nmb

 

No último mês de agosto ocorreu no acampamento Jovens da Verdade, em Arujá (SP), a décima edição do “Nossa Música Brasileira” (NMB), um encontro que contemplou não apenas a linguagem musical, mas também o teatro, a poesia, a fotografia e a pintura. Tendo participado de diversas edições anteriores, acompanho com expectativa e alegria cada novo encontro. Quero falar neste espaço da importância do evento para a música brasileira, em primeiro lugar, e para a música cristã

João Alexandre canta no NMB. Foto: David Vieira

João Alexandre canta no NMB. Foto: David Vieira

brasileira em particular. Desejo apontar aqui seis razões pelas quais considero, esse evento, da mais alta importância para a igreja brasileira.

 

1. Uma comunidade de artistas e amantes da arte

O NMB tem a capacidade de criar uma comunidade viva de artistas e apreciadores da arte vindos de várias partes do Brasil, com representantes do Sudeste, Sul, Norte, Nordeste e Centro-oeste do país. Esses artistas e amantes da arte se conhecem, criam vínculo, trocam experiências e repartem seus dons e talentos. A arte cristã nasce assim, da experiência e da vida em comunidade, do coletivo de nossas existências. Dessa maneira o NMB tem provado que a arte cristã não nasce da genialidade de um artista solitário trancafiado em sua torre, mas do povo que tem coração aberto, mente sensível e mãos dispostas a escrever novos acordes, novos poemas.

 

2. Um espaço para reflexão estética e teológica

O NMB também tem se configurado como um evento que produz reflexão crítica e profunda sobre a fé cristã e o seu vínculo com a arte, a cultura e a sociedade humana. Já houve edições em que foi possível refletir sobre a imaginação e a fé cristã, a arte cristã e o mundo moderno (e também pós-moderno), arte e teologia, música cristã contemporânea e cultura de massa, música cristã e cultura gospel, e a história da música evangélica no Brasil. Temos tido sempre a colaboração de teólogos, missionários, pastores e mestres que tomam a dianteira na tarefa de pensar a música e a cultura brasileira a partir da graça tão bela trazida pelo evangelho.

 

3. Um chão fecundo para a criatividade

Teatro: Rafael Damata. Foto: Cris Tozzi.

Teatro: Rafael Damata. Foto: Cris Tozzi.

O NMB tem se constituído como lugar para o exercício da criatividade e como celeiro de inspiração para novos projetos artísticos e culturais, novas ideias para novas canções. Posso dizer que, no meu caso, o CD “Mil Caminhadas” nasceu ali, numa conversa entre amigos. Sem os desafios dos amigos, sem o chamado para criar, certamente não haveria como seguir adiante. Ali pude apresentar pela primeira vez canções como “Pasárgada”, “Alhambra”, “O Cartola Falou” e muitas outras que nasceram de projetos começados ou partilhados ali. A partir dos encontros do NMB, muitas novas parcerias surgiram e estão surgindo, ligando o Brasil de Norte a Sul. Um traz um verso, outro a melodia, um terceiro escreve uma estrofe e mais um outro parceiro escreve o coro.

 

4. Uma experiência de comunhão e de convivência com o diferente

O NMB também tem oportunizado a superação das diferenças denominacionais e a experiência de uma dimensão mais ecumênica da nossa fé cristã, sem que as pessoas tenham de abrir mão de suas convicções teológicas ou mesmo debatê-las. O que importa ali é a troca de sensibilidades, o aprendizado mútuo, a aceitação do outro na sua peculiaridade, na sua singularidade. Presbiterianos, batistas, congregacionais, metodistas, anglicanos, cristãos de tradições diferentes, porém unidos no desejo de fazer arte para a glória do Senhor.

 

Arte visual: Marcelo Bittencourt; Foto: Cris Tozzi de Deus

Arte visual: Marcelo Bittencourt; Foto: Cris Tozzi de Deus

5. Um lugar para se plantar música do Brasil

O NMB é também importante como chamamento para a riqueza da cultura brasileira e para o desafio do diálogo com o nosso povo. Isso não torna o movimento da música cri

stã contemporânea fechado em termos de gênero musical ou estilo, pelo contrário. O NMB não quer fazer MPB em seu sentido restrito e limitado, mas música que leve em conta a peculiaridade de nossa cultura brasileira, as diferenças regionais, a diversidade de estilos, sotaques, ritmos, a mescla e o diálogo com gêneros musicais produzidos em outros países, como a música folk americana, os hinos evangélicos tradicionais, o blues e até mesmo o rock. Afinal, mesmo sendo rock, é o nosso rock, o nosso jeito de tocar guitarra e soltar a voz, a nossa realidade sendo exposta e problematizada através da música.

 

 

6. Um celeiro para o surgimento de novos talentos

O NMB tem revelado inúmeros talentos ao longo de sua história. Nesta última edição, por exemplo, foi gratificante conhecer o jovem violonista Manoel Lopes, que veio sozinho de São Luís do Maranhão e, sem avisar ninguém, encantou a todos e logo estava no palco compartilhando sua voz e sua arte. Rolando Boldrin cunhou a expressão “Vamos tirar o Brasil da gaveta” para apresentar ao público artistas que estavam até então escondidos pelos quatro cantos do Brasil. Em certo sentido, é isso também o que o NMB faz ao fazer conhecer gente jovem e às vezes nem tão jovem assim (!) que escreve, canta, desenha e dança o Brasil.

 

EM VÍDEO
Confira um resumo de como foi o Nossa Música Brasileira Nº 10: