image_livros_capa_abu_ouca_stott[Por Klênia Fassoni]

Depois de algum tempo esgotado, o livro Ouça o Espírito, Ouça o Mundo, de John Stott, volta às prateleiras. Segundo o autor, o livro é um chamado para viver e servir no momento presente sem “esquecer os grandes eventos do passado (especialmente a morte e ressurreição de Jesus)” e “olhando para o futuro com alegria, confiando na vitória final de Deus”. É um chamado para ser um cristão a par de seu tempo, que percebe e escuta as pessoas e seus desafios com atenção e compaixão, que nota e discerne o agir de Deus e que ouve o Espírito com reverente atenção, pela Palavra.

Leitores que deixaram seus comentários sobre o livro no portal Ultimato ressaltam uma das características marcantes do autor: o fato de tratar de forma simples e acessível conteúdos profundos. Para Jaqueline Silva, uma destas leitoras, “ler Ouça o Espírito, Ouça o Mundo é ter a certeza e a tranquilidade de receber orientações sensíveis e precisas quanto à problemática do ser um cristão contemporâneo. É uma proposta para fazermos a interface entre ouvir a voz de Deus por meio das Escrituras e as vozes de homens e mulheres ao nosso redor”.

Autor de mais de vinte livros publicados no Brasil, John Stott deixou um importante legado às gerações. Com a finalidade de continuar a divulgar este legado, a Editora Ultimato iniciou há exatos dois anos (no mês da morte do autor) este blog. Nele, além de informações biográficas e seleção de textos devocionais e artigos de Stott, há espaço para depoimento dos leitores, trechos de livros e multimídia com vídeos, podcasts e material para download. Deixe então seu comentário sobre os livros do autor.

 

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Nota publicada na revista Ultimato 343 (julho-agosto/2013).

 

Foto: Alexandre Almeida.

Brasília, DF. Foto: Alexandre Almeida

O paradoxo (ou a ambiguidade) humano faz da democracia a melhor forma de governo jamais desenvolvida, pois, idealmente, a democracia reconhece tanto a dignidade como a depravação do ser humano.

Por um lado, ela reconhece nossa dignidade humana, pois se recusa a impor as pessoas que nos governarão sem o nosso consentimento. Ela nos deixa participar do processo de tomada de decisão. Ela nos trata com respeito, como adultos responsáveis.

Por outro lado, a democracia reconhece também a nossa depravação humana, quando se recusa a concentrar poder nas mãos de poucos, uma vez que isso não é seguro. Assim, faz parte da essência da democracia dividir o poder e proteger os governantes de si mesmos. Como Reinhold Niebuhr afirma, “a capacidade do homem para praticar a justiça torna a democracia possível; mas a inclinação do homem para a injustiça torna a democracia necessária”.1

John Stott. Por Que Sou Cristão, p 84.

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Nota:
1. NIEBUHR, Reinhold. The Children of Light and the Children of Darkness; A Vindication of Democracy and a Critique of its Traditional Defenders. Nisbet, 1945. p. vi.