Por Marlon Bruno

Não há um justo sequer que não peque [esta é a declaração bíblica]. O pecado, em todas as suas ocorrências, ainda precisa ser apenas um acidente na vida de cada crente. Todavia, nós alimentamos as nossas fraquezas mais subjetivas e as nossas limitações mais intrínsecas com o passar do tempo e, por isto, existe sempre uma transgressãozinha lá no cantinho de nossas vontades naturalizadas, que enche os olhos de nossa carne e nos leva a um açougue de desejos, onde cada pecado foi especialmente pendurado para cada um de nós.

Algumas pessoas têm dificuldades irrefutáveis com a sua sexualidade, outras não conseguem segurar a língua, também vejo problemas com insubmissão, falta completa de testemunho, presença humilde de muito orgulho e bastante facilidade com atitudes desonestas [falo de cristãos]. Nasce e se põe o sol e continuamos a praticar as mesmas mazelas que tanto nos é peculiar. No momento do ato, seja ele qual for, parece ser a melhor forma de desenvolver Dopamina, Serotonina e Noradrenalina em nosso cérebro. Depois dele, só resta cinzas de arrependimento e lágrimas de vergonha perante Deus. Daí é inevitável se indagar: mas de novo eu agi assim?

Se considerarmos a tese que a natureza pecaminosa está presente em nosso corpo e que a natureza regenerada ocupa a nossa alma, poderemos conceber e estender a aflição poética de Paulo a todos os nascidos de mulher [Rm 7:15-23]. Por meio destas palavras, concluímos que há, de fato, confrontos travados nos altares de nossos anseios que se dividem em propósitos e em essência. Na maioria das vezes, vence o desejo mais cuidado, alimentado e massageado ao longo de nossos dias. É com isto que me preocupo.

Além de entristecer o Espírito do Criador, pecar vai além de toda a nossa compreensão de crime e de transgressão social. Imagine-se como cristão no velho testamento. Se você pecasse, teria que se dirigir ao pasto e adquirir um cordeiro de um ano, macho e sem defeito, levá-lo para o sacrifício e, depois de amarrado na pedra da oferta, ouviria os gritos, choros e o ranger de dentes deste animal cujo sangue inocente fora derramado em seu lugar. Como cristão do novo concerto, você não passará por esta experiência, mas talvez cruzará piores estacas. Estará “crucificando de novo para si mesmo o Filho de Deus e o expondo à desonra pública” [Hb 6:6]. Seja em um concerto ou em outro, o seu pecado é uma desgraça e é necessário que você não o acolha como de estimação, não o alimente como faminto e não o customize como parte de você.

Não podemos abusar da graça da salvação para nos instalar em práticas pecaminosas, [Rm 6:1-2; Gl 5:13]. O pecado, eu sei, é comum a todos e faz parte do processo de existência de cada um de nós. Mas ele não pode se tornar um engajamento rotineiro, normal, assíduo e constante. Temamos o “ser pecador”.

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Marlon Bruno, 19 anos, é de Ipatinga, MG.