8/31 | Vida de refugiado

refugiadosLeia: Mateus 2.13-18

 

Uma multidão abandona a cidade de Antakya, na Síria, e parte em direção a Turquia. É tempo de guerra. Mais de 300.000 pessoas arriscaram a travessia da fronteira e os perigos da viagem. Automóveis velhos carregando trouxas de roupas, malas, cadeiras, panelas, carroças levando famílias e seus poucos pertences. Entre eles, mulheres grávidas levando seus filhinhos, rostos tensos, voltados para o chão. Que triste cena!

José e Maria, fugindo de Belém e buscando refúgio no Egito, escapam por pouco de um massacre. As forças de Herodes se voltam contra as crianças de Belém. Os corações de José e Maria estão aflitos. Não conhecem a estrada, muito menos o que a vida lhes reserva além da fronteira, mas seguem adiante, confiados na orientação de Deus. Sabem que, ainda que o pior aconteça, Deus estará com eles.

José e Maria encarnam a angústia de todos os refugiados deste mundo, todos os que têm a vida a preço, caçados nas matas e desertos, vivendo no provisório das barracas e dos campos de refugiados, passando pelos olhares desconfiados dos guardas de fronteira e das pessoas que olham de soslaio das frestas e janelas das casas por onde passam. Deus tem um carinho todo especial pelos refugiados deste mundo, Seu Filho amado também foi um refugiado, um perseguido político, alvo da ira dos homens.

Há tantos refugiados de guerra por este mundo afora. Cada grito de dor, cada choro abafado é uma súplica que chega aos ouvidos de Deus. Que ele ouça esses gritos e console aqueles que têm que abandonar seus lares e aqueles que nem têm mais lar para abandonar. Amém.

Ouça e medite sobre esta canção de Félix Luna e Ariel Ramirez, intitulada “Peregrinação”. A canção retrata a dramática e tormentosa viagem de José e Maria levando o menino Jesus, “um Deus escondido”, ao Egito, fugindo de Herodes. http://www.youtube.com/watch?v=Mu8uuqxv_98

Se alguém achar interessante, eis aqui uma tradução possível:

Na estrada, na estrada, José e Maria,
Pelos pampas gelados, cardos e urtigas.
Na estrada, na estrada, cortanto campo
Sem abrigo nem pousadas, sigam andando.
Florzinha do campo, cravo do ar,
Se ninguém te abriga, aonde vais nascer?
Onde nasces, florzinha que estás crescendo?
Pombinha assustada, grilo que não dorme.
Na estrada, na estrada, José e Maria,
Com um Deus escondido… ninguém sabia!

Na estrada, na estrada, os peregrinos.
Me empresta uma tapera para o meu filho.
Na estrada, na estrada, sóis e luas,
Dois olhinhos de amêndoa, pele de azeitona.
Ai, burrinho do campo! Ai, boi malhado!
Pois meu filho está chegando, me dêm um lugar
Só um ranchinho de sapé é o que me amapara
Dois amigos por alento, e a lua clara.
Na estrada, na estrada, José e Maria,
Com um Deus escondido… ninguém sabia!

Na estrada, na estradinha, José e Maria.

Gladir Cabral

7/31 | A luz da vida!

starLeia: João 1.1-5

 

Desde os tempos primordiais a luz é elemento imprescindível para a sobrevivência do ser humano. Inicialmente ligado às horas do dia, findas as quais se recolhia às suas cavernas e abrigos, o ser humano experimentou uma revolução com a descoberta do fogo. Agora suas atividades podiam adentrar a noite, além da possibilidade de aquecer-se do frio e preparar refeições mais saborosas.

Por sua importância, a luz foi quase que imediatamente transformada em símbolo, metaforizada. Em relação de oposição às trevas, a luz simbolizou e simboliza alegria, renascimento, renovação, pureza, a divindade.

O evangelho de João, diferentemente de Mateus e Marcos, não apresenta a encarnação e o nascimento de Jesus Cristo. Não há descrições de sua chegada e recepção neste mundo, nem de sua infância. Não. João pensa de outra forma. Para pensar em Jesus seu pensamento vai longe, ao princípio de tudo. No princípio da criação Cristo, o Verbo ou Palavra (traduções para logos), estava lá. Ele não apenas estava com Deus no momento inicial, mas ele era Deus.

E o que, para João, caracteriza o Verbo como Deus? O fato de ter criado todas as coisas. Sem ele, nada que existe, nada do que conhecemos, nada do que nos alegra, existiria. E sabe por quê? Por que a vida estava nele.

Como alguém desprovido de vida poderia criar um universo tão palpitante? O planeta terra cheio de cores, diversidade, gêneros, enfim, cheio de vida? Não. Ele precisava ser cheio, pleno de vida. E era. “A vida estava nele”. Tudo o que o ser humano anseia de plenitude para sua existência estava no Verbo.

E como João caracteriza essa relação doadora de vida do Verbo para com a humanidade? Luz! “A vida era a luz dos homens”. A vida do Verbo que reverberou em nós transmitindo-nos vida é comparada à luz que ilumina um canto escuro, que permite ver o que está por trás de fendas, que se projeta no espaço definindo formas. A luz que traz à existência!

A luz do Verbo resplendeceu nas trevas, e as trevas não conseguiram resistir a ela. Nossa existência é um testemunho de que as trevas foram vencidas pela luz!

Mais à frente João afirma que o Verbo se fez carne na pessoa de Jesus Cristo. Jesus nos criou, Jesus nos dá vida, Jesus ilumina nossa vida e nossa alma.

Jesus, o Verbo, o doador de vida e luz manifestou-se criança. Bebê que precisou de seus pais, de pessoas que cuidassem dele, de médicos que lhe dessem remédio, de professores que o ensinassem. A luz que precisou ser iluminada. Mas ele foi e é a verdadeira luz, diante da qual todas esmaecem.

Jesus, o Verbo, nossa luz.

Que as luzes deste natal, que iluminam corpos e olhos, nos lembrem e despertem em nós gratidão ao refletirmos sobre aquela criancinha, que embora frágil, era e é a luz do mundo. Nossa luz. Luz que nos dá vida!

Ouça esta canção. Medite. Ore. Adore. http://www.youtube.com/watch?v=r8LAFEb81zI&feature=c4-overview&list=UUl3dwPGJS6mrD0ziNuegY4A

João Leonel

6/31 | Uma visita mais do que especial

annunciation1Leia: Lucas 1.26-38

 

Um grande susto, foi o que experimentou Maria ao receber a visita do Anjo Gabriel. Anjos são figuras muito discretas, gentis e cordiais, mas não aparecem todo dia nem a todo mundo. Por esse motivo o susto da jovem e a insistência do anjo em acrescentar um “Não tenha medo” ao já dito “Paz seja com você”. Mesmo assim, o estranhamento da jovem Maria foi grande. Afinal, ela não prestava culto a anjos nem os procurava por meios de velas, invocações e rituais.

O anjo fez uma saudação que já é em si impressionante. Maria deve ter ficado pensativa ao ouvir o “Você é muito abençoada” e “O Senhor está com você”. A saudação do Anjo faz unir três graças fundamentais na vida de uma pessoa e presentes em Maria: paz, bênção e presença do Senhor. Contra todas as estatísticas, contra todas as probabilidades, Maria era uma mulher feliz, não por ter muitas propriedades, por estar prometida a José ou por ser muito inteligente, mas porque em sua vida se confirmava a vida de Alguém.

A reação de Maria foi de estranhamento, como compreender aquela aparição e aquelas palavras? O Anjo entrou em detalhes, anunciou uma gravidez sobrenatural, como seria o processo de fecundação e quais seriam o gênero e o nome da criança: “Jesus”. E o estranhamento não se deu por falta de inteligência ou por ignorância, pelo contrário, a jovem sabia muito bem que certas coisas eram impossíveis.

A resposta do Anjo enfatiza o poder do Senhor de transcender as possibilidades e extrapolar as expectativas humanas: “Para Deus não haverá impossíveis”. E a atitude final da jovem Maria foi de consentimento humilde e sincero: “Sou serva de Deus. Cumpra-se em mim o que tu dizes”.

Essa jovem inteligente, sensível à fé e disposta a servir ensina muita coisa a nós que vivemos muitas vezes estagnados em nossas esperanças e expectativas em relação à vida e à história, a nós que ficamos travados diante das impossibilidades e das fobias tantas que nos cercam e sufocam. Ela se abriu corajosamente à mensagem do Anjo e se preparou para transcender os limites de sua vida bastante limitada.

Dentre as várias canções da cantata Luz, compartilho “Favorecida”, escrita por Guilherme Kerr & Jorge Rehder e interpretada por Nelson Bomilcar. Ouça. Medite. Ore. http://www.youtube.com/watch?v=-25GFPTc9g0

Gladir Cabral

 

 

5/31 | Sinal divino!

virgemLeia: Isaías 7.14

 

Vivemos em um mundo complexo.

Por conta disso, praticamente tudo o que nos cerca necessita de regulamentações e especificações. As relações trabalhistas, o trânsito, os equipamentos eletrônicos, e até o casamento se cercam de normas e regras que buscam definir papéis, dar garantias, gerar certezas.

Esse fato é potencializado pela insegurança humana. Afinal, quem de nós, pelo menos uma vez na vida, não se deu mal por não ler adequadamente um contrato, não dar atenção às placas de sinalização, não levar a sério uma bula de remédio?

Temos a tendência de transferir esse quadro para a relação com Deus.

Nossa vida com ele, se não tivermos cuidado, será regida por uma série de estipulações e contratos. Tornamo-nos legalistas. Passamos a exigir direitos como se Deus estivesse obrigado, por força contratual, a nos atender. E, o que é o pior, muitas vezes nem nos damos conta disso.

Para além da falta de fé, essa é uma visão profundamente equivocada que desconsidera o fato de que, antes de pensarmos em Deus, ele pensou em nós. Antes que o amássemos, ele nos amou. E que a relação que temos originou-se no chamado divino.

Por vezes, a falta de compreensão sobre a vida com Deus é tão grande que alguns se julgam no direito de exigir sinais a ele. “Se Deus quer que eu me case com tal pessoa, que me dê um sinal”. “Se Deus deseja que eu fale de evangelho para meu amigo, que ele me conceda um sinal”. “Se Deus quer que eu vá à igreja, que me envie um sinal do céu”. Esse linguajar está muito próximo daquele utilizado por Satanás ao tentar Jesus (Mt 4.1-11).

Entretanto, há momentos em que o próprio Deus não apenas se dispõe, mas decide a nos dar sinais. O texto de Isaías 7.14 é um deles. Acaz, rei de Judá, estava aflito porque Síria e Israel se uniram para destruir Jerusalém. Deus, por sua vez, assegura que os inimigos do rei seriam derrotados e permite que Acaz peça um sinal que de isso se realizaria. O rei, temeroso, rejeita fazê-lo. Deus, então, por intermédio do profeta, afirma que daria um sinal de que tal aconteceria: a virgem conceberia e daria à luz um filho que seria chamado de Emanuel.

Sabemos como o Novo Testamento atualizou o texto de Isaías. Mateus 1.23 atribui a Jesus Cristo o título e o papel de Emanuel: Deus conosco.

Diante das dificuldades e complexidades da vida, em lugar de pedirmos sinais da bondade de Deus, é necessário que vejamos o sinal já dado a nós: Jesus Cristo. Ele é o grande, o maior sinal de que Deus está conosco. Jesus, Emanuel, sinal maior do amor de Deus neste Natal!

Você conhece a Cantata Luz? Uma obra belíssima sobre a vinda do Salvador. Ouça a canção “Profetas”, de Guilherme Kerr e Jorge Rehder, e medite sobre a importância do nascimento de Jesus para a história da humanidade. A voz que interpreta a canção é a de João Alexandre, simples, preciso e digno. E embora o vídeo atribua os créditos apenas ao Guilherme Kerr, não se pode esquecer do Jorge Rehder! http://www.youtube.com/watch?v=1fnm-pMiaKw

João Leonel

4/31 | O Menino e o Reino

NativityLeia: Isaías 11.1-9

Em contraste com os reinos deste mundo, movidos pela força das armas e garantidos pelas articulações políticas, o profeta Isaías anuncia a vinda do Reino do Filho de Davi, o Reino do Messias. Muitos filósofos e poetas sonharam utopias, sistemas políticos funcionais, lugares encantados onde tudo seria perfeito, ignorando é claro a força do pecado que atua na natureza humana. Esse sonho alimentou algumas revoluções e criou muitos heróis e muitos planos frustrados em toda parte deste mundo: repúblicas democráticas, repúblicas ditadas pelos sábios, como as que desenharam Platão e Thomas Morus, experiências anárquicas, até mesmo o Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, verdadeiras reconstruções de uma sociedade aparentemente sem conflitos.

Isaías fala de um sonho maravilhoso que pouco a pouco vai tomando forma na cultura judaica: o sonho de um Reino de Deus. O diferencial entre o Reino de Deus e as demais utopias é que o Reino de Deus acontece por manifestação direta do Eterno, e não por esforço ou planificação humanos. O Reino de Deus não estabelece castas sociais nem reprime liberdades, não surge de acordos políticos nem de pactos sociais. Ele nasce da esperança teimosa no poder que o Senhor tem de recriar céus e terra conforme a sua vontade.

O Reino de Deus se torna presença com a chegada do menino Jesus, torna-se pleno e dramático no momento da crucificação, torna-se narrativa boa que se espalha pelo mundo afora, liberta, redime, transforma, faz pulsar corações e tremer impérios. A esperança do Reino divino resiste às repressões políticas, aos planos de extermínio e sobrevive à sedução do poder, tornando-se dissidente quando a corrupção invade sacerdotes e crentes. Essa esperança alcança o nosso tempo e continua apontando inquietamente para o futuro, para o retorno de Jesus e a implantação do Seu Reino, que não pode se compara a nada do que é deste mundo.

Os sinais do Reino são muitos, as bênçãos que ele traz transcendem valores políticos ou interesses internacionais. O Salvador será cheio do Espírito Santo e receberá dele inúmeros dons, como a sabedoria, o conhecimento, a competência, o poder, o temor do Senhor e o conhecimento da vontade de Deus. Esse Reino trará plena justiça para os necessitados do povo, para os pobres, os esquecidos, incluindo a completa punição dos maus e a eliminação de todo foco de corrupção.

O Reino de Deus será também caracterizado pela paz plena entre povos e nações, e até mesmo entre homens e animais. Mais do que paz, será um reino de harmonia, onde a violência será completamente superada. Para que isso ocorra, é preciso um recomeço, uma obra de restauração, é preciso regeneração completa de todas as coisas.

Finalmente, o Reino será marcado e assinalado pela glória de Deus, que se espalhará por toda a terra, que se dará a conhecer e encherá cada recanto deste universo. A fé no Menino que implanta o Reino nos põe em movimento e nos faz desejar a mudança das coisas.

Jorge Camargo escreveu uma belíssima canção sobre o Menino e o Reino. A canção se intitula “Seus”. Ouça. Medite. Ore. http://www.youtube.com/watch?v=npbrNVp1t9M

Gladir Cabral

 

3/31 | Uma criança inesperada, mas bem-vinda!

jose carpinteiroLeia: Mt 1.18-25

 

Eles ouviram um choro fraquinho.

Inicialmente não sabiam de onde vinha. Salvo engano, não havia criança pequena na vizinhança. Com um pouco mais de atenção, seguiram em direção ao som. Desconfiados, pararam diante da porta de entrada de sua casa, moradia humilde, construída com tábuas de madeira. Ao abrir a porta e ver o recém-nascido ali fora, envolto em panos, o casal de velhos não titubeou e o recolheu para dentro de casa.

Eles não se perguntaram se teriam condições de criar mais uma criança entre as muitas que já haviam nascido naquele lar. Não refletiram se teriam condições de passar noites acordados, de assumir cuidados médicos e de educação daquele pequenino. Não pensaram no que os vizinhos e parentes diriam daquela loucura. Não. Era uma criança abandonada que precisava de um lar. E havia achado. Simples assim.

Jesus também chegou a um lar de modo incomum. José e Maria estavam noivos e não haviam ainda assumido a intimidade física de casal. De repente, Maria aparece grávida. O texto diz apenas que ela “achou-se” grávida. Em bom português, apareceu grávida! Bem, ela sabia que estava grávida e nós, que lemos o texto, também sabemos. Mas José não. Diante do fato consumado, aquele homem justo resolve não denunciar a mulher às autoridades por adultério, mas sair de casa.

Só não levou adiante o plano porque um anjo o informou em sonho sobre o que acontecera. Ao acordar, desistiu da ideia e aceitou sua mulher grávida. E, em obediência ao anjo, batizou o filho com o nome de Jesus, o salvador do seu povo.

José e Maria assumiram um alto preço ao aceitarem serem canais pelos quais o Salvador viria ao mundo. Ela, levando em seu corpo o ser divino-humano. Ele, tomando sobre si a responsabilidade de manter o casamento, mesmo diante do falatório de conhecidos e religiosos. Cada um com sua parcela de compromisso. Cada um com sua fé em ação.

Natal. Tempo de celebrar a chegada do menino Deus, do Salvador Jesus. Tempo de sermos gratos àquele casal palestino e de exaltarmos a fé que tiveram. Tempo de pensarmos nas consequências de sermos discípulos de Jesus no mundo em que vivemos.

Temos acolhido a criança como fizeram José e Maria? Temos disposição para assumir os sacrifícios decorrentes dessa decisão? Se temos, então Natal significa para nós “boas novas de grande alegria!”.

Ouça esta verdadeira pérola dos anos 1970 na voz de Rita Lee, “Meu bom José”, uma versão feita por Nara Leão. A canção foi escrita por Georges Moustaki (que faleceu em abril deste ano). Ouça. Medite. Ore.   http://www.youtube.com/watch?v=l5lNEovInGY

E aqui, na versão do próprio autor: http://www.youtube.com/watch?v=l9zTRvZtbOc

 

João Leonel

2/31 | O Senhor do tempo

journalLeia: Salmo 90

 

Abro a agenda para ver os compromissos do dia e tomo um susto. Meu Deus, já é dezembro! E ainda há tanto trabalho pela frente, tanto projeto para terminar, tantos relatórios a serem preparados… e tantas reuniões! É impressão minha ou os dias estão passando cada vez mais rapidamente? Sei não, a sensação que tenho é de que o tempo está me ultrapassando e a vida escorre entre os dedos como areia fina, como folhas amareladas de um velho livro.

Vou até o quarto, pego minha Bíblia e folheio suas páginas finas e doces, páginas que não precisam ser arrancadas. Sinto assim um cheiro bom de eternidade. Ao mesmo tempo, passo a refletir sobre a vida como se ela fosse um livro cujos capítulos estão sendo escritos assim, misturando planos e frustrações, projetos e acidentes. Também vejo passar diante de meus olhos a história do mundo, o movimento das cidades e a correria dos povos.

O que é o tempo? O que é vida? Mistério silencioso que as páginas amareladas de um calendário não explicam, mas que as linhas e entrelinhas das Escrituras revelam com tanto cuidado. O tempo é um mestre rigoroso e por vezes cruel. Tudo o que o calendário parece ensinar é que, como numa canção na voz de Mercedes Sosa, “o tempo passa e vamos ficando velhos”.

Mais poderoso que o tempo é o Senhor do tempo. O salmista vê, nas ruínas do corpo e na velhice, a sombra de uma pena, uma condenação, uma ira que consome. Mas não se desespera, não se entrega aos pensamentos sombrios da culpa e do medo. Ele clama ao Senhor do tempo para que ensine a habilidade rara de contar os próprios dias, de saber de cor sua própria finitude e, assim, encontrar sabedoria. Ele também clama por compaixão, misericórdia, benignidade e alegria. O salmista sabe que o Senhor do tempo é também Senhor da alegria, que é fruto da sua graça e bondade.

As Escrituras nos falam de um Deus que não se deixa afetar pelo tempo, um Deus que jamais fica velho ou ultrapassado. Ele mesmo habita a eternidade e é Senhor do infinito, mas vem visitar e redimir as criaturas que vivem na dimensão do tempo. Em Cristo Jesus, o Deus Eterno vem habitar conosco, seres que precisam contar as horas, os dias, os meses e as estações.

Stênio Marcius escreveu a canção do Senhor do tempo. Medite e ore. http://www.youtube.com/watch?v=TF2rRxSGGIs

 

Gladir Cabral