Havia pastores que estavam nos campos próximos […]

E aconteceu que um anjo do Senhor apareceu-lhes… [e] lhes disse:

“Não tenham medo. Estou lhes trazendo boas novas de grande alegria […]

Hoje […] lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

Lucas 2.8-11

 

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A adoração dos pastores (det.) | El Greco

Pastores não gozavam de boa reputação em Israel e eram vistos como pessoas desonestas e pouco confiáveis. No entanto, foi a eles que Deus escolheu para anunciar as boas novas mais extraordinárias que o mundo já ouviu, a saber, que o Messias há muito esperado havia nascido. Como eles reagiram a essa notícia?

Primeiro, foram até Belém conferir pessoalmente. Sua reação não foi nem de credulidade nem de incredulidade. Eles foram investigar os fatos de forma imparcial e sem preconceitos. Assim eles “correram para lá” (v. 16) e encontraram aquilo que estavam procurando. Verdadeiramente, quem “busca encontra” (Mt 7.8).

Depois de terem visto Jesus, eles “contaram a todos” o que tinham visto e ouvido (v. 17). Não puderam guardar as boas novas para si. Eles queriam que todos soubessem.

Por fim, “os pastores voltaram glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido” (v. 20). Em outras palavras, sua experiência resultou em adoração e testemunho. Mas antes o texto diz que eles “voltaram”. Não passaram o resto de suas vidas no estábulo ou matando o tempo ao redor da manjedoura. Ao contrário, eles retornaram ao campo e para as suas ovelhas, voltaram para suas casas, para suas esposas e filhos. Seus trabalhos e suas casas continuavam os mesmos, mas eles já não eram mais os mesmos. Eles agora eram novas pessoas, embora a situação fosse a mesma. Eles mudaram porque viram a Jesus. Em seus corações havia agora um espírito de admiração e de adoração.

O encontro com Jesus Cristo é sempre uma experiência transformadora, pois acrescenta uma nova dimensão ao nosso velho estilo de vida. Como Billy Graham costuma dizer, esse encontro “ilumina os nossos olhos e revigora os nossos passos”.

Para saber mais: Lucas 2.8-20

AtlasQuando confrontados com a complexidade da vida moderna, os cristãos podem ser tentados a se dirigir a dois extremos. Primeiramente, eles podem sucumbir ao desespero e até mesmo ao cinismo. Eles mencionam, como razões de a situação estar incorrigível, as discórdias entre cristãos, uma Bíblia antiquada e assuntos que só podem ser compreendidos por especialistas. Eles não creem que Deus fala conosco por meio das Escrituras e nos leva à verdade. Em segundo lugar, podem ser ingênuos e simplistas. Essas pessoas querem soluções rápidas e frequentemente veem os assuntos em preto e branco, em vez de refletir sabiamente sobre eles à luz das Escrituras. Elas negam os problemas, citam textos justificativos, criticam aqueles que discordam e fazem qualquer coisa, exceto lutar com os assuntos que nos confrontam, à luz das Escrituras. Assim, o que é necessário, como discutirei no próximo capítulo, é desenvolver uma mente cristã e isso significa analisar as questões, ler as Escrituras, ouvir outras pessoas e agir.

Entretanto, mesmo se já fizemos nosso dever de casa e discutimos, debatemos e oramos juntos, precisamos nos perguntar: “Nos ombros de quem está a responsabilidade política?”. Não fazer e responder a essa pergunta é uma das principais razões da atual confusão sobre o envolvimento cristão na política. Precisamos distinguir entre indivíduos, grupos e igrejas. Todos os cristãos, como indivíduos, deveriam ser politicamente ativos, no sentido de, como cidadãos conscientes, votarem nas eleições, informarem-se sobre assuntos contemporâneos, participarem de debates públicos e talvez escreverem para um jornal, argumentarem com seus candidatos eleitos ou participarem de manifestação. Além disso, alguns indivíduos são chamados por Deus para dar suas vidas ao serviço político, tanto no governo local quanto no nacional. Os cristãos que compartilham de preocupações morais e sociais específicas deveriam ser encorajados a formar ou a se unir a grupos que estudarão mais profundamente o assunto e poderão tomar as atitudes adequadas. Em alguns casos, esses grupos serão exclusivamente cristãos; em outros, os cristãos desejarão contribuir com grupos mistos — seja um partido político, um sindicato operário ou uma associação profissional —, oferecendo sua perspectiva bíblica.

Adequados o pensamento e a ação política de indivíduos e grupos cristãos, a igreja, como um todo, deve se envolver em política? Certamente a igreja deve ensinar o evangelho e a lei de Deus. Esse é o dever dos pastores, professores e outros líderes da igreja. E “quando a igreja conclui que a fé ou a integridade bíblica requerem que ela tome uma posição pública a respeito de algum assunto, então ela deve obedecer à Palavra de Deus e confiar a ele as consequências”. Pensar que a igreja deve ir além do ensino e tomar atitudes políticas corporativas em relação ao Estado é como se aderíssemos à tradição luterana, reformada ou anabatista em relação à igreja. Pelo menos devemos concordar que a igreja não deve entrar nesse campo sem a habilidade necessária. Porém, se os líderes fazem sua tarefa de casa com esmero, dedicam tempo e se esforçam estudando um assunto juntos, a fim de alcançar um pensamento cristão comum e recomendar uma ação cristã comum, a postura informada e unida deles passar a ser extremamente influente.

Observe primeiro o cristão de forma individual. Em termos gerais, todo cristão é chamado para ser testemunha e servo. Assim, cada um de nós é um seguidor do Senhor Jesus que testemunhou uma boa confissão e disse: “Eu estou com vocês como um servo”. Assim, diakonia (serviço) e martyria (testemunho) são gêmeos inseparáveis. Apesar disso, diferentes cristãos são chamados para diferentes ministérios, específicos, assim como os doze foram chamados para o ministério da palavra e da oração, enquanto os sete foram chamados para se incumbirem da distribuição diária para as viúvas (At 6). A metáfora da Igreja como corpo de Cristo reforça a mesma lição. Assim como cada membro do corpo humano tem uma função diferente, assim também cada membro do corpo de Cristo tem um dom diferente, portanto, um ministério diferente. Ao mesmo tempo, qualquer que seja o nosso chamado específico, emergências o ultrapassarão. Na parábola do Bom Samaritano, o sacerdote e o levita não puderam desculpar sua vergonhosa negligência com o homem que havia sido assaltado ao dizer que seu chamado era trabalhar no templo. Se somos chamados para um ministério predominantemente social, ainda temos a obrigação de testemunhar. Se somos chamados para um ministério predominantemente evangelístico, não podemos dizer que não temos responsabilidades sociais.

Quanto à igreja local, a versatilidade de seu alcance pode ser grandemente aumentada se todos os seus membros fizerem uso completo dos seus diferentes dons e chamados. É muito saudável para a liderança da igreja incentivar as pessoas que têm interesses semelhantes a se unirem em grupos de interesses especiais ou de estudo e ação. Alguns terão um objetivo evangelístico – visita de casa em casa, grupos de música, missões mundiais etc. Outros grupos terão interesse social – visita a enfermos ou de assistência social, associação de abrigo, relações comunitárias ou de raças, cuidado com o meio ambiente, defesa da vida, campanhas contra o aborto, defesa das necessidades de uma minoria étnica etc. Tais grupos se suplementam. Se uma oportunidade eventual é dada a eles para apresentarem relatórios aos membros da igreja, a natureza representativa de seu trabalho será afirmada e eles poderão receber um valoroso apoio da igreja, por meio de conselhos, incentivo, oração e sustento financeiro.

Nenhum cristão poderia, ou deveria, tentar se envolver em todos os tipos de ministério. Mas cada igreja, independente do tamanho, pode e deve se envolver em tantas áreas quanto possível, por meio de seus grupos. Os grupos tornam possível à igreja diversificar bastante seu interesse e ação. Como veremos no próximo capítulo, os cristãos precisam ter um conhecimento completo das Escrituras, que lhes proporcione fundamento teológico para o envolvimento cristão. A reflexão e a ação cristãs não podem ser separadas.

Finalizo este capítulo com o que pode ser uma referência até surpreendente à missa católica romana. Diz-se que a palavra missa é derivada da declaração final usada na antiga cerimônia em latim: Ite, missa est. Num português educado pode significar: “Vocês estão dispensados”. Numa linguagem mais áspera e direta, poderia ser apenas “Saia!” – sair para o mundo que Deus fez e onde os seres à sua imagem habitam, o mundo para o qual Cristo veio e ao qual ele agora nos envia. Pois é a esse mundo que pertencemos. O mundo é a arena na qual devemos viver e amar, testemunhar e servir, sofrer e morrer por Cristo.

Trecho extraído do livro Os Cristãos e os Desafios Contemporâneos (p. 44-47).

John StottO site Crentassos, de Cristiano Machado, abriu espaço para falar sobre John Stott. Para isso, convidou um dos pastores brasileiros mais influenciados pelo “tio John”: Ziel Machado.

Ziel, que desde a juventude é envolvido com a evangelização de universitários na ABU (Aliança Bíblica Universitária), mostra como os livros de Stott contam sobre a vida dele. E mais: por onde começar a ler Stott? O que os livros têm de bom? Como é o seu jeito de escrever? Qual foi a importância dele para a construção do Pacto de Lausanne?

Enfim, ouça a entrevista AQUI.

 

Além de conhecer mais sobre John Stott, você pode ganhar presentes. Se você deixar um comentário aqui ou no site do Crentassos, você vai concorrer a um dos livros de Stott publicados pela Ultimato. Que tal?

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