Foto: Roberto Parizotti/ Secom Cut / Fotos Públicas /1 dezembro de 2015

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 Por Levi Agreste

“…Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado” – Tg 4.17

Recentemente, nós aqui de São Paulo, fomos surpreendidos pela decisão do nosso governador de adiar o polêmico projeto de reorganização estrutural da rede estadual de escolas – decisão que parecia improvável no dia 9 de Novembro, quando um grupo de alunos, apoiado por pais e professores, iniciou a primeira ocupação em uma escola do estado, na região de Diadema. Quase um mês depois, outros cento e noventa e cinco grupos seguiram seu exemplo e ocuparam as escolas de suas regiões, culminando na revogação da decisão e na demissão do secretário de educação do estado.

Um movimento que tomou proporções imensas começou com a decisão de um pequeno grupo de não aceitar injustiças passivamente, mas sabendo que deveriam fazer o bem, o fizeram. Esta é, supostamente, a missão do cristão no mundo. Cremos num Deus criador e essencialmente bom, que do caos gerou ordem, construiu de forma apaixonada um mundo belo e justo, um sistema perfeito em que cada elemento sustenta o outro e, juntos, glorificam ao criador. Com o pecado, este sistema entrou em desequilíbrio e, pouco a pouco, caminha novamente ao caos. A comunidade dos crentes, representantes de Deus na Terra, torna-se a principal responsável pela reversão da tendência caótica do nosso lar até que o nosso Senhor volte. Quando o cristão, percebendo toda sorte de injustiça, nada faz, a máquina do mal continua engenhosamente transformando toda ordem em caos.

No Brasil, especificamente, sabe-se que o mal é sistêmico, isto é, a corrupção do homem instalou-se nas profundezas da dinâmica de funcionamento de nossa sociedade, é parte integrante de nossa cultura – e desde os primeiros anos de vida, como se vê no seguinte trecho de um poema escrito por Gregório de Matos no século XVII:

No Brasil a fidalguia
no bom sangue nunca está,
nem no bom procedimento,
pois logo em que pode estar?
Consiste em muito dinheiro,
e consiste em o guardar,
cada um o guarde bem,
para ter que gastar mal.
Consiste em dá-lo a maganos,
que o saibam lisonjear,
dizendo, que é descendente
da casa do Vila Real.

Tais circunstâncias tornam ainda mais urgente a ação daqueles que defendem a justiça e buscam o bem. Pequenas atitudes, se orientadas pelo Santo Espírito de Deus, podem ser amplamente usadas por ele para preservar vidas, restaurar a ordem, justiça e beleza do mundo perfeito que ele mesmo criou. Se um pequeno grupo de estudantes em Diadema é capaz de dar início a um movimento com sérias implicações na estrutura de nossa sociedade, o que não poderia fazer a comunidade dos cristãos, tendo o próprio criador ao seu lado?

 

  • Levi Agreste, 24 anos, graduado em Letras pela Unicamp, leciona em três escolas da região metropolitana de Campinas, faz parte da coordenação da ONG Soprar e escreve no blog umanovaviagem.

 

 

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