juntosNós que nos chamamos cristãos evangélicos afirmamos, com este epíteto, que somos o povo do evangelho e que não abrimos mão do autêntico evangelho cristão. É uma reivindicação ousada, e às vezes certas pessoas se ressentem com isso. A fim de mantê-la, temos necessidade de constantemente voltar às Escrituras, pois é somente nelas que a definição normativa do evangelho pode ser achada. Devemos confessar que muitas das nossas formulações as boas novas são defeituosas, quando medidas por este padrão. Proclamamos que Cristo morreu por nós “a fim de remir-nos de toda iniquidades” mais do que para “purificar para si mesmo um povo exclusivamente seu” (Tt 2.14). Pensando em nós mesmo mais como cristãos do que como homens da igreja, e nossa mensagem é mais boas novas de uma nova vida do que de uma nova sociedade.

Ninguém pode chegar ao fim de uma cuidadosa leitura da carta de Paulo aos Efésios com um evangelho privatizado, porque Efésios é o evangelho da igreja. Expõe o propósito eterno de Deus em criar, através de Jesus Cristo, uma nova sociedade que se destaca num brilhante relevo contra o pano de fundo sombrio do velho mundo. A nova sociedade de Deus é, pois, caracterizada pela vida em lugar da morte, pela união e pela reconciliação em lugar da divisão e da alienação, pelos padrões sadios da justiça em lugar da corrupção e da iniquidade, pelo amor e pela paz em lugar do ódio e da contenda,e pelo conflito sem trégua com o mal em lugar de uma convivência pacifica com ele.

Esta visão de uma comunidade humana renovada me comove profundamente. Ao mesmo tempo, as realidades de desamor e de pecado em muitas igrejas contemporâneas são de provocar lágrimas, pois desonram a Cristo, contradizem a natureza da igreja, e privam o testemunho cristão da sua integridade. Mesmo assim, um número cada vez maior de cristãos está procurando a renovação radical da igreja.

É da mais alta importância que a igreja seja de fato a nova sociedade de Deus, e que seja vista como tal, para a glória de Deus e a evangelização do mundo. Efésio nos dá um estímulo forte em direção ao comprimento desta visão.

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John Stott

Trecho da apresentação ao livro A Mensagem de Efésios, da ABU Editora.