“Homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo.” (2 Pedro 1.21)

A segunda parte do primeiro capítulo de 2 Pedro é uma passagem maravilhosa sobre a veracidade das Escrituras.

Primeiro, a verdade bíblica é uma verdade escrita. Pedro sabia que iria morrer em breve. Enquanto ele estava vivo, ele podia instruir seus leitores, mas e depois que ele partisse? Ele precisava deixar suas instruções por escrito para torná-las acessíveis. Por trás disso, porém, encontramos a providência divina. Se Deus disse e realizou algo singular por meio de Cristo, alguma coisa precisava ser feita para que fosse preservado. Deus não permitiria que isso se perdesse. Assim, a Bíblia é a Palavra de Deus escrita.

Segundo, as Escrituras dão testemunho da verdade. Pedro estava se referindo à transfiguração quando viu a glória de Deus e ouviu sua voz: “Fomos testemunhas oculares da sua majestade” (v. 16). O conceito de testemunha ocular, no entanto, está presente em toda a Escritura, pois Deus levantou testemunhas para registrar e interpretar aquilo que ele estava fazendo em Israel. O significado de suas ações não se evidencia por si só. Por exemplo, ocorreram muitas migrações tribais no antigo Oriente Médio, mas ninguém saberia da singularidade do êxodo se Deus não tivesse levantado Moisés. Milhares de pessoas foram crucificadas durante o domínio do Império Romano, mas ninguém saberia da singularidade da cruz de Jesus se Deus não tivesse levantado os apóstolos.

Terceiro, a luz das Escrituras ilumina a verdade. “Vocês farão bem se a ela prestarem atenção, como a uma candeia que brilha em lugar escuro” (v. 19). A imagem do povo de Deus é a de peregrinos viajando numa noite escura. Eles precisam de uma lâmpada, e as Escrituras clareiam o caminho e são úteis ao seu propósito.

Quarto, as Escrituras revelam a verdade divina. Nenhuma profecia, Pedro escreveu, se originou na mente ou na vontade dos homens, mas antes na de Deus. “Homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo” (v. 21).

Graças a Deus por sua Palavra revelada! Sem ela estaríamos tateando no escuro. Deus nos deu uma lâmpada para iluminar o nosso caminho. Por que não a usaríamos?

Para saber mais: 2 Pedro 1.12-21

Trecho retirado de A Bíblia Toda, o Ano Todo. Editora Ultimato.


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“Não importa a idéia ou crença pessoal de alguém acerca dele, Jesus de Nazaré vem sendo a figura dominante na história da cultura ocidental há quase vinte séculos.” Assim escreveu Jaroslav Pelikan no início de seu abrangente livro Jesus through the Centuries.1

Pareceu adequado, portanto, que as Preleções Londrinas de Cristia­nismo Contemporâneo neste ano do milênio girassem em torno de Jesus Cristo, já que é seu aniversário que estamos celebrando (seja qual for a data precisa). Considere seu domínio em três esferas.

Primeiro, Jesus é o centro da história. Pelo menos grande proporção da raça humana continua dividindo a história em a.C. e d.C., numa referência a seu nascimento. No ano 2000, a população do mundo che­gou a 6 bilhões, enquanto o número estimado de cristãos era de 1,7 bilhões ou cerca de 28%.2 Assim, quase um terço da raça humana pro­fessa segui-lo.

Em segundo lugar, Jesus é o eixo das Escrituras. A Bíblia não é uma coletânea aleatória de documentos religiosos. Como Jesus mesmo disse, “as Escrituras testificam de mim” (Jo 5.39). E os estudiosos cristãos sempre reconheceram isso. Jerônimo, por exemplo, o grande patriarca da igreja nos séculos IV e V, escreveu que “a ignorância das Escrituras é a ignorância de Cristo”.3

No século XVI é notável que tanto Erasmo da Renascença como Lutero da Reforma tenham dado ênfase à mesma centralidade de Cristo. A Bíblia “vos dará Cristo”, escreveu Erasmo, “numa proximidade tão estreita que ele vos seria menos visível, caso se postasse diante de vossos olhos”.4 Lutero, de maneira semelhante, em seus Sermões em Romanos, deixou claro que Cristo é a chave das Escrituras. Em sua glosa sobre Romanos 1.5 escreveu: “Aqui es­cancaram-se as portas para o entendimento das Sagradas Escrituras, ou seja, que tudo precisa ser compreendido em relação a Cristo”. E, adiante, escreveu: “a Escritura inteira, em cada parte dela, só trata de Cristo”.5

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Na linguagem comum, comunhão descreve algo subjetivo, a experiência de cordialidade e segurança na presença dos outros, como em “Tivemos juntos uma boa comunhão”. Mas na linguagem bíblica, koinonia não é nenhum sentimento subjetivo, mas um fato objetivo, que expressa o que temos em comum.

Assim, Paulo pôde escrever: “todos vocês participam comigo da graça de Deus” (Fp 1.7); João pôde escrever: “… para que vocês também tenham comunhão conosco. Nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo” (1Jo 1.3); enquanto Paulo acrescentou: “a comunhão do Espírito Santo” (2Co 13.14). Então, a comunhão autêntica é uma comunhão trinitária. Ela testifica da nossa vida em comum na graça de Deus Pai, Filho e Espírito Santo.

Não seria isso o que nos faz um? Somos de diferentes países, culturas e igrejas. Somos diferentes em temperamento, dons e interesses. E mesmo assim temos isto em comum: o mesmo Deus como nosso Pai Celestial; o mesmo Jesus Cristo como nosso Salvador e Senhor; e o mesmo Espírito Santo como nosso Consolador, habitando em nós.

O que nos une é nossa participação comum (nossa koinonia) em Deus (Pai, Filho e Espírito). E isso se expressa de maneira mais viva na Ceia do Senhor ou Eucaristia, pois, “Não é verdade que o cálice da bênção que abençoamos é uma participação no sangue de Cristo, e que o pão que partimos é uma participação no corpo de Cristo?” (1Co 10.16).

Trecho extraído do livro A Igreja Autêntica. Editora Ultimato.