O que se segue é a minha reflexão sobre o caso da “Cruz de Espinal” e, particularmente, da tremenda confusão hermenêutica e teológica que ela se mostrou para muitos cristãos brasileiros. É também uma advertência ao progressismo evangélico, tendo em vista suas condições de sobrevivência para o futuro.

O EVANGELHO DA CRUZ E O EVANGELHO DA VÍTIMA

Quem adoramos quando contemplamos a cruz? Para os Cristãos, o Deus-Homem, ali crucificado, ali vitorioso sobre o mal e salvador do mundo, ali reconciliador do homem com Deus. Não adoramos “a cruz”; a cruz é instrumento de tortura, o símbolo do poder Imperial, o símbolo da potência criada por Cristo, mas dele desviada por Satanás. Não adoramos meramente “o crucificado”, como se sua história houvesse se encerrado ali, no gólgota, mas aquele que foi crucificado e hoje é ressurreto, e vive para sempre, e nós, Nele. Mas podemos sim, dizer que adoramos o nosso Deus, o Deus que, no homem-cordeiro, foi crucificado, o logos que se humilhou, e que anunciamos a Cristo, e a este crucificado.

Adoramos a vítima? Sim… e não. Sim, porque Jesus foi vítima do poder imperial; não, porque ser vítima não é, em si, mérito. Poderia o homem ser justificado pela vitimização? Não; jamais. A vítima deve ser pura, reta; deve ser sem mácula. É a justiça da vítima que justifica, não a vitimização. A vitimização é o crime, é a violência contra Deus e o seu universo. Que justiça pode vir da pura vitimização? Mais >