Por John Stott

Cristo Jesus… tornou inoperante a morte e trouxe à luz a vida e a imortalidade por meio do evangelho. (2 Timóteo 1.10)

 

Stott_27_03_13_cruz_solA mais fantástica de todas as afirmações cristãs é que Jesus Cristo ressuscitou dentre os mortos. Ela força a nossa credulidade ao limite. Os seres humanos têm tentado da maneira mais ingênua possível desafiar e negar a morte. Contudo, somente Cristo afirmou tê-la conquistado, ou seja, tê-la derrotado em sua própria experiência e destruído seu poder sobre os outros.

Em nossos dias, ao menos no Ocidente, ninguém exemplifica a angústia generalizada, e particularmente o medo da morte, de maneira mais tragicômica que o cineasta Woody Allen. Ele considera a morte e a decomposição com terror. Ela se tornou uma obsessão para ele. Na verdade ele ainda consegue fazer piada sobre o assunto. “Não que eu tenha medo de morrer, só não quero estar lá quando acontecer” — graceja. Ele chama a morte de algo “absolutamente assombroso”.

Jesus Cristo, porém, resgata seus discípulos desse horror. Consideremos uma de suas grandes declarações que se iniciam com a expressão “Eu sou”: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente” (Jo 11.25-26). Esses versículos contêm uma dupla promessa de Jesus a seus seguidores. Quem crê e vive nunca morrerá, porque Cristo é a sua vida, e a morte lhe parecerá apenas um episódio trivial. Quem crê e morre, no entanto, viverá outra vez, porque Cristo é a sua ressurreição. Assim, Cristo é tanto a vida para aqueles que vivem como a ressurreição para aqueles que morrem. Ele transforma tanto a vida como a morte.

Conta-se que Henry Venn, evangélico anglicano do século 18, quando foi informado de que estava morrendo, ficou tão alegre que sua alegria o manteve vivo por duas semanas! Tal atitude destemida e alegre diante da morte só é possível por causa da ressurreição de Jesus e de sua vitória sobre a morte.

Para saber mais: João 11.17-44

>> Retirado de A Bíblia Toda, O Ano Todo (John Stott). Editora Ultimato, 2007.

 

Nem toda culpa é falsa culpa”.

O pecado é precisamente o reverso da ordem: eu primeiro, o próximo o seguinte (quando isso me convém) e Deus em algum lugar (se é que em algum lugar), num cenário bem distante”.

Os temores são como fungos: crescem mais rapidamente no escuro. Portanto, precisamos trazê-los para a luz, especialmente para a luz da suprema vitória de Jesus Cristo, sua morte, ressurreição e exaltação”.

O destino do cosmos não é um “céu” etéreo, mas um universo recriado. E a ressurreição de Jesus é a base de ambas as expectativas”.

Para que eu seja eu mesmo, tenho de negar-me a mim mesmo e dar de mim em amor a Deus e aos outros. A fim de ser livre, tenho de servir. A fim de viver, tenho de morrer para a minha própria autocentralidade. A fim de me encontrar, tenho de perder a mim mesmo no amor”.

Frases retiradas do livro Por que sou cristão.

Estamos todos conscientes de que, durante os últimos anos, especialmente a partir da Quarta Assembleia do Conselho Mundial de Igrejas, em Uppsala, em 1968, as relações entre cristãos evangélicos e ecumênicos (se posso usar esses termos como uma abreviação conveniente, pois reconheço que eles não são de forma alguma mutuamente excludentes) têm evoluído para algo parecido com uma confrontação. Não desejo piorar esta situação. E espero também não recorrer à estratégia dúbia de colocar alguns pinos ecumênicos a postos para derrubá-los com bolas evangélicas certeiras, de forma que possamos aplaudir nossa vitória fácil!

Veja bem, acredito que algumas ideias ecumênicas são erradas. Porém, por outro lado, creio que algumas de nossas formulações evangélicas tradicionais também são erradas. Muitos cristãos ecumênicos não parecem ter começado a aprender como viver sob a autoridade das Escrituras. Nós, evangélicos, pensamos que sabemos — e não há dúvida de que queremos isso com sinceridade —, mas em várias situações somos muito seletivos em nossa submissão e, em outras, as tradições dos evangélicos mais antigos parecem ser mais fruto da cultura do que da Escritura.

John Stott

(trecho da introdução de Missão Cristão no Mundo Moderno, Editora Ultimato, p 14).