tiago e gladir

Mais um fruto de uma parceria que promete. É uma canção de amor e um convite à dança. Tá certo, eu não sei dançar, pelo menos não na prática, mas a teoria eu sei muito bem. E daí, eu também nunca naveguei pelos sete mares. Mas calma, isso é poesia!

Veja a dança leve dos planetas

Em derredor de um sol dourado

Que não se cansa de rodopiar

Os ponteiros vivos do relógio

Indicando o compasso de um novo tempo

E o nosso passo em relação ao vento

Brilho de farol cruzando os sete mares

Aviso a todo navegante

No instante desta preamar

Vem comigo navegar em plena maré alta

É hora de bailar ao som da bela valsa

(Tiago Vianna & Gladir Cabral)

Estou aproveitando as férias para reler as aventuras de Nárnia (C.S. Lewis). Delicio-me com a profundidade do autor escondida por trás das afirmações aparentemente simples. No livro O Navio da Alvorada, há uma cena em que Lucy conversa com Aslan sobre a percepção do tempo. Aslan havia dito:

— Breve nos encontraremos novamente.

— Aslan, que chama de breve?

— Para mim, todo o tempo é breve — respondeu Aslan, desparecendo de repente e deixando Lúcia sozinha com o mágico. (C.S. Lewis, O Navio da Alvorada, p. 119)

Saiu finalmente a primeira parceria com Tiago Vianna! Custou, rapaz. Mas valeu a pena. Eis aí alguma coisa para começar.

É fim de tarde
As folhas dançam ao vento
E o pescador se distrai
E conserta as suas redes
Em silêncioE relembra as ondas e o barco
Noite em claro e ele tão longe do lar
Tempestade em mar aberto
Pensamento

As agulhas e as linhas
O olhar de quem já não mais sente nas mãos
A própria dor
O talho tão cruel

Fios soltos e rompidos
Logo reparados e cingidos assim
Com força e com vigor
E mais um carretel

Assim é Deus em seu amor
A corrigir e emendar
Nossas redes rotas, tão poucas,
E o coração infiel e teimoso

Assim é Deus em seu amor
A refazer e retomar
Laços tão humanos, tão frágeis
Num mundo cada vez mais perigoso

Logo tudo se renova
O horizonte anuncia:
O sol nascente brilha!
O vento já mudou
O pescador já voltou ao mar
E a longa praia a esperar
Alguém que logo irá voltar

(Tiago Vianna e Gladir Cabral)

Tenho ouvido ultimamente as canções do compositor, arranjador e poeta Silvestre Kuhlmann. Eis aqui uma de suas preciosidades.

Sem meias palavras,
Semeia a palavra,
Cultiva a boa semente;
Espalha por este solo da Terra
Poemas.

A pena, a peneira, a pepita,
Garimpa, lapida;
Descobre o tesouro,
Cava com a pá.

Provoca o vocabulário,
Bulindo no vocabulário;
Burla o sentido, faz o belo.
Elabora, labora.

Procura a cura no verso.
Emoção, reação adversa;
É perverso ver o mundo
Sem teu olhar, poeta.

Se te moves, poeta,
Comoves;
Poeta, não te acomodes
Nas cavernas da melancolia.

(Silvestre Kuhlmann)

Isso aconteceu no final de 2006. O tempo passa, mas ainda ressoa a beleza desta humana sinfonia.

Na última terça-feira (21/11), minha mãe Vanira, levantou mais cedo que de costume.

Sentou na cadeira da sala de jantar e puxou uma conversa leve e descompromissada com meu pai. Surpreso com sua presença inesperada, seu Jorge, o “preto” como era carinhosamente chamado por ela, esticou o bate-papo.

Minutos depois, ela reclamou de uma dor no peito e foi se deitar.Ele a acompanhou.

Ao lado da cama, a frase inesperada: “Preto, me perdoe. Me perdoe pelas palavras ásperas e pelas dores que lhe causei nesses anos juntos(quarenta e seis, pra ser mais exato).

“Eu é que te peço perdão!”, ele respondeu.

Foram as últimas palavras de minha mãe.

Naquele quarto apertado de uma casa pequena e simples perdida na periferia da grande cidade uma obra de rara beleza foi executada.O tema? A Sinfonia do Perdão.

Aqui nesse mundinho fétido, apenas dois seres que se amaram e que foram cúmplices e parceiros de vida ouviram-na em todaa sua exuberância.

No céu, míriades de anjos e Seu Grande Compositor testemunharam-na.

Minhas lágrimas apenas captaram o eco de seus últimos acordes e registraram-na em minha alma como a mais linda obra musical que eu ouvi em toda a minha vida.

por Jorge Camargo

Esta é outra canção concentrada e em estado puro de diamante de Roberto Diamanso. Todos que o conhecem sabem muito bem que certas canções destilam em sua alma gota a gota, palavra a palavra, letra a letra.

Eu tô de bem com meu Deus
Que te mandou um abraço;
Vem fazer uso do espaço
Lá do esquerdo do meu peito.

Aqui está a igreja;
Eu adoro olhando as imagens
Que cantam, dançam e pegam
Que eu até me peguei:
Como de mim são iguais?
Semelhantes são as tais
Com o Artesão que as fez.

Não há “primos inter pares”
O Primeiro entre os irmãos
Está à direita do Pai
E é tão bem vindo entre nós
Lembrado ao partir do pão
Fala aos que aqui estão
Ávidos para ouvir Sua voz.

(Canção de Roberto Diamanso)

Despedida

Se um dia você viajar pra Goiás
E passar a porteira dos campos gerais
Não se avexe e ande um pouco mais
E será bem-vindo em meus quintais
Com violas, cantorias.

E se um dia você for ao Sul do Brasil
E for tempo de inverno ou dia de frio,
Provará o nosso chimarrão,
Ouvirá, quem sabe, uma canção
E haverá entre nós comunhão.

Contaremos muitos causos,
Lendas do sertão,
Partiremos sobre a mesa
Frutos deste chão,
Levaremos na algibeira
A recordação de um tempo tão bom.

Se a distância um dia se estender entre nós
E deixar-nos mudos, pensativos e sós,
Os caminhos é que falarão
Dos amigos que sempre serão,
Pela fé, companheiros e irmãos.