Se desejo fosse fato, de fato, eu não erraria tanto. Não precisaria de tantos pequenos recomeços. Não seria de ânimo dobre, antes seria excelente e constante em tudo que fizesse. Sonharia menos e realizaria mais. Menos promessas, mais ações…

Se desejo fosse fato, farto estaria de justiça e em mim não haveria erro. Não tentaria parecer mais aceitável a Deus e aos meus. Minha boa e suficiente vontade seria realidade e eu não teria do que me envergonhar. Mas sou falho, falho, canso, erro, repito o erro, canso, canso…

Mas se a pena ainda escreve, é porque o Livro ainda inspira: sei que não estou só na história. 

Se desejo fosse fato, Paulo – o apóstolo – não seria o pior dos pecadores. E ainda que os religiosos o considerem um santo, fico com a humildade desse homem.

Se desejo fosse fato, o bem (quem eu tanto desejo) seria feito e o mal (que aborreço) evitado.

Se o fato se resumisse ao desejo, o retrato seria de todo trágico. Mas – e ainda bem que existe um “mas” – a Palavra se fez carne e habitou entre nós. Somos desses que andam cansados, sobrecarregados e aflitos, os que acreditam que o fato consumado traz a esperança do alívio para toda dor.

Ainda existe o desejo, e ele se torna fato quando o meu pesado e carregado fardo é deixado nas mãos de Deus.

Para todos os que precisam, abraços.

 

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Thiago Paixão
, 27 anos, é professor universitário. Mora em Aracruz, ES, e publica o blog PX Pensando Alto!