Christina Balit

“Quando o Senhor passar pela terra para matar os egípcios,verá o sangue na viga superior e nas laterais da porta e passará sobre aquela porta”. (Êxodo 12.23)

Deus deu instruções claras sobre a décima e última praga. Por volta da meia-noite ele atravessaria o Egito exercendo juízo, e todos os primogênitos de todas as classes sociais morreriam.

Os israelitas, porém, seriam poupados. Para isso, cada família deveria sacrificar um cordeiro de um ano, sem defeito. O sangue do cordeiro deveria ser passado na viga superior e nas laterais das portas de suas casas, e ninguém poderia sair de casa até o amanhecer. Naquela noite Deus passaria pelo Egito, mas ao vir o sangue, passaria por cima daquela casa, protegendo-a. A festa da páscoa marcaria o começo do calendário anual dos israelitas e deveria ser celebrada anualmente.

Para os cristãos, Jesus Cristo é “o Cordeiro de Deus”, acerca de quem podemos afirmar: “Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado. Por isso, celebremos a festa” (1Co 5.7-8). Podemos aprender muitas verdades com essa história. A primeira é que o Deus que julga é também o Deus que salva.

O Deus que atravessou o Egito para julgar os primogênitos é o mesmo Deus que passou por sobre as casas dos israelitas, protegendo-os da morte. Não podemos caracterizar o Pai como Juiz e o Filho como Salvador. É o mesmo e único Deus que nos salva do juízo através de Jesus Cristo.

A segunda verdade é que a salvação foi (e é) por substituição. Os únicos primogênitos poupados foram aqueles em cujas casas um cordeiro primogênito havia sido sacrificado. Terceira, o sangue do cordeiro deveria ser aspergido depois de derramado. Cada família deveria se apropriar individualmente da provisão divina. Para que a família fosse salva Deus precisaria antes ver o sangue.

A quarta verdade é que todas as famílias resgatadas passaram a pertencer a Deus. Suas vidas agora pertenciam a ele, da mesma forma que nossas vidas pertencem ao Senhor. E a consagração leva à celebração. A vida do povo redimido de Deus é uma festa contínua, expressa ritualmente na Eucaristia, a festa cristã de ação de graças.

Para saber mais: Apocalipse 5.6-14

Nota: texto retirado do livro A Bíblia Toda, O Ano Todo, de John Stott.

O processo natural que Deus estabeleceu, em parte pela criação e em parte pelo juízo, é nascimento, crescimento, declínio, morte e decomposição. Este é o ciclo da natureza. Ele inclui os seres humanos: “Porque você é pó, e ao pó voltará”.1 O próprio conceito de ressurreição é, portanto, sobrenatural.

No caso de Cristo, o processo natural de decomposição física foi além de detido e anulado: foi superado. Em vez de se dissolver em pó, seu corpo foi transformado em um novo e glorioso instrumento para sua alma. Na verdade, o Novo Testamento apresenta a ressurreição de Jesus como a manifestação máxima do poder sobrenatural de Deus. A oração de Paulo pelos cristãos de Éfeso era para que os olhos do coração deles fossem iluminados, a fim de conhecerem a incomparável grandeza do poder de Deus, o poder que “ele exerceu em Cristo, ressuscitando-o dos mortos […]”.2

O cristianismo é, em sua essência, uma religião de ressurreição. Este conceito é central para ele. Se for removido, destruímos o cristianismo. Deixe-me mostrar o que quero dizer. O Novo Testamento fala de pelo menos três ressurreições distintas.

Primeiro, a ressurreição de Cristo. 35 horas após a morte, sua alma (que estivera no Hades, onde habitam os mortos) e seu corpo (que ficara em uma pedra no túmulo) se uniram. Ao mesmo tempo, seu corpo foi levantado. Ou seja, foi transformado no que Paulo chama de “seu corpo glorioso”3 e investido de poderes novos até então desconhecidos. Nesse corpo de ressurreição, Cristo irrompeu do túmulo, atravessou portas fechadas, apareceu aos seus discípulos, desapareceu e, finalmente, desafiando a lei da gravidade, ascendeu aos céus.

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No mês de março, a Editora Ultimato comemorou junto com a Aliança Bíblica Universitária (ABU) os 43 anos de fundação da ABU Editora e os 7 anos de parceria, desde que Ultimato passou a ser a responsável por comercializar os livros dessa editora. Atualmente Ultimato tem mais de 50 títulos da ABU em seu catálogo.
 
A seguir você pode ler um trecho de Crer é Também Pensar, de John Stott, um clássico da ABU Editora e um dos livros mais vendidos em 2017.

O apelo à santidade

Muitos segredos para a santidade nos são dados nas páginas da Bíblia. De fato, um dos maiores propósitos da Bíblia é mostrar ao povo de Deus como viver de forma digna e agradável ao Senhor. Porém, um dos aspectos mais negligenciados na questão da santidade é o papel da mente, mesmo que Jesus tenha esclarecido a questão quando prometeu que “conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”.1

É por meio da verdade que Cristo nos liberta do domínio do pecado. Como isso funciona? Onde está o poder libertador da verdade?

Para começar, precisamos ter uma visão clara do tipo de pessoa que Deus quer que sejamos. Precisamos conhecer as leis morais e os mandamentos de Deus. Como John Owen expressa, “aquele bem que a mente não pode descobrir, que a vontade não pode escolher, que os sentimentos não podem discernir”. Ainda assim, “nas Escrituras a corrupção da mente é comumente vista como o princípio de todo o pecado”.2

O melhor exemplo disso talvez seja encontrado no começo da vida de nosso Salvador. Por três vezes o diabo veio até ele e o tentou no deserto da Judeia. Por três vezes ele reconheceu que a sugestão do diabo era maligna e contrária à vontade de Deus. Por três vezes ele enfrentou a tentação com a palavra gegraptai, “está escrito”. Não havia espaço para debate ou argumento. O problema estava resolvido na mente dele desde o começo. Porque a Escritura tinha estabelecido o que era certo. Um conhecimento claro da vontade de Deus é o primeiro segredo para uma vida reta.

No entanto, não é suficiente sabermos o que devemos ser. Precisamos ir além e empenhar nossas mentes nisso. A batalha é quase sempre ganha na mente. É por meio da renovação da nossa mente que nosso caráter e comportamento são transformados.3 Assim, as Escrituras nos chamam novamente para uma disciplina mental a esse respeito. “Tudo o que for verdadeiro” – ela afirma – “tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas”.4

Novamente, “portanto, se vocês ressuscitaram com Cristo, procurem as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus. Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas. Pois vocês morreram, e agora a sua vida está escondida com Cristo em Deus”.5

E, uma vez mais, “quem vive segundo a carne tem a mente voltada para o que a carne deseja; mas, quem vive de acordo com o Espírito, tem a mente voltada para o que o Espírito deseja. A mentalidade da carne é morte, mas a mentalidade do Espírito é vida e paz”.6

Notas
1 – João 8.32.
2 – OWEN, John. Pneumatologia ou A Discourse Concerning the Holy Spirit. [S.l.: s.n.]: 1668. p. 111.
3 – Romanos 12.2.
4 – Filipenses 4.8.
5 – Colossenses 3.1-2.
6 – Romanos 8.5-6.
Trecho do livro Crer é Também Pensar. ABU/Ultimato, 2012.