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Comprometimento sem reflexão é fanatismo em ação; reflexão sem comprometimento é a paralisia de toda ação

 

O livro que marcou a mudança de paradigma entre universitários evangélicos é também uma afirmação profunda: “crer é também pensar”. Nossa equipe selecionou trechos preciosos da publicação e nos ajuda a fazer uma leitura dinâmica e proveitosa dele.

 

 

Até que ponto devemos apelar para a razão das pessoas ao apresentarmos o evangelho? Será que a “fé” envolve algo completamente irracional? Será que o senso comum tem alguma função na orientação cristã?

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Comprometimento sem reflexão é fanatismo em ação; reflexão sem comprometimento é a paralisia de toda ação.

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Não estou defendendo um cristianismo acadêmico, frio e inexpressivo, mas uma devo­ção fervorosa, inflamada pela verdade.

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Três ênfases — de muitos católicos no ritual, de radicais na ação social e de pentecostais na experiência — são todas, de alguma forma, sintomas do mesmo mal do anti-intelectualis­mo. Elas são rotas de fuga para evitar a nossa responsabilidade dada por Deus de usar a mente de forma cristã.

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O mundo moderno produz pessoas pragmáticas para as quais a primeira pergunta sobre qualquer questão não é “isso é verdade?”, e sim “isso funciona?”.

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Boa parte do mundo hoje é dominada por ideologias que, se não forem totalmente falsas, são estranhas ao evangelho de Cristo. […] “As armas com as quais lutamos não são humanas; ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo”. Essa é uma batalha de ideias; a verdade de Deus se sobrepondo às mentiras dos homens. Acreditamos no poder da verdade?

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Deus fez o homem à própria imagem, e uma das mais nobres características de semelhança divina é a capacidade do homem de pensar. […] e de se comportar diferentemente: “Não sejam como o cavalo ou o burro, que não têm entendimen­to”.

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O pecado tem efeitos mais pe­rigosos em nossa capacidade de sentir do que na de pensar, pois nossas opiniões são mais facilmente examinadas e or­ganizadas pela verdade revelada do que nossas experiências.

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Jesus acusou as multidões incrédulas: “Por que vocês não julgam por si mesmos o que é certo?” — perguntou a eles. Em outras palavras, por que vocês não usam o cérebro de vocês? Por que não aplicam às questões morais e espirituais o senso comum que usam nas questões físicas?

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A revelação é uma revelação racional para criaturas racionais. Nosso dever é receber a mensagem, nos submeter a ela, buscar entendê-la e relacioná-la com o mundo no qual vivemos.

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A proclamação do evangelho — novamente manifesta em palavras dirigidas à mente — é a forma principal como Deus resolveu trazer salvação aos pecadores. Paulo coloca desse modo: visto que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por meio da sabedoria humana, agradou a Deus salvar aqueles que creem por meio da loucura da pregação.

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Uma “mente cristã” é descrita por Harry Blamires como uma “mente treinada, informada, equipada para lidar com informações de controvérsia secular utilizando um modelo de referência baseado em pressuposições cristãs”.
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Tendo Deus nos feito seres racionais, devemos negar a humanidade que nos deu? Se falou conosco, devemos deixar de ouvir as palavras dele? Ele renovou nossas mentes em Cristo; devemos deixar de pensar com a mente? Deus nos julgará pela Palavra, devemos deixar de ser sábios e não construir nossa casa sobre a rocha?

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No Antigo Testamento Deus reclamou que o povo estava se comportando como “crianças tolas” que não “tinham entendimento” e declarou que eles estavam sendo “destruídos por falta de conhecimento”.

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A repetição das palavras conhecimento, sabedoria, discerni­mento e entendimento realmente é curiosa. Não há dúvida de que o apóstolo (Paulo) as considerava como o próprio fundamento da vida cristã.

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Seis aspectos da vida cristã que se tornam impossíveis sem o uso apropriado da mente:

Adoração. A única adoração aceitável para Deus era a adoração inteligente, adoração “em verdade”, adoração oferecida por aqueles que sabem quem estão adorando e que o amam “com todo o entendimento”.

Fé. Fé não é credulidade. Fé não é otimismo. A verdadeira fé é essencialmente racional, pois ela confia nas promessas e no caráter de Deus. Um cristão que crê é alguém cuja mente reflete e descansa nessas certezas. […] A fé e o raciocínio andam juntos, e crer é impossível sem pensar.

Santidade. Um conhecimento claro da vontade de Deus é o primeiro segredo para uma vida reta. No entanto, não é suficiente sabermos o que devemos ser. […] As Escrituras nos chamam para uma disciplina mental a esse respeito. […] “Quem vive segundo a carne tem a mente voltada para o que a carne deseja; mas, quem vive de acordo com o Espírito, tem a mente voltada para o que o Espírito deseja. A mentalidade da carne é morte, mas a mentalidade do Espírito é vida e paz”.

A orientação do cristão. Apesar das promessas de Deus de nos guiar, não devemos esperar que ele o faça da mesma forma como nós guiamos cavalos e mulas. Ele não usará freios nem rédeas conosco. […] É pelo nosso entendimento, esclarecido pela Bíblia, pela oração e pelo conselho de amigos que Deus vai nos levar ao conhecimento da vontade particular dele para nós.

Evangelismo. “A fé vem por se ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo”. O argumento do apóstolo diz que deve existir um conteú­do sólido em nossa proclamação evangelística de Jesus.

Paulo resume o ministério evangelístico de forma simples: “Pro­curamos persuadir os homens”. “Persuadir” é um exercí­cio intelectual. A segunda evidência no Novo Testamento de que nosso evangelismo deveria ser apresentado de forma racional é que a conversão é frequentemente descrita em termos de uma resposta da pessoa, não ao próprio Cristo, mas “à verdade”. Tornar-se um cristão é “crer na verdade”, “obedecer à ver­dade”, “reconhecer a verdade”.

O ministério e os dons. Todos os dons espirituais (e existem muitos) tencionam algum tipo de ministério. Eles são dados para serem usados “para o bem comum”. O propósito é edificar a igreja — o corpo de Cristo — para que ela cresça até a maturidade.

 

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Deus nunca quis que o conhecimento fosse um fim em si mesmo, mas sempre o meio para outra finalidade.

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Em primeiro lugar, o conhecimento deve levar à adoração. […] Quanto mais conhecemos a Deus, mais devemos amá-lo.

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Em segundo lugar, o conhecimento deve levar à fé. […] “Os que conhecem o teu nome confiam em ti”, escreveu o salmista.
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Em terceiro lugar, o conhecimento deve levar à santidade. Quanto mais nosso conhecimento cresce, maior é a nossa responsabilidade de pô-lo em prática. O Salmo 119 é cheio de aspirações por se conhecer a Lei de Deus. Por quê? Para melhor obedecer-lhe: “Dá-me entendimento, para que eu guarde a tua Lei e a ela obedeça de coração”.

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Em quarto lugar, o conhecimento deve levar ao amor. Quanto mais conhecemos, mais queremos compartilhar o que sabemos com outros e usar nosso conhecimento no serviço, seja no evangelismo ou no ministério.

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Tanto a decisão da mente de entender quanto a humilhação perante Deus são indicativos da fome do homem pela verdade divina. Tal fome certamente será satisfeita, pois Deus prometeu que quem busca com since­ridade encontrará.
• Trechos retirados do livro Crer É Também Pensar

 

 

Os seres humanos são um paradoxo estranho e trágico. Somos capazes da mais excelente nobreza e da mais baixa crueldade

 

BlogUlt_01_07_16_Selo_JSQue tal ler o livro Por Que Sou Cristão, de John Stott, em apenas 5 minutos? Confira a seguir os trechos que mais sintetizam o conteúdo da publicação.

 

 

Capítulo 1: O Cão de Caça do Céu

O fato de eu ser cristão não se deve em última análise à influência de meus pais e professores, nem à minha decisão pessoal por Cristo, mas ao “Cão de Caça do Céu”, ou seja, ao próprio Jesus Cristo, que me perseguiu incansavelmente, mesmo quando eu estava correndo dele a fim de seguir meu próprio caminho. Se não fosse pela perseguição graciosa do Cão de Caça do Céu, hoje eu estaria na lata de lixo das vidas desperdiçadas e descartadas. (p 16 e 17)

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Jesus nos assegura em suas parábolas que, quer estejamos conscientemente buscando a Deus, quer não, ele com certeza está nos buscando. Cristo é como uma mulher que varre a sua casa em busca de uma moeda perdida; é como um pastor que se arrisca nos perigos do deserto em busca de apenas uma ovelha que se perdeu; e é como um pai que sente saudades de seu filho pródigo e deixa que ele experimente as amarguras de seus desatinos, mas que está pronto, a todo momento, para correr e encontrá-lo, e dar-lhe as boas-vindas de volta ao lar. (p 32)

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Se nos tornarmos cientes da incansável busca de Cristo, desistirmos de tentar escapar dele e nos entregarmos ao abraço desse “amante tremendo”, não haverá espaço para ostentação em relação àquilo que fazemos, mas somente para uma profunda ação de graças por sua graça e misericórdia, e para a firme resolução de passar o tempo e a eternidade a seu serviço. (p 33)

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Capa_Pq_Sou_Cristao_corelCapítulo 2: As afirmações de Jesus

A segunda razão por que sou cristão não é porque isso é bom, mas porque é verdadeiro. (p 38)

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Sejamos claros em dizer que as afirmações do cristianismo são, em sua essência, as afirmações de Cristo. Não tenho desejo particular de defender o “cristianismo” como um sistema ou a “igreja” como uma instituição. Mas não nos envergonhamos de Jesus Cristo, que é o centro e o cerne do cristianismo. (p 39)

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Sem dúvida, a característica mais marcante do ensino de Jesus é sua extraordinária autocentralidade. Na verdade, ele estava constantemente falando a respeito de si mesmo. Ele falava muito sobre o reino de Deus, mas acrescentava que viera para inaugurá-lo. Falou a respeito da paternidade de Deus, mas acrescentou que era o Filho do Pai.  (p 39)

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Com relação às Escrituras do Antigo Testamento, Jesus afirmava ser o seu cumprimento. Esse sentido de cumprimento foi um ingrediente essencial de sua autoconsciência do início ao fim do seu ministério público. (p 41)

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Em relação a Deus, a quem chamava de “Pai”, Jesus reivindicou a relação única de “Filho”. (p 44)

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Em relação aos seres humanos, Jesus reivindicou a autoridade de ser o Salvador e Juiz das pessoas. (p 46)

 

Capítulo 3: A Cruz de Cristo

Qualquer pessoa que investigue o cristianismo pela primeira vez ficará impressionada pelo destaque extraordinário que os seguidores de Cristo dão à sua morte. No caso de todos os outros grandes líderes espirituais, a morte deles é lamentada como fator determinante do fim de suas carreiras. Não tem importância em si mesma; o que importa é a vida, o ensino e a inspiração do exemplo deles. Com Jesus, no entanto, é o contrário. Seu ensino e exemplo foram, na verdade, incomparáveis; mas, desde o princípio, seus seguidores enfatizaram sua morte. (p 53 e 54)

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Mas por que Cristo foi voluntária e deliberadamente para a cruz? Por que ele deu a sua vida por nós? Várias razões poderiam ser apontadas, pois a cruz é um evento muito rico para receber uma simples explicação. Discutiremos as três principais que a Bíblia apresenta:

– Primeiro, Cristo morreu para expiar os nossos pecados.

– Segundo, Cristo morreu para revelar o caráter de Deus.

– Terceiro, Cristo morreu para conquistar os poderes do mal.

Ou, usando uma simples palavra para cada explicação, a morte de Cristo foi uma expiação, uma revelação e uma conquista — uma expiação pelo pecado, uma revelação de Deus e uma conquista sobre o mal. (p 58)

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Capítulo 4: O paradoxo da nossa humanidade

Perguntar “o que é o homem?” é uma outra maneira de perguntar “quem sou eu?”. Isso nos capacita a satisfazer tanto à antiga fórmula grega gnothi seauton (“conhece-te a ti mesmo”) quanto à busca atual por nossa própria identidade. Não há campo mais importante para a pesquisa e a busca do que esse. Até que tenhamos descoberto nós mesmos, não conseguimos descobrir facilmente nenhuma outra coisa. (p 72)

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A crítica cristã a grande parte da filosofia e ideologia modernas é que elas são muito ingênuas em seu otimismo acerca da condição humana ou muito negativas em seu pessimismo, conquanto ousemos acrescentar que somente a Bíblia mantém o equilíbrio. (p 74)

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Os seres humanos são um paradoxo estranho e trágico. Somos capazes da mais excelente nobreza e da mais baixa crueldade. Somos capazes de nos comportar por um momento como Deus, a cuja imagem fomos criados, e no momento seguinte como bestas, de quem fomos feitos para ser para sempre distintos. Somos capazes de pensar, escolher, amar e adorar, mas somos igualmente capazes de odiar, invejar, lutar e matar. (p 82 e 83)

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Capítulo 5: A chave para a liberdade

A quinta razão por que sou cristão é que encontrei em Jesus Cristo a chave para a liberdade. (p 89)

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Liberdade é uma grande palavra cristã. Jesus Cristo é retratado no Novo Testamento como o supremo libertador do mundo. Ele disse que viera “libertar os oprimidos” (Lc 4.18). E acrescentou mais adiante: “se o Filho os libertar, vocês de fato serão livres” (Jo 8.36). Do mesmo modo, o apóstolo Paulo escreveu: “foi para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5.1). Liberdade é hoje uma palavra moderna para “salvação”. Ser salvo por Jesus Cristo é ser liberto. ( p 90)

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Primeiro, fui salvo (ou liberto) no passado da penalidade do pecado por um Salvador crucificado. Segundo, estou sendo salvo (ou liberto) no presente do poder do pecado por um Salvador vivo. Terceiro, serei salvo (ou liberto) no futuro da presença do pecado por um Salvador que virá. (p 91)

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Capítulo 6: As realizações de nossas aspirações

A sexta razão por que sou cristão pode ser declarada de um modo bem simples: todos os seres humanos possuem vários anseios ou aspirações, os quais só Jesus Cristo pode satisfazer. (p 105)

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Há uma fome no coração humano que ninguém senão Cristo pode satisfazer. Há uma sede que ninguém senão ele pode saciar. Há um vazio interior que ninguém senão ele pode preencher. (p 105)

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Então, quais são essas experiências, esses anseios humanos? Minha tese é que os seres humanos possuem três aspirações básicas que só Jesus Cristo pode satisfazer: 1) a busca por transcendência; 2) a busca por significado; 3) a busca por comunidade. (p 108)

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Embora possam não articulá-la desse modo, podemos dizer que, ao buscar por transcendência, os seres humanos estão buscando a Deus; ao buscar por significado, estão buscando a si mesmos; e, ao buscar por comunidade, estão buscando o seu próximo. Essa é a busca universal da humanidade — por Deus, pelo próximo e por si mesmo. (p 123)

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Capítulo 7: O maior de todos os convites

[Muitos] não se dão conta de que o evangelho é um convite, gratuito, na verdade o maior convite que qualquer pessoa jamais poderia receber. Eis a sua essência: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso” (Mt 11.28). (p 128)

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Esse apelo (“Venham a mim”) é a parte mais conhecida da passagem. Porém ele está ligado em um parágrafo de seis versos, que precisam ser preservados juntos. Eles contêm dois convites endereçados a nós, precedidos de duas afirmações que Jesus fez sobre si mesmo. E nós não estamos em posição de responder aos convites até que consideremos e aceitemos as afirmações de Jesus (leia Mt 11.25-30). (p 130)

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As duas afirmações dizem respeito ao mais importante de todos os assuntos, o conhecimento de Deus. (…) Não pode haver conhecimento de Deus sem que ele tenha a iniciativa de revelar-se. Primeiro, Deus é revelado somente por Jesus Cristo (Mt 11.27). A segunda afirmação de Jesus é que Deus é revelado somente aos pequeninos (Mt 11.25 e 26). (p 132)

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Passemos agora das duas afirmações que Jesus fez para os dois convites que ele formalizou e continua a formalizar hoje. Aqui está o primeiro: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso” (Mt 11.28). Esse convite é endereçado a todos os seres humanos, incluindo nós. (p 134)

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Se o primeiro convite de Jesus é que “venhamos” até ele, o segundo é: “Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11.29,30). (p 140)

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A vida cristã não é simplesmente tomar o jugo e desfrutar do “descanso”. Não; quando vamos a Jesus, uma maravilhosa mudança acontece. Primeiro ele alivia o nosso jugo e então encaixa o seu sobre os nossos ombros. Primeiro ele retira o nosso fardo e então coloca o seu sobre nós. (p 140)

 

• Trechos de Por Que Sou Cristão, de John Stott.

Um cristianismo que perdeu sua dimensão perdeu o sal e, não somente é insípido em si mesmo, mas inútil para o mundo

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Que tal ler o livro A Missão Cristã no Mundo Moderno, de John Stott, em apenas 5 minutos? A jornalista, missionária e leitora Tábata Mori topou o desafio e selecionou os trechos que mais sintetizam o conteúdo da publicação. Confira.

 

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A Missão Cristã no Mundo Moderno

A palavra missão não pode ser usada apropriadamente para cobrir tudo o que Deus está fazendo no mundo. No que diz respeito à providência e à graça comum, ele realmente está ativo em todos os homens e em todas as sociedades, quer eles reconheçam isso ou não. Mas esta não é sua ‘missão’. ‘Missão’ diz respeito ao seu povo redimido e o que Deus o manda fazer no mundo.
(p.22)

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Um cristianismo que perdeu sua dimensão perdeu o sal e, não somente é insípido em si mesmo, mas inútil para o mundo.
(The Uppsalla 68 Report. WCC, Genebra, 1968. P. 317-318. Editado por Norman Goodall, in Stott, p. 24)

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Quando qualquer comunidade se deteriora, a falha deve ser atribuída a quem de direito: não à comunidade que está indo mal, mas à igreja que está falhando em sua responsabilidade de, como sal, pôr fim à deterioração. E o sal só será efetivo se permear a sociedade, se os cristãos se atentarem novamente para a vasta diversidade dos chamados divinos, e se muitos penetrarem profundamente na sociedade secular para lá servir a Cristo.
(p. 37)

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… se a igreja local é ‘enviada’ à sua área como o Pai enviou o filho ao mundo, sua missão de servir é mais ampla do que o evangelismo.
(p. 38)

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A missão primordial é a de Deus, pois foi ele quem mandou seus profetas, seu Filho, seu Espírito… (p. 25) E ‘Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio’ (Jo 20.21) … Jesus fez de sua missão um modelo para a nossa… Portanto, nossa compreensão da missão da igreja deve ser deduzida da nossa compreensão da missão do Filho.
(p. 27)

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Jesus entregou-se a si mesmo em um serviço abnegado pelos outros e seu serviço teve uma ampla variedade de formas segundo as necessidades dos homens. Certamente ele pregou, proclamando as boas novas do reino de Deus e ensinando sobre a vinda e a natureza do reino, como entrar nele e como este reino seria espalhado. Porém, ele serviu por meio de obras, assim como por palavras, e seria impossível, no ministério de Jesus, separar suas obras de suas palavras. Ele alimentou bocas famintas, lavou pés sujos, curou os enfermos, confortou os abatidos e até ressuscitou os mortos.
(p. 28)

’Essa nova realidade (ou seja, o advento do reino) coloca os homens em posição de crise – eles não podem continuar a viver como se nada tivesse acontecido; o reino de Deus demanda uma nova mentalidade; uma reorientação de todos os seus valores; arrependimento.’
(René Padilla, em Stott, p. 65)

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O diálogo de um cristão com outra pessoa não significa negação da supremacia de Cristo, nem qualquer perda de seu próprio compromisso com Cristo; significa que uma abordagem genuinamente cristã deve ser humana, pessoal, relevante e humilde. No diálogo, compartilhamos nossa humanidade comum, sua dignidade e decadência, e expressamos nosso interesse comum por essa humanidade.
(Uppsalla, RelatórJS_12_07_16_Missao_Moderna_capaio 2, parágrafo 6, em Stott, p. 87)

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[O diálogo] é o contexto verdadeiramente humano e cristão dentro do qual o testemunho evangelístico deve ser dado.
(p. 99)

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Os cristãos devem persistir no convite sincero ao diálogo verdadeiro; eles devem exercitar a paciência ilimitada e recusar se sentirem desanimados. E a essência de todo o seu convite deve ser ‘considere Jesus’ […]. Não temos outra mensagem […]. Não é que os muçulmanos viram Jesus de Nazaré e o rejeitaram; eles nunca o viram, é o véu da distorção e do preconceito ainda está sobre suas faces.
(Christian Faith and other faiths. Oxford University Press, 1961, p. 65-66, 69, em Stott, p. 96)

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… A missão urbana ‘não é um assunto periférico para os cristãos’; é ‘uma das prioridades atuais do trabalho de Deus’. […] ‘A separação entre a Igreja e o mundo, especialmente o mundo da indústria e do trabalho manual, é historicamente ampla e contemporaneamente maciça.’ O que pode ser feito?
(Built as a city. Hodder & Stoughton, 1974, p. 16 e 254, em Sott, p. 96-97)

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Os cristãos devem se importar o bastante para dar prioridade em sua agenda ‘para se juntarem a outras pessoas na comunidade’, e juntos identificar e então tentar resolver alguns dos importantes problemas sociais de sua própria localidade.
(Built as a city. Hodder & Stoughton, 1974, p. 58, em Sott, p. 97)

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A menos que sejamos verdadeiramente libertos de uma dominadora conformidade com a tradição, com a convenção e com o materialismo burguês da cultura secular, a menos que nosso discipulado seja radical o bastante para nos fazer criteriosos com respeito às atitudes estabelecidas e indignados com todas as formas de opressão, e a menos que agora sejamos devotos a Cristo, à igreja e à sociedade de forma livre e abnegada, dificilmente poderemos alegar sermos salvos, ou até mesmo estarmos no processo de sermos salvos. Salvação e reino de Deus são sinônimos (Mc 10.23-27), e no reino a autoridade de Jesus é absoluta.
(p. 128)

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Pois o sincretismo declara que nenhuma religião tem finalidade, enquanto o universalismo afirma que nenhum homem está perdido… Se fosse verdade que todo homem está salvo, então a única função deixada ao ‘evangelismo’ seria informar ao ignorante sobre essas boas novas, e ‘conversão’ deixaria de indicar qualquer mudança, exceto na consciência do homem sobre sua verdadeira identidade.
(p. 134)

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É nossa tarefa solene afirmar que aqueles para quem nunca anunciamos o evangelho e dirigimos nosso apelo estão ‘perecendo’. Nós proclamamos a eles as boas novas de Jesus não porque eles já são salvos, para que sejam salvos e não pereçam.
(p. 135)

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A terceira diferença entre regeneração e conversão é que a primeira é um trabalho instantâneo e completo de Deus, ao passo que a virada de arrependimento e fé que chamamos ‘conversão’ é mais um processo que um evento […] o nascimento é uma obra completa. Uma vez nascidos, nunca estaremos mais nascidos do que no momento em que saímos do ventre. É o mesmo com o novo nascimento. Citando John Owen novamente, a regeneração

‘não é suscetível a graus, de tal forma que um seja mais regenerado que o outro… Os homens podem ser mais ou menos santos, mais ou menos santificados; mas não podem ser mais ou menos regenerados”
(p. 138)

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A conversão como um fenômeno encontra seu lugar em outras religiões. Isso se o que se deseja é apenas uma mudança de devoção. “Porém, se os cristãos acrescentarão que existem dimensões singulares à experiência de conversão cristã, já que nela, Deus, que por meio do seu Espírito regenera a pessoa interessada e ‘o objeto do sentimento religioso’, não é outro senão o Senhor Jesus Cristo.”
(p. 140-141)

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Temos a obrigação de ensinar que uma nova vida em Cristo inevitavelmente trará novas atitudes, novas ambições e novos padrões. Pois na conversão cristã não somente as coisas antigas passam, mas em seu lugar coisas novas chegam (2 Co 5.17).
(p. 141)

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Nós também precisamos comunicar em termos realistas e concretos as implicações contemporâneas do arrependimento, da conversão e do senhorio de Jesus Cristo.
(p. 142)

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A necessidade de incorporação à igreja por meio do batismo foi reconhecida claramente em Bancoc: ‘A conversão cristã […] insere as pessoas na comunidade cristã […]. A conversão cristã reúne as pessoas em uma comunidade adoradora, a comunidade doutrinária e a comunidade de serviço para todos os homens.
(Bangkok Assembly, 1973, p. 16, em Stott, p. 145)

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… um convertido a Jesus Cristo vive no mundo tanto quanto na igreja, e tem responsabilidades com o mundo tanto quanto com a igreja […]. A conversão não deve tirar o convertido do mundo. Em vez disso, deve enviá-lo de volta a ele, a mesma pessoa no mesmo mundo, e, ainda assim, uma nova pessoa com novas convicções e novos padrões. Se a primeira ordem de Jesus foi ‘venha’, sua segunda foi ‘vá’…
(p. 145)

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… conversão não é renúncia automática de toda nossa herança cultural.
(p. 147)

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A cultura é ambivalente porque o próprio homem é ambivalente. Como o Pacto de Lausanne expressa: ‘Porque o homem é criatura de Deus, parte de sua cultura é rica em beleza e bondade; porque ele experimenta a queda, toda a sua cultura está manchada pelo pecado, e parte dela é demoníaca” (parágrafo 10). Dessa forma, ‘a cultura deve sempre ser julgada e provada pelas Escrituras’ e nós precisamos discerni-la e avaliá-la.
(p. 149)

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Devemos recusar a tentativa de forçar pessoas a entrar no reino de Deus. Tal tentativa é um insulto à dignidade dos seres humanos e uma usurpação pecaminosa das prerrogativas do Espírito Santo.
(p. 151)

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Usar o Espírito Santo para justificar nossa preguiça é mais blasfêmia do que piedade.
(p. 153)

 

Trechos de A Missão Cristã no Mundo Moderno, de John Stott, selecionados por Tábata Mori.

• Tábata Mori é jornalista e missionária da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB).