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27 de julho de 2011, 3h15 da madrugada. Há exatos cinco anos falecia em Londres, Inglaterra, o teólogo evangélico John Robert Walmsley Stott

 

27 de julho de 2011, 3h15 da madrugada. Há exatos cinco anos falecia em Londres, Inglaterra, o teólogo evangélico John Robert Walmsley Stott. Na época, a notícia gerou centenas de reações espontâneas em todo o mundo, inclusive, no Brasil.

Stott foi um líder exemplar. Teve uma importância dentro da Igreja Anglicana na Inglaterra, mas também na Igreja Global. Publicou mais de quarenta livros sobre a fé cristã em uma linguagem clara, didática, equilibrada e profunda. Ao mesmo tempo, um aspecto evidente no caráter de Stott era sua simplicidade. Em seu último livro, O Discípulo Radical, Stott destaca oito características de um verdadeiro discípulo de Jesus. A simplicidade é uma delas.

Durante todo o mês de julho, temos publicado conteúdo sobre a vida e a obra de Stott. Nosso objetivo não é torná-lo um “deus” ou coisa parecida, mas tão somente resgatar a riqueza da sua contribuição para a Igreja de Cristo. Suas virtudes como cristão podem nos lembrar valores por vezes ignorados por uma igreja infelizmente superficial, fragmentada e arrogante.

 

A seguir você pode ler a última palavra do último livro de John Stott. O tom desta “carta de despedida” indica um tipo de testamento espiritual precioso para todos os leitores.

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Pós-escrito: Adeus!

Ao baixar minha caneta pela última vez (literalmente, pois confesso não usar computador), aos 88 anos, aventuro-me a enviar essa mensagem de despedida aos meus leitores. Sou grato pelo encorajamento, pois muitos de vocês me escreveram. É claro que, ao olhar para frente, nenhum de nós sabe qual será o futuro das impressões e publicações. Porém, estou confiante de que o futuro dos livros está assegurado e de que, apesar de serem complementados, eles nunca serão totalmente substituídos. Pois há algo singular a respeito deles. Nossos livros favoritos se tornam preciosos para nós e até desenvolvemos com eles um relacionamento quase intenso e afetuoso. Não é estranho o fato de manusearmos, riscarmos e até cheirarmos os livros como símbolo de nossa estima e afeição? Não me refiro apenas ao sentimento de um autor pelo que escreveu, mas também a todos os leitores e suas bibliotecas. Determinei que não citaria um livro a menos que o tenha manuseado anteriormente. Assim, deixe-me encorajá-lo a continuar lendo e a incentivar seus parentes e amigos a fazer o mesmo. Pois esse é um meio de graça muito negligenciado.

Existem milhões de irmãs e irmãos em Cristo ao redor do mundo que amariam ter livros para ler a fim de ajudá-los a crescer em seu discipulado. Ainda assim, eles quase não os têm; enquanto nós, no Ocidente, temos mais do que podemos ler. Essa é a razão pela qual cedi os direitos autorais de todos os livros de minha autoria ao trabalho da Langham Literature: para permitir que mais cristãos e seus pastores nas partes mais pobres do mundo obtenham bons livros cristãos tanto em inglês quanto em suas próprias línguas e assim se fortaleçam em sua fé e pregação. Quem sabe eu o encoraje a considerar esse e outros ministérios da Langham Partnership, os quais são preciosos para mim e dignos de seu interesse e suporte.

Os leitores talvez queiram saber que indiquei em meu testamento um grupo de agentes literários liderados por Frank Entwistle, que está atenciosamente disposto a lidar com quaisquer questões que possam surgir em relação aos meus livros. Um exemplar de cada livro, juntamente com um exemplar de contribuições a outros livros e todos os meus artigos, serão mantidos sob os cuidados da Biblioteca Lambeth Palace, com o generoso consentimento de Richard Palmer, bibliotecário e arquivista, que cordialmente se ofereceu para deixá-los disponíveis a pesquisadores. O endereço do meu escritório continuará a ser 12 Weymouth Street, Londres W1 W 5BY e será supervisionado por Frances Whitehead, a inimitável e incansável.

Mais uma vez, adeus!


– Texto retirado do livro O Discípulo Radical, de John Stott.

 

  • John Stott foi pastor emérito da All Souls Church, em Londres, e fundador do London Institute for Contemporary Christianity. Foi indicado pela revista Time como uma das cem personalidades mais influentes do mundo.
  1. O legado de Stott é que a cristandade não se pareces com o Cristo que vem pregando.
    Simples, assim.
    O que fizemos com o “…Habite ricamente em vós a Palavra de Cristo…” (Filipenses) ?
    A misturamos no caldeirão das novidades religiosas que nos afastam do únivo e autêntico discipulador, não manipulador.

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