Por Gabriel Antunes Ferreira

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Longmore, Guy – title not entered. Lausanne Movement

Se o Cristianismo fosse algo inventado pelo homem ainda assim teria me atingido. Grandes histórias foram inventadas pelo homem e em muitas delas as pessoas foram tocadas, sensibilizadas e a partir disso aconteceram mudanças na sua vida. Não seria diferente a história de um Deus criador, grandioso, forte, poderoso descer a terra e acabar pregado na cruz. Fraco, indefeso, privado de qualquer movimento e ainda assim capaz de perdoar aos que o puniram e prometer ao ladrão do lado com punição semelhante a Dele que se encontraria com ele no paraíso.

Não posso dizer que uma história tão impactante poderia ser escrita pelo homem, mas jamais existirá uma história para transformar tantas vidas quanto a do Deus criador que se fez homem, não pelo enredo da história, mas pela verdade por trás dela, Cristo viveu entre nós, Deus desceu do céu para ensinar aos homens como vencer, assumiu seu papel de homem e sua morte foi a salvação do homem.

Não sei quando passei a segui-lo verdadeiramente. Um pouco de razão e análise da história da cruz me mostraria que existem outras religiões que mostram Deus de uma forma bem diferente. Clive Staples Lewis em um dos seus livros disse que ou Jesus era um lunático do pior tipo que já existiu (porque ninguém dos mais sensatos aos “loucos de pedra” afirmaria ser Deus, andaria no meu do povo e se entregaria na cruz pelo mesmo povo que ora o amava e depois o condenava gritando: “crucifica-o”) ou esse homem realmente era Deus.

Aos que escolhem a cruz de Cristo como o caminho a ser seguido, escolhem não somente a cruz, mas o “pacote inteiro”. Jesus mesmo afirmou ser “o caminho, a verdade e a vida”. Quem escolheu o homem que multiplica os pães, que perdoa os pecados, que chorou a morte de outro, o ferido e “enfraquecido” Deus na cruz, acredito que optou livremente. Desde então, as ações de Deus são para que os homens deixem-se ser conduzidos (não obrigados) pelo amor. Esse Deus, em vários momentos, é sinal de “contradição” porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens (1 Co 1.25).

Não existe contradição maior do que a “grandiosidade” de Deus (não encontrei outra palavra) representada numa cruz. Não adianta procurarmos Deus da nossa forma e com nossos conceitos. A cruz não fala de quanto Deus é grande, mas do quanto Ele nos ama. A cruz não induz um pensamento racional a fim de encontrar um “grande mistério” ou algo do tipo. Deus se representa fraco e incapaz porque essa é a primeira ideia que se passa ao vê-lo nela (mesmo que Ele não seja assim. Quando o homem reconhece ser fraco e incapaz, suas forças estão Nele.

Jesus se fez pequeno como nós, fraco como nós, viveu como nós e morreu para que os planos de Deus se realizassem. Jesus suportou tudo até o fim porque o Espírito de Deus habitava ali. Ele realmente era Deus. Diante das nossas fraquezas, nossos pecados, nosso orgulho, ego, daquilo que somos certamente não conseguiremos ser como Ele. Ao mesmo tempo, o que nos é pedido é que sejamos imitadores de Cristo para que sejamos como Deus. Porém diante de tudo isso não somos capazes, mas com a promessa de Deus de que o Espírito dele também habitaria em nós, torna possível.

Não importa os caminhos que andei até aqui, tampouco aquilo que sou. A manifestação do Espírito Santo é do tamanho da minha necessidade e a sua capacidade de habitar em mim é tão real quanto um Deus que em outro tempo foi pregado na cruz.

 

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Gabriel Antunes Ferreira, 26 anos, é de Montes Claros (MG) e trabalha como dentista.

 

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