No livro As controvérsias de Jesus, Stott apresenta alguns temas bastante atuais sobre os quais Jesus tratou em suas conversas com os líderes religiosos da época, que muitas vezes assumiram a forma de debates. Diversas vezes Jesus confrontou as pessoas com sabedoria e respeito. Selecionamos 10 frases do livro que mostram como a postura de Jesus precisa ser o modelo para seus seguidores.

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JS_26_06_15_SetasQual é, então, a natureza da vida justa? E como podemos alcançá-la? Em certa situação, como podemos saber qual ação seria correta e qual seria errada? O que nos deixa limpos ou impuros aos olhos de Deus?

Estas são perguntas importantes, e as respostas dadas pelos fariseus são muito diferentes daquelas dadas por Jesus Cristo. Ainda são uma área de controvérsia hoje e, por isso, procuraremos descobrir se a discussão de Cristo com os fariseus lança alguma luz sobre o debate contemporâneo.

Primeiro, algumas definições e explicações. A maneira tradicional de pensar sobre o certo e o errado é comumente chamada de prescritiva, porque nela as regras são amplamente apresentadas antes de se começar, enquanto uma abordagem mais moderna é chamada de circunstancial, porque (de acordo com este modo de pensar) é a própria situação, e não alguma regra predefinida, que deve orientar nossa conduta. Os defensores da moralidade circunstancial rejeitam a antiga por duas razões principais. Primeiro, porque ela é autoritária. É uma moralidade revelada nas leis divinas e reforçada por sanções divinas. A conduta correta é imposta por uma autoridade externa chamada Deus. Eles dizem que uma ética circuns­tancial, por sua vez, não precisa de autoridade alguma, mas sim de sua própria racionalidade intrínseca.

Segundo, eles a rejeitam porque ela é absoluta. Argumentam que as leis são inflexíveis e a vida é muito complicada para ser governada por regras rígidas. A nova moralidade, em contrapartida, é guiada pelo amor, e o amor pode se adaptar a cada situação de uma forma que a lei não pode.

Aqueles que defendem esta abordagem vão além. Eles declaram Jesus Cristo e o apóstolo Paulo como defensores dela. Afirmam que o próprio Jesus, por amor, violou a lei em diversas ocasiões, especialmente com relação ao sábado. E gostam de citar algumas palavras de Paulo, como, por exemplo, “não estão debaixo da Lei” ou “o fim da Lei é Cristo” ou “o amor é o cumprimento da Lei”. Por acreditarem que têm Jesus e Paulo como apoiadores de sua visão, eles ficam felizes em abolir completamente a categoria da lei na ética cristã.

Apenas mais uma coisa precisa ser dita nesta fase, ou seja, que a vida e os ensinamentos de Jesus não demonstram uma distinção tão nítida entre a lei e o amor. O contraste que representam é falso. Somos obrigados a fazer uma escolha que a Bíblia não faz nem nos pede para fazer. É verdade que Jesus deu prioridade ao amor. Aqui temos um denominador comum. Porém, ao fazer isso, ele não rejeitou a lei. O que ele rejeitou foram as interpretações equivocadas da lei, não a lei em si. Pelo contrário, ele obedeceu a ela em sua própria vida. Afirmou claramente que não viera para abolir a lei, mas para cumpri-la. Também repetiu com ousadia a palavra de Deus em Êxodo 20.6 (“aos que me amam e obedecem aos meus mandamentos”), insistindo em que seus discípulos deveriam amá-lo e guardar seus mandamentos.

— John Stott. As Controvérsias de Jesus, p 112-113.

JS_25_05_15_Capa_Biblia_Toda“Exaltado à direita de Deus, ele recebeu do Pai o Espírito Santo prometido e derramou o que vocês agora veem e ouvem”. Atos 2.33

 

O dia de Pentecostes foi um evento de múltiplos aspectos. Primeiramente, ele foi o último ato do ministério salvífico de Jesus antes da parúsia e nesse sentido, foi um evento único, tanto quanto o dia de Natal, a Sexta-Feira da Paixão, o domingo de Páscoa ou o dia da ascensão. Ele marcou o início de uma nova era do Espírito e preparou os apóstolos para que exercessem sua função de mestres. O dia de Pentecostes pode ser considerado também como o primeiro reavivamento, no qual Deus visitou seu povo poderosamente.

A narrativa de Lucas começa com um breve relato dos acontecimentos.

O Espírito de Deus veio sobre os discípulos, e sua vinda foi acompanhada de três sinais sobrenaturais: o som de um vento forte, línguas como que de fogo, e capacidade de falar em outras línguas. Mas, o que seria essa glossolalia?

Primeiramente, não foi consequência de intoxicação alcoólica, como alguns disseram, em tom de zombaria. Não foi também (como alguns têm sugerido) um milagre de ouvir. De fato, “cada um os ouvia falar em sua própria língua” (v. 6), mas eles só ouviram porque antes aconteceu um fenômeno de fala. Não se tratava também de algumas palavras sem nexo interpretadas erroneamente por Lucas como sendo uma linguagem. De acordo com Lucas, o que aconteceu de fato foi que eles receberam uma habilidade sobrenatural para falar uma língua conhecida, mas que eles nunca haviam aprendido, e proclamar as maravilhas de Deus através dela.

Lucas procura enfatizar a variedade de culturas e línguas da multidão ali reunida. Embora fossem todos judeus da dispersão que estavam em Jerusalém, eles vinham “de todas as nações do mundo” (v. 5), ou seja, do mundo greco-romano situado ao redor da bacia do Mediterrâneo. É óbvio que não estavam presentes pessoas de “todas as nações” no sentido literal, mas representantes de várias nações, pois Lucas inclui deliberadamente em sua lista os descendentes de Sem, Cam e Jafé, e apresenta uma “lista de nações” comparável à encontrada em Gênesis 10. Desde a época dos pais da igreja primitiva a bênção de Pentecostes tem sido considerada como uma reversão deliberada e dramática da maldição de Babel. Na torre, os idiomas humanos foram confundidos, e as nações se espalharam; em Jerusalém, a barreira da língua foi superada de maneira sobrenatural, como um sinal de que as nações se uniriam em Cristo.

Para saber mais: Atos 2.1-13

Nota:
Texto retirado do livro A Bíblia Toda, O Ano Todo, de John Stott, página 295.