JS_29_01_14_AdorandoMuitas vezes é dito que a principal responsabilidade da igreja é o evangelismo. No entanto, não é, por pelo menos três motivos. Primeiro, o evangelismo fica na área da nossa responsabilidade para com o próximo, enquanto a adoração é nossa responsabilidade para com Deus, e nossa responsabilidade para com Deus deve ter precedência sobre nossa responsabilidade para com o próximo.

Em segundo lugar, embora se espere que todos nós compartilhemos o evangelho com os outros sempre que uma oportunidade se apresente, o evangelismo é também um dom espiritual ou “charisma” (Ef 4.11) que é dado apenas a alguns. Assim, nem todos os cristãos são evangelistas, mas todos os cristãos são adoradores, tanto em particular como em público.

Em terceiro lugar, o evangelismo é uma atividade temporária que cessará quanto o Senhor Jesus vier para consumar seu reino. Mas nossa adoração continuará por toda a eternidade. Sendo assim, ou seja, se a adoração é a responsabilidade mais importante da igreja, certamente precisamos dar a ela nossa atenção mais diligente.

O que, no entanto, é adoração? Claro que toda a nossa vida é adoração, servir a Deus com todo nosso ser. Mas como a definiríamos? Talvez a melhor definição bíblica encontre-se no Salmo 105.3. Adorar é gloriar-se “no seu [de Deus] santo nome”. O nome de Deus é seu caráter revelado. Ele é santo porque é sem igual, distinto e superior a todos os outros nomes.

Depois que obtemos um lampejo da santidade do grande nome de Deus, vemos como é justo nos gloriar ou exultar nele. De fato, devemos nos juntar a todas as criaturas em declarar que ele é digno de nosso louvor porque ele é tanto nosso Criador como nosso Redentor (Ap 5.9-14). Por ser Deus quem é, é justo que nos prostremos “diante do estrado dos seus pés” (Sl 99.5).

• Trecho do capítulo 2 do livro A Igreja Autêntica,  de John Stott.