Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mateus 28.19).

Somente a partir do nono século é que o primeiro domingo após o Pentecostes passou a ser popularmente celebrado como o Domingo da Trindade. Trata-se de um arranjo bastante apropriado, sedimentado por Cranmer em seu Livro de Oração, de 1549. Temos seguido o calendário da igreja através do Antigo Testamento (a história do Deus-Pai Criador) e do Natal à Páscoa (a história de Jesus), chegando ao seu ponto culminante com a vinda do Espírito. Vimos assim a revelação histórica da Trindade.

Tem sido de grande ajuda para mim, por muitos anos, recitar a liturgia trinitariana a seguir – que começa louvando a Deus e termina com uma oração -, no início de cada dia.

Deus Todo-Poderoso e eterno,

Criador e sustentador do universo, eu te adoro.

Senhor Jesus Cristo,

Salvador e Senhor do mundo, eu te adoro.

Santo Espírito,

Santificador do povo de Deus, eu te adoro.

Glória ao Pai, ao Filho e a Espírito Santo.

Tal como era no princípio, é agora e será para sempre,

até o final dos tempos.

Amém.

Pai Celestial, que eu possa viver cada dia

Em tua presença e agradar-te mais e mais.

Senhor Jesus Cristo, peço-te que neste dia

Eu possa tomar a minha cruz e te seguir.

Espírito Santo, oro para que neste dia teu fruto possa amadurecer 

Em minha vida – amor, alegria, paz, paciência, bondade,

mansidão, fidelidade, generosidade e autocontrole.

Santa, bendita e gloriosa Trindade, três pessoas e um único Deus,

Tem misericórdia de mim.

Amém

Para saber mais: Efésios 2.18

Texto originalmente publicado em A Bíblia Toda o Ano Todo.

Exaltado à direita de Deus, ele recebeu do Pai o Espírito Santo prometido e derramou o que vocês agora veem e ouvem. (Atos 2.33)

O dia de Pentecostes foi um evento de múltiplos aspectos. Primeiramente, ele foi o último ato do ministério salvífico de Jesus antes da parúsia, e nesse sentido foi um evento único, tanto quanto o dia de Natal, a Sexta-Feira Santa, o domingo de Páscoa ou o dia da ascensão. Ele marcou o início de uma nova era do Espírito e preparou os apóstolos para que exercessem sua função de mestres. O dia de Pentecostes pode ser considerado também como o primeiro reavivamento, no qual Deus visitou seu povo poderosamente.

“O dia de Pentecostes”, Christina Balit, 2002.

A narrativa de Lucas começa com um breve relato dos acontecimentos. O Espírito de Deus veio sobre os discípulos, e sua vinda foi acompanhada de três sinais sobrenaturais: o som de um vento forte, línguas como que de fogo, e capacidade de falar em outras línguas. Mas, o que seria essa glossolalia? Primeiramente, não foi consequência de intoxicação alcoólica, como alguns disseram, em tom de zombaria. Não foi também (como alguns têm sugerido) um milagre de ouvir. De fato, “cada um os ouvia falar em sua própria língua” (v. 6), mas eles só ouviram porque antes aconteceu um fenômeno de fala. Não se tratava também de algumas palavras sem nexo interpretadas erroneamente por Lucas como sendo uma linguagem. De acordo com Lucas, o que aconteceu de fato foi que eles receberam uma habilidade sobrenatural para falar uma língua conhecida, mas que eles nunca haviam aprendido, e proclamar as maravilhas de Deus através dela.

Lucas procura enfatizar a variedade de culturas e línguas da multidão ali reunida. Embora fossem todos judeus da dispersão que estavam em Jerusalém, eles vinham “de todas as nações do mundo” (v. 5), ou seja, do mundo greco-romano situado ao redor da bacia do Mediterrâneo. É óbvio que não estavam presentes pessoas de “todas as nações” no sentido literal, mas representantes de várias nações, pois Lucas inclui deliberadamente em sua lista os descendentes de Sem, Cam e Jafé, e apresenta uma “lista de nações” comparável à encontrada em Gênesis 10. Desde a época dos pais da igreja primitiva a bênção de Pentecostes tem sido considerada como uma reversão deliberada e dramática da maldição de Babel. Na torre, os idiomas humanos foram confundidos, e as nações se espalharam; em Jerusalém, a barreira da língua foi superada de maneira sobrenatural, como um sinal de que as nações se uniriam em Cristo.

Leitura recomendada: Atos 2.1-13

Texto originalmente publicado no livro A Bíblia Toda o Ano Todo.

Mulheres, sujeite-se cada uma a seu marido, como ao Senhor […]. Maridos, ame cada um a sua mulher, assim como Cristo amou a igreja (Ef 5.22, 25).

Muitos consideram que o apóstolo Paulo teria sido um incorrigível misógino (alguém que tem aversão a mulheres). Mas aqueles que pensam assim provavelmente não levaram em conta as implicações de Efésios 5.21-33, pois nessa passagem, séculos à frente de seu tempo, há um sublime ensino cristão que precisa ser esclarecido urgentemente. Considere seus cinco aspectos:

Primeiro, a exigência que a esposa se submeta a seu marido é uma aplicação particular de uma regra cristã geral, pois a ordem para as esposas se sujeitarem (v. 22) vem imediatamente após a ordem para todos se sujeitarem uns aos outros (v. 21). Se, portanto, é obrigação da esposa sujeitar-se ao marido, é também obrigação dele, como participante da nova humanidade de Deus, sujeitar-se a ela. A submissão não deve ser unilateral. Trata-se de uma obrigação cristã universal, exemplificada pelo próprio Senhor Jesus.

Segundo, a esposa deve ser submissa a um marido amoroso, e não a um monstro. Paulo não diz: “Esposas, sujeitem-se; maridos mandem”, mas: “Esposas, sujeitem-se… maridos amem”. Entre um marido amoroso e um tirano há uma diferença enorme.

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