Dandelion Flowers | Freeimages

Dan Lam nasceu e cresceu em um lar cristão em Hong Kong. Seu pai morreu quando ele era menino e sua mãe criou a família sozinha. Ela era uma mulher boa e piedosa. Aos domingos, apesar de serem pobres, ela dava algum dinheiro a cada um dos filhos para eles darem de oferta. No entanto, Dan pegava sua parte, saía sorrateiramente da igreja, alugava uma bicicleta e andava pela cidade inteira. Quando o culto terminava, ele aparecia e voltava para casa com a família. De acordo com um de seus ex-colegas de classe, ele era “uma criança muito difícil”.

Na adolescência, ele ficou tão doente que quase morreu. Foi então que entendeu que Deus queria o seu “bem, não o seu mal”, e submeteu a vida ao Senhor Jesus Cristo. Ele nunca olhou para trás. Foi uma mudança radical em sua vida, para a surpresa e o alívio da família.

Quando chegou a hora de trabalhar, ele foi empregado pela Corporação Bechtel, uma multinacional dedicada à engenharia pesada. Em momentos diferentes, eles se envolveram na construção de aeroportos e portos, no suporte às vítimas de furacões, na construção do “Chunnel” (o Eurotúnel que liga a Inglaterra à França) e no BART, o sistema de trânsito que cobre a baía de São Francisco. Dan não se envolveu pessoalmente com todos esses projetos, mas chegou a ser responsável por centenas de empregados.

Em 1976, a companhia o transferiu com a família para a Arábia Saudita e, em 1978, para Londres. Foi quando me encontrei com ele e sua esposa, Grace, pela primeira vez, pois se filiaram à Igreja All Souls, Langham Place, da qual eu era reitor. E éramos membros do mesmo grupo de comunhão.

Dan tinha muita preocupação com os pobres e necessitados e era generoso com a família e com a igreja, apesar de seu estilo de vida moderado. Porém, ele estava começando a sentir a pressão dos negócios. Foi nessa época que aconteceu a Consulta Sobre Estilo de Vida Simples. E os desafios surgiram. Apesar de sempre entregar o dízimo do salário, Dan entendeu que deveria simplificar ainda mais seu estilo de vida. Em visita à Índia, ele viu a verdadeira pobreza e observou que uma porcentagem muito elevada dos fundos da missão era gasta com despesas gerais. Ele resolveu não acumular riqueza, mas ofertá-la.

Em 1981, pediu demissão da Bechtel. Não que se sentisse incapaz de servir a Deus em uma corporação multinacional, pois Jesus Cristo era o Senhor de toda a vida. A questão é que ele se sentia especificamente chamado para os países do sudeste da Ásia, à qual ele próprio pertencia: Tailândia, Laos e Camboja, juntamente com Mianmar e Mongólia. Ele compreendeu e aplicou os princípios nativos na missão. Ele cria firmemente no ensino e no treinamento de asiáticos para ganhar asiáticos e prepará-los para missões. Ele ficou motivado ao saber que a maioria da população do mundo vive na Ásia. Além do mais, é muito mais econômico e eficiente para os nacionais asiáticos ganharem asiáticos, já que eles não têm problemas com a cultura, o idioma, a alimentação e as restrições de viagens.

Dan começou a primeira Escola Bíblica da Mongólia; e a Escola Bíblica em Phnom Penh (Camboja) foi registrada em seu nome, apesar de atualmente se chamar Phnom Penh Bible School. As expectativas em torno desse crescimento significativo eram altas. Porém, elas não durariam muito.

Dan foi subitamente tirado da liderança. Em 22 de março de 1994, envolveu-se em um acidente aéreo fatal. Ele estava voando em um Airbus russo (Aeroflot, voo 593 de Moscou

para Hong Kong) que bateu em uma montanha. Os 75 passageiros e a tripulação morreram. O acidente aconteceu porque o filho de um dos pilotos estava na cabine brincando com os controles.

Grace, viúva de Dan, e os dois filhos pequenos (Wei Wei e Justin) ficaram devastados. Porém, a obra do Senhor continuou.

Providencialmente, a irmã mais velha de Dan, Winnie, e o marido, Joseph, estavam em condições de assumir. Eles haviam viajado para os campos da missão na qual Dan trabalhava e conheciam pessoalmente os líderes asiáticos com os quais ele cooperava. E Dan havia estabelecido duas bases — uma privada, que ele começou com fundos próprios, e uma entidade pública de caridade chamada Country Network. Por meio dessas fundações, o trabalho singular do qual ele havia sido pioneiro pôde continuar.

E o legado de Dan continuará na Ásia por meio dos cristãos que ele influenciou, e tudo por causa do estilo de vida simples adotado por ele. “O seminário sobre estilo de vida simples”, disse-me Grace em uma carta, “mudou a todos nós”.

*Trecho do livro O Discípulo Radical, de John Stott (p.53 – 56).

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