que lemos em Mateus 6, um alerta de Jesus quanto às orações em público e suas intenções. Porém, percebe-se que se você ora em particular e espera apenas de Deus a recompensa a esse respeito, quando for orar em público, não cometerá o mesmo erro dos religiosos.

Ao dar o comando, Ele os ensina com palavras na primeira pessoa do plural, “nós”. Na famosa oração do Pai nosso vemos uma convocação de declaração coletiva da santidade do Pai, um pedido de conformação da terra nos padrões do céu, um clamor público pelo perdão e pela satisfação das nossas necessidades e uma petição de livramento. Há diferença na oração conectada de um povo, em concordância, se disponibilizando à vontade de Deus, que se une como Filho (“Pai nosso”).

Como podemos nós, como brasileiros, iniciar transformação em nosso país nos posicionando como Igreja?  Através de uma instrução simples do próprio Deus em 2 Crônicas 7.14, que diz: “E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.”

Somos chamados a ser exemplo e impactar a sociedade sendo sal e luz, e alcançando esse patamar principalmente através da oração. Como diz John Stott em seu livro A Igreja Autêntica, “tanto o sal quanto a luz são produtos efetivos. Eles transformam o ambiente em que são introduzidos”. Deus te posicionou em um lugar específico por um motivo específico e anseia que você seja o impacto e a influência necessária à sociedade, às pessoas a seu redor, com determinação e autoridade. E não há mais poderosa arma para iniciar e manter esse processo que a oração.

Heloísa Alcântara, 19 anos. Estudante de Medicina, membro da Igreja O Brasil Para Cristo em Goiânia (GO) e participante do projeto Estufa Stott.

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