Por Jeverton “Magrão” Ledo

As primeiras flores começam a deixar a cidade mais colorida, é perceptível o sorriso aberto, os gramados e canais tomados por pessoas de todas as idades.

Sim, mais uma primavera, e a sensação é sempre indescritível. A cidade se transforma, e a atmosfera é contagiante. Buscando um lugar calmo para sentar abrir um livro, desfrutar o sol, e a temperatura agradável.

Ao caminhar entre as pessoas percebo o ar alegre nas conversas, jovens deitados na grama, crianças brincando, qualidade de vida, e eu um observador incorrigível.

Um eu, sempre intrigado com a mente humana. Perguntando o que realmente se passa dentro da cabeça desses tantos?

Os tons cinzas, o olhar fechado, e, por vezes, o caminhar como se não existisse mais nada ao redor ficaram para trás. Afinal, estamos em uma nova estação.

Você pode pensar, mas todo ano o ciclo se repete, e o que temos de novo?

Sim, o que temos de novo? Eu devolvo a pergunta. A vida não se resume a uma mera repetição. Muito menos a uma mudança, uma troca nos tons das roupas.

O fato de colocarmos um sorriso no rosto e passarmos alguns meses do ano como se toda uma vida tivesse ganhado uma nova roupagem, define algo? Na verdade não demonstra, por vezes, nossa real condição.

Me intriga esse fato: quanto será que as pessoas têm se atentado para o essencial do presente chamado convivência com vivência? Somos parte viva desse viver, parte de toda essa dinâmica. Dinâmica essa que nos envolve em diferentes relações, conceitos e significados.

Nossos olhos devem funcionar como lentes que captem essa diversidade. Imagens projetadas para dentro de corações e mentes que se permitam ser envolvidos por esse universo multiforme. Nunca é demais lembrar que em essência somos relacionais. Relação em três dimensões, com Deus, entre nós e com a criação.

Por mais clichê que possa parecer, e na verdade parece mesmo, minha vida deve se voltar para algo além de mim ou das mesmices com cara de novidade.

A palavra “propósito” tem em si algo de novo? Grite em alto e bom som: Não!! Mas me permita dizer, muitos ou estão no automático, ou resolveram apenas seguem olhando para seu próprio umbigo. Como cada qual tem o seu, está tudo certo.

Eu me permito seguir o caminho levando em minha velha mochila algumas reflexões. Essas que exigem de mim uma resposta diária, ou melhor uma busca para colocar em prática a essência.

Não quero me permitir viver de estações.

Mas e o que se passa na cabeça desses tantos? Realmente gostaria de saber. Escutando um pouco, os assuntos são os mais diversos, muito bate papo em que rola até a vontade de pedir licença, e por que não aprender, discutir e construir novas amizades?

E não diferente de qualquer outro lugar do planeta, alguns estão, como costumam dizer, jogando apenas conversa fora.

Mas e eu, vou sentar e apenas ler meu livro? Seja qual for a estação, não deixe a vida passar…

  • Jeverton “Magrão” Ledo é missionário e trabalha com juventude. Ele e a esposa estão na Bélgica, onde vão morar por um tempo. As fotografias deste artigo são de autoria dele.
  1. Antonia Leonora van der Meer

    Lindas fotos e boa reflexão. Magrão mudou de continente, de contexto, de cultura, mas é sempre o Magrão. Que Deus continue lhe dando esse olhar de reflexão para a natureza ao seu redor, e especialmente para os seres humanos, muitos desses vazios apesar da alegria momentânea.

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