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Comprometimento sem reflexão é fanatismo em ação; reflexão sem comprometimento é a paralisia de toda ação

 

O livro que marcou a mudança de paradigma entre universitários evangélicos é também uma afirmação profunda: “crer é também pensar”. Nossa equipe selecionou trechos preciosos da publicação e nos ajuda a fazer uma leitura dinâmica e proveitosa dele.

 

 

Até que ponto devemos apelar para a razão das pessoas ao apresentarmos o evangelho? Será que a “fé” envolve algo completamente irracional? Será que o senso comum tem alguma função na orientação cristã?

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Comprometimento sem reflexão é fanatismo em ação; reflexão sem comprometimento é a paralisia de toda ação.

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Não estou defendendo um cristianismo acadêmico, frio e inexpressivo, mas uma devo­ção fervorosa, inflamada pela verdade.

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Três ênfases — de muitos católicos no ritual, de radicais na ação social e de pentecostais na experiência — são todas, de alguma forma, sintomas do mesmo mal do anti-intelectualis­mo. Elas são rotas de fuga para evitar a nossa responsabilidade dada por Deus de usar a mente de forma cristã.

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O mundo moderno produz pessoas pragmáticas para as quais a primeira pergunta sobre qualquer questão não é “isso é verdade?”, e sim “isso funciona?”.

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Boa parte do mundo hoje é dominada por ideologias que, se não forem totalmente falsas, são estranhas ao evangelho de Cristo. […] “As armas com as quais lutamos não são humanas; ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo”. Essa é uma batalha de ideias; a verdade de Deus se sobrepondo às mentiras dos homens. Acreditamos no poder da verdade?

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Deus fez o homem à própria imagem, e uma das mais nobres características de semelhança divina é a capacidade do homem de pensar. […] e de se comportar diferentemente: “Não sejam como o cavalo ou o burro, que não têm entendimen­to”.

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O pecado tem efeitos mais pe­rigosos em nossa capacidade de sentir do que na de pensar, pois nossas opiniões são mais facilmente examinadas e or­ganizadas pela verdade revelada do que nossas experiências.

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Jesus acusou as multidões incrédulas: “Por que vocês não julgam por si mesmos o que é certo?” — perguntou a eles. Em outras palavras, por que vocês não usam o cérebro de vocês? Por que não aplicam às questões morais e espirituais o senso comum que usam nas questões físicas?

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A revelação é uma revelação racional para criaturas racionais. Nosso dever é receber a mensagem, nos submeter a ela, buscar entendê-la e relacioná-la com o mundo no qual vivemos.

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A proclamação do evangelho — novamente manifesta em palavras dirigidas à mente — é a forma principal como Deus resolveu trazer salvação aos pecadores. Paulo coloca desse modo: visto que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por meio da sabedoria humana, agradou a Deus salvar aqueles que creem por meio da loucura da pregação.

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Uma “mente cristã” é descrita por Harry Blamires como uma “mente treinada, informada, equipada para lidar com informações de controvérsia secular utilizando um modelo de referência baseado em pressuposições cristãs”.
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Tendo Deus nos feito seres racionais, devemos negar a humanidade que nos deu? Se falou conosco, devemos deixar de ouvir as palavras dele? Ele renovou nossas mentes em Cristo; devemos deixar de pensar com a mente? Deus nos julgará pela Palavra, devemos deixar de ser sábios e não construir nossa casa sobre a rocha?

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No Antigo Testamento Deus reclamou que o povo estava se comportando como “crianças tolas” que não “tinham entendimento” e declarou que eles estavam sendo “destruídos por falta de conhecimento”.

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A repetição das palavras conhecimento, sabedoria, discerni­mento e entendimento realmente é curiosa. Não há dúvida de que o apóstolo (Paulo) as considerava como o próprio fundamento da vida cristã.

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Seis aspectos da vida cristã que se tornam impossíveis sem o uso apropriado da mente:

Adoração. A única adoração aceitável para Deus era a adoração inteligente, adoração “em verdade”, adoração oferecida por aqueles que sabem quem estão adorando e que o amam “com todo o entendimento”.

Fé. Fé não é credulidade. Fé não é otimismo. A verdadeira fé é essencialmente racional, pois ela confia nas promessas e no caráter de Deus. Um cristão que crê é alguém cuja mente reflete e descansa nessas certezas. […] A fé e o raciocínio andam juntos, e crer é impossível sem pensar.

Santidade. Um conhecimento claro da vontade de Deus é o primeiro segredo para uma vida reta. No entanto, não é suficiente sabermos o que devemos ser. […] As Escrituras nos chamam para uma disciplina mental a esse respeito. […] “Quem vive segundo a carne tem a mente voltada para o que a carne deseja; mas, quem vive de acordo com o Espírito, tem a mente voltada para o que o Espírito deseja. A mentalidade da carne é morte, mas a mentalidade do Espírito é vida e paz”.

A orientação do cristão. Apesar das promessas de Deus de nos guiar, não devemos esperar que ele o faça da mesma forma como nós guiamos cavalos e mulas. Ele não usará freios nem rédeas conosco. […] É pelo nosso entendimento, esclarecido pela Bíblia, pela oração e pelo conselho de amigos que Deus vai nos levar ao conhecimento da vontade particular dele para nós.

Evangelismo. “A fé vem por se ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo”. O argumento do apóstolo diz que deve existir um conteú­do sólido em nossa proclamação evangelística de Jesus.

Paulo resume o ministério evangelístico de forma simples: “Pro­curamos persuadir os homens”. “Persuadir” é um exercí­cio intelectual. A segunda evidência no Novo Testamento de que nosso evangelismo deveria ser apresentado de forma racional é que a conversão é frequentemente descrita em termos de uma resposta da pessoa, não ao próprio Cristo, mas “à verdade”. Tornar-se um cristão é “crer na verdade”, “obedecer à ver­dade”, “reconhecer a verdade”.

O ministério e os dons. Todos os dons espirituais (e existem muitos) tencionam algum tipo de ministério. Eles são dados para serem usados “para o bem comum”. O propósito é edificar a igreja — o corpo de Cristo — para que ela cresça até a maturidade.

 

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Deus nunca quis que o conhecimento fosse um fim em si mesmo, mas sempre o meio para outra finalidade.

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Em primeiro lugar, o conhecimento deve levar à adoração. […] Quanto mais conhecemos a Deus, mais devemos amá-lo.

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Em segundo lugar, o conhecimento deve levar à fé. […] “Os que conhecem o teu nome confiam em ti”, escreveu o salmista.
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Em terceiro lugar, o conhecimento deve levar à santidade. Quanto mais nosso conhecimento cresce, maior é a nossa responsabilidade de pô-lo em prática. O Salmo 119 é cheio de aspirações por se conhecer a Lei de Deus. Por quê? Para melhor obedecer-lhe: “Dá-me entendimento, para que eu guarde a tua Lei e a ela obedeça de coração”.

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Em quarto lugar, o conhecimento deve levar ao amor. Quanto mais conhecemos, mais queremos compartilhar o que sabemos com outros e usar nosso conhecimento no serviço, seja no evangelismo ou no ministério.

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Tanto a decisão da mente de entender quanto a humilhação perante Deus são indicativos da fome do homem pela verdade divina. Tal fome certamente será satisfeita, pois Deus prometeu que quem busca com since­ridade encontrará.
• Trechos retirados do livro Crer É Também Pensar

 

 

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