UltJovem_05_02_16_Joy_cartaz2_peqPor Amanda Almeida

Lá foi David O. Russell dirigir outro filme com Jennifer Lawrence, Bradley Cooper e Robert DeNiro no elenco. Dessa vez é “Joy: O Nome do Sucesso” (2015), que acompanha a trajetória de uma mulher em busca do objetivo de levar suas ideias e invenções adiante, e assim ser bem-sucedida em seu negócio. Isso enquanto encontra a si mesma.

Joy (Lawrence), a mulher em questão, havia sido uma menina sonhadora, cheia de ideias na cabeça. Mas a vida acontece, e às vezes ela não é tão gentil com sonhos. A menina cresce e precisa lidar com os pais separados, seu próprio divórcio, os dois filhos pequenos, um emprego que mal paga as contas, encanamentos estragados, e mais algumas variáveis que, todas juntas, deixavam seus sonhos distantes e esquecidos.

Com esse cenário estabelecido, mal podemos esperar pela hora na qual Joy vai resolver ir atrás do que realmente quer. E quando isso acontece (com momentos dignos de sessões de psicanálise freudiana), a narrativa consegue o que há de mais essencial em um filme com uma premissa dessas: fazer com o espectador se importe. Como não torcer por Joy? Como não se emocionar com seus fiascos e conquistas?

Apresentado como uma obra sobre mulheres audaciosas, “Joy” é baseado em uma em especial, Joy Magnano. Nos anos 90, ela inventou um esfregão tão prático e eficiente, que, assistindo ao filme hoje, não dá para não se perguntar “como é que ninguém pensou nisso antes?!”. E não é essa uma das belezas das coisas simples? Mas o estilo de David O. Russell na direção já segue na linha oposta. Ele mistura elementos até bem executados, como a narração feita pela avó de Joy e a inserção de cenas de um folhetim melodramático, mas que, em última instância, deixam a sensação de que nem precisavam estar ali. No lugar de simplificar, ele incrementa em um esforço válido, mas não certeiro.

O sobrenome de Joy não foi usado (ao menos significativamente) em momento algum, o que reforça uma ideia que permeia todo o filme, a de que aquela história não é só dela, mas também de tantas outras mulheres por aí. A mensagem serve para todos, afinal de contas, quem é que nunca sentiu seus sonhos sendo sugados pela realidade? Mas em “Joy” são as mulheres que têm voz. Entre o casal de filhos, é a menina que sempre está ao lado de Joy, nos remetendo à versão mirim da mãe. O pai de Joy (DeNiro) divide o porão da casa da filha com o ex-marido dela, ambos figuras nada excitantes. (O ex, por sinal, surge cantando uma versão de “Águas de Março” em espanhol, adicionada a uma trilha sonora diversa e ainda coesa, marca das obras de Russell).

Os tons de azul, branco e marrom – um tanto desbotados no inverno da Pensilvânia – vão sendo aquecidos à medida que o sonho de Joy toma forma. O figurino da protagonista também fica mais alinhado quando o sucesso vai chegando. Um sucesso que não é sinônimo de que tudo magicamente dará certo de uma hora para outra. Apesar de tudo, essa ainda é uma história extraordinariamente comum, e é assim que as coisas funcionam na ordinaridade da vida.

E na vida comum, família é complicada. É lá que Joy recebe seus maiores incentivos e seus piores desencorajamentos. Depois da pressão que a levou de volta aos sonhos, é a determinação que a leva adiante. O mérito de “Joy” é conseguir fazer com que o espectador se importe com a jornada da mulher que resolve, mesmo com todas as variáveis contrárias, ir atrás de seus sonhos. E, com isso, ainda nos deixa pensando sobre os nossos próprios desejos. Como os de Joy, às vezes nossos sonhos são tão frágeis como uma casinha de papel. Mas já não aprendemos que nossas casas devem ser construídas sobre a rocha?

Deixar que a pressão seja o ponto de partida para uma mudança é algo comum nas narrativas desse mundo que não deixa de pressionar ninguém. Mas quando se trata de sonhos e propósitos que vêm de Deus, Ele nos encoraja a persistir, não porque temos uma força maior do que pensávamos, porque somos teimosos o bastante para não aceitar ‘nãos’ como resposta, ou para provar que todos estavam errados quando disseram que não conseguiríamos. É por causa dEle.

Preparando Josué para liderar o povo após a morte de Moisés, o Senhor diz: “Não fui eu que lhe ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem se desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar” (Js 1.9). Caminhar no propósito que Deus nos confiou não significa que não haverá lutas (José que o diga!). Mas Ele promete que estará conosco, e infinitamente mais do que qualquer pressão, essa é motivação suficiente.

Certa de seu propósito, Joy não aceita que as coisas simplesmente deram errado; ela continua lutando. Quão certos estamos dos nossos propósitos? Em que estão firmados?

• Amanda Almeida tem 22 anos e é recém-formada em Comunicação Social pela UFMG. Sua monografia tratou de jornalismo cultural, arte e cristianismo. Amanda escreve para o blog Ultimato Jovem sobre cinema.

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