Ult_jovem_20_03_15_vale_ThiagoEstou vivendo um momento de luto. Não me vesti de preto, nem procurei formas comumente empregadas de expor isso, principalmente nas redes sociais. Aliás, esse momento tem sido marcado por muita liberdade. Para falar, para ficar em silêncio, para chorar, e até mesmo para sorrir (sim, encontro motivos, situações e pessoas que me fazem sorrir nesse momento). Não me forço a nada, nem mesmo a extrair lições da minha dor: elas simplesmente estão aí e, de alguma forma, se apresentam a mim.

Eram aproximadamente sete da manhã (06 de Março de 2015). Estava no início do café quando meu pai me ligou: “não teve jeito”, “sua mãe faleceu”, “venha com calma”. Apesar das dificuldades de saúde que desde o final do ano passado minha mãe enfrentava, sua morte se deu num intervalo, um período em casa após mais uma internação e a volta ao hospital para o início de um tratamento que nem sabíamos qual era, pois ainda não havia um diagnóstico conclusivo. Sim, foi uma surpresa amarga para mim.

Ainda processando as informações, tive que encontrar equilíbrio para dirigir da cidade onde trabalho para a cidade dos meus pais (cerca de 300 km). Seria um longo caminho. Havia muita coisa e ao mesmo tempo quase nada para falar com Deus. Num certo momento lembro de orar no carro pedindo que Deus desse a oportunidade de minha mãe pegar sua primeira neta nos braços. Liz, minha filha, está com nascimento marcado para 17 de Março de 2015 (11 dias depois do falecimento de minha mãe) e só Deus sabe como é escrever no intervalo entre a despedida e a chegada. No caminho, não senti muita vontade de perguntar “por que” o abraço entre elas não ocorreu, mas falei para Deus como aquilo me doeu. Minha necessidade não era por uma resposta, mas por conforto e alívio. O carro foi meu templo, meu consultório, um lugar de encontro com Deus.

Hoje faz uma semana que perdi minha mãe. É muito difícil, mas minha família está unida, os amigos e irmãos estão perto para nos ajudar a carregar o fardo. Sempre que a lembrança vem, abro meu coração para que Deus ministre esperança e paz. Deus ainda não me tirou a dor, Ele está comigo sentindo e tornando-a suportável. Deus está presente no caminho: no caminho para casa.

Texto publicado no blog PX Pensando Alto!.

  • Thiago Paixão, 27 anos, é professor universitário. Mora em Aracruz, ES, e publica o blog PX Pensando Alto!.
  1. Miquéias Tinoco dos Santos

    Meu irmão o que falar em meio a dor, o que me Conforta em ler seu depoimento é saber que DEUS ESTA DO SEU LADO SENTIDO AS SUAS DORES, espero que você encontre forças no Senhor para romper este duro golpe. Lembrando que: “Ele lhes enxugará dos olhos toda a lágrima; não haverá mais morte, nem pranto, nem lamento, nem dor, porquanto a antiga ordem está encerrada!” Um forte abraço.

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