bethlehem--city--palestine--israel--vintage-engraving--808bb2Leia: Miquéias 5.2

 

O velho empório na esquina da Quintino Bocaiúva. A ladeira tortuosa que desce em direção à vila Barth. A praça Peixoto Gomide, onde bandeiras eram hasteadas em dias cívicos. O campo da Associação Atlética onde sonhei ser jogador de futebol. A rua Campo Salles com suas lojas. O pastel na feira de domingo. As barrancas do rio Itapetininga.

Não. Não são meras referências da geografia urbana da cidade onde nasci. Não são apenas ruas, prédios e lugares. Não é apenas pedra, cimento e asfalto. Não. Pelo contrário, é uma parte de mim, um pedaço do meu ser. A cidade onde nasci e me criei preserva, guarda, retém fragmentos da minha vida em forma de memórias concretas. Em troca, para onde vou levo esse chão no meu coração.

Somos o lugar onde nascemos. Somos seu pó, seu cheiro, suas cores, seus sentimentos.

“E tu, Belém Efrata, pequena demais […] de ti me sairá o que há de reinar em Israel”. O Messias, o Salvador Jesus Cristo nasceu em Belém. Esse fato é relembrado pelos evangelistas Mateus (2.6) e João (7.42). Este, inclusive, a chama de “aldeia”. Lugar pequeno.

Mas o que importa? Dela veio Jesus Cristo. E com ele chegou até nós Belém. “Beth-Lehem”, a “casa de pão”, onde o pão da vida encarnou. E, como pão, sentimos seu cheiro, provamos seu sabor abençoador, nos nutrimos de sua salvação. E com ele, veio até nós Belém.

Belém, cidade de Davi. Mas antes dele de Noemi, que dela precisou sair, pois havia acabado o pão. Terra de Boaz, homem bondoso que se casou com Rute. Rute, ancestral do rei Davi e de Jesus Cristo.

Belém, terra que se conhece conhecendo sua gente. Cidade humilde, pequena, vila mesmo. Mas que em sua pequenez se agiganta por trazer ao mundo pessoas de fé, homens e mulheres ligados a Deus. E, por fim, o Salvador, Jesus Cristo.

Deus tornou-se humano por intermédio de Maria. Mas o espaço físico em que isso se deu foi Belém. Dessa forma, a cidade participa do plano de salvação da humanidade.

Jesus viveu pouco em Belém. Seus pais moravam em Nazaré e se deslocaram para Belém por força de uma lei que obrigava as famílias a se recadastrarem na cidade de seus ancestrais. Logo depois, Deus orientou José e Maria a fugirem da cidade, pois Herodes pretendia matar a criança. Apesar do pouco tempo, certamente Jesus levou consigo traços de Belém.

O pão da vida carregou consigo a casa de pão.

Natal é celebração em família. É o momento em que familiares se dirigem para suas cidades de origem – à semelhança de José e Maria – para se reunirem e reavivarem memórias antigas. Ao mesmo tempo, as famílias manifestam gratidão à terra que os gerou, e o fazem da forma mais profunda possível: proclamando e celebrando nela o nascimento de Jesus Cristo, o Salvador.

Ouça. Medite. Ore. Compartilhe. As crianças do King’s College Choir, Cambridge cantando um hino de Natal em homenagem à pequena e humilde cidade de Belém. “O Little Town of Bethlehem”. Sublime! http://www.youtube.com/watch?v=AteU4QUAQo8

João Leonel

angel-gloria-in-excelsis-deo-denise-beverlyLeia: Lucas 2.8-19

 

Os pastores já ajuntaram seus rebanhos no aprisco e estão à roda da fogueira contando histórias e cantando canções. Eles conhecem o silêncio dos desertos, a alegria dos vales e a solidão das madrugadas. Lembram-se de seu ancestral, Davi, que nasceu tão perto dali, o menino que um dia também foi pastor, mas que se tornou o maior rei de Israel. Um deles comenta que Deus cuida de seu povo como um pastor amoroso e cuidadoso.

A noite é fria, mas bela e estrelada. Enquanto compartilham o pão e as palavras, uma voz quebra o silêncio da noite: “Não tenham medo!”. É um anjo do Senhor que veio anunciar o nascimento do Salvador, na mesma cidade em que nasceu Davi. De repente, uma multidão de anjos aparece cantando no céu: “Glória a Deus nas alturas! Paz na Terra às pessoas a quem ele quer bem!”.

Os anjos do Senhor visitaram os pastores que trabalhavam nos campos. Propositalmente, o Senhor não procurou os palácios e mansões de Jerusalém ou Roma. Ignorou teólogos, sacerdotes e mestres da religião. Preferiu habitar corações aquecidos pela esperança, pessoas em cujos olhos ainda brilhava o lume da fé. Misterioso é o sinal que o Senhor escolheu para confirmar as palavras do anjo: “uma criancinha enrolada em panos e deitada numa manjedoura”.

A glória do Senhor brilha no céu estrelado de anjos que visitam pobres pastores e de pastores que visitam uma estrebaria para saudar uma criancinha recém-nascida enrolada em panos e deitada numa manjedoura. São pessoas simples, de poucas palavras, visto que quase ninguém dá crédito a palavras de pastores de ovelhas. Contudo, a glória do Senhor também se revelou a eles e os fez porta-vozes de uma grande novidade: “na cidade de Belém nasceu o Salvador, o Messias, o Senhor”.

Certa vez, um monge celta orou da seguinte maneira: “Meu querido Senhor, sejas tu uma chama brilhante diante de mim. Sejas tu uma estrela-guia acima de mim. Sejas tu um suave caminho sob mim. Sejas tu um pastor bondoso atrás de mim hoje e para sempre” (Columba, 521-597).

Veja o que Vivaldi fez inspirado na passagem das Escrituras que narra o anúncio do Natal aos pastores: Antonio Vivaldi – “Gloria in excelsis Deo”, RV 589.  Ouça. Medite. Ore. Compartilhe. http://www.youtube.com/watch?v=J2CSSm5-NEA

Tem também esta canção mais popular inspirada na mesma passagem bíblica: “Angels we have heard on high”. Aqui na versão do The Piano Guys: http://www.youtube.com/watch?v=n543eKIdbUI

Veja esta versão do Sixpence None the Rich: http://www.youtube.com/watch?v=3-b5IC_Jsfc&list=PL17641243B874BB88

Gladir Cabral

incarnation2Leia: João 1.14

 

Dentre um grande número de expressões de uso popular, com sentidos que vão muito além daqueles com os quais a gramática, a etimologia e a semântica ficam à vontade, há uma que diz: “Viu agora?”

Geralmente nós a utilizamos ao final de uma explicação como sinônimo de “compreendeu”?

“Viu?”, isto é, “compreendeu?”, revela um processo de interação com o que nos cerca. Nem sempre compreendemos o que vemos e/ou ouvimos. Por vezes, vemos e ouvimos mas não conseguimos elaborar a imagem ou as palavras. Nosso cérebro e nossa psique não captam todas as nuances daquilo que nos envolve.

Por outro lado, “ver”, com o sentido de “compreender”, pode ultrapassar em muito o aspecto tátil e material do verbo. Isso acontece no evangelho de João.

No início do primeiro capítulo, o autor apresenta o Verbo como criador do universo, ao lado de Deus e sendo Deus. Ele introduz João Batista como testemunha histórica do Verbo e, de forma inusitada, afirma que a sociedade (o “mundo”) não o reconheceu, esclarecendo que alguns, no entanto, o receberam, tornando-se filhos de Deus.

Por fim, e de forma categórica, o narrador introduz uma afirmação que, situada historicamente, transcende as demais: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”.

Para além da ação criadora do Verbo e de sua divindade, o narrador destaca o fato histórico de sua encarnação. “O Verbo se fez carne”. – A segunda pessoa da Trindade tornou-se um de nós, se fez gente, diz ele. Mais do que isso, afirma de modo enfático que Jesus Cristo “habitou entre nós”. Ele conviveu com galileus em suas vilas e mercados, caminhou pela Samaria e foi visto por muitos, transitou pelas ruas de Jerusalém e esteve em seu Templo. E fez isso “…cheio de graça e de verdade”.

O Verbo todo poderoso, criador e Senhor de céu e terra, esteve entre os humildes e pobres, nos ensinou sobre Deus, curou nossos doentes, expulsou demônios de nossos amigos e acariciou nossas crianças, recorda o evangelista. Jesus Cristo viveu graciosamente entre os seres humanos.

Mas o evangelista vai ainda mais longe. Ele proclama em claro e bom som: “… e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”. Vimos. Entendemos. Compreendemos.

A graça de Jesus derramada sobre aqueles homens e mulheres os levou a concluir, a ver, que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Jesus, em seu amor, graça e misericórdia manifestou-se “glorioso” a eles.

E nós?… Vemos?… Compreendemos?

Embora Jesus não ande fisicamente entre nós, podemos testemunhar que ele habita conosco cheio de graça e de verdade? Temos visto isso?

Natal é tempo de celebrar a chegada do Filho de Deus. Jesus Cristo, gracioso, está entre nós. Como sabemos disso? O testemunho de uma vida transformada por ele confirma esse fato. A única e verdadeira resposta é: “Vemos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.

Ouça. Medite. Ore. Compartilhe esta bela canção: “O Verbo virou gente”. A voz é do querido Nelson Bomilcar. A canção é de autoria de Nelson Bomilcar e Guilherme Kerr Neto e faz parte da cantata Vento Livre. http://www.youtube.com/watch?v=Lyu7dX9XO8o

João Leonel

Antonello_da_Messina_037Leia: Lucas 1.46-55

 

Pode uma mulher cantar em tempos como estes? Pode uma mulher pobre encontrar motivo para cantar em um mundo tão desigual e desumano? O que esperar da vida quando os ricos e poderosos se tornam cada vez mais ricos e poderosos e os pobres e miseráveis se tornam cada vez mais pobres e miseráveis?

Entretanto, há uma voz que toca o coração dessa mulher e que traz a resposta. Há uma voz que a faz cantar um canto de alegria e coragem, como o de uma virgem que descobre a alegria de ser mãe, como a de um povo que descobre a alegria de ser livre, como a de um guerreiro que descobre o caminho da paz. Essa voz “nos alerta” e ensina que “é preciso ter força, é preciso ter raça sempre”, ainda que essa força venha misturada à fraqueza.

É preciso que o riso aformoseie o rosto, ainda que molhado pelo choro. É preciso que o som da alegria quebre o silêncio do terror e da morte. É preciso que a vida “severina” aprenda a vencer as incontáveis léguas dos descaminhos da morte.

Maria sabe que vive, e “não apenas aguenta”, pois traz em seu corpo a prova maior de que o tempo é de mudança e graça: o Deus conosco. Então ela canta: “Minha alma engrandece ao Senhor!”. O canto de Maria declara que há Alguém maior que reis e poderosos, Alguém que traz esperança e vida aos pobres e famintos. Ela anuncia a presença de Deus na história humana, a presença redentora de Deus no mundo.

A experiência de Maria confirma que o Senhor faz o pobre cantar de esperança. Ele anima o abatido, enxuga as lágrimas dos que já não encontram consolo em si mesmos e em ninguém. Ele torna grande nossa vida breve. Quebra o orgulhoso, derrota os poderosos e redime o humilde.

Certamente, Maria haveria de provar em sua própria vida mistérios de fazer calar seu pobre coração. Aliás, muitas coisas sobre o menino Jesus ela guardaria a sete chaves em seu humano coração (Lc 2.19).

Stênio Marcius, em seu “Cântico de Maria”, dá voz a Maria, já amadurecida, olhando para Jesus, agora não mais o menino, mas o homem feito e misterioso enigma para todos ao redor. Meditemos juntos. Quem interpreta a canção é João Alexandre. http://www.youtube.com/watch?v=kZsWCqa1FEo

Tu já foste indefesa criança

Não consigo entender,

Como pude tomar-te em meus braços

E envolver o teu ser,

Tantas noites ouvi o teu choro

A pedir pão e leite, consolo.

Carecias pra tudo de alguém,

E até pra dormires também

Um balanço e a minha voz pra te ninar.

 

Teus primeiras passinhos e quedas

Com orgulho segui,

Ensaiaste as primeiras palavras

Que entender eu fingi.

Travessuras sem mal de menino,

Quantas vezes me deixaram rindo.

De repente o menino cresceu,

Tão bonito e viril se tornou,

Tudo tão depressa que eu nem percebi.

 

Mas ao olhar o presente eu vejo

As multidões te seguindo

Buscando paz, esperança e conforto

Que estão nas tuas palavras.

O Teu poder cessa a fúria do mar

E enfermidades se vão,

Quando ordenas, se vão!

 

Hoje eu entendo as palavras do anjo

Quando ele disse o Teu nome.

Tu és a tão esperada promessa,

O Deus do céu entre nós,

És do teu povo o Libertador,

Tu és o meu Salvador,

O Cordeiro de Deus.

 

E pensar que algum dia te embalei

Em meus braços, Jesus!

 

Gladir Cabral

3-reis-magosLeia: Mateus 2.1-12

 

Ouço o som de buzinas e de autofalantes. Em seguida, vejo o caminhão com várias pessoas sobre a carroceria e com um grande número de pacotes coloridos passar chamando a criançada. Após o caminhão seguem vários carros de apoio.

A carreata do bem acontece todo final do ano. Ela percorre a rua de minha casa e segue até o final do bairro onde moram pessoas de condições humildes.

Lá chegando, é feita a distribuição de presentes às crianças. Terminada a entrega, algumas passam em frente de casa. Da janela de meu quarto consigo ver as carinhas de alegria. Não importa se a boneca é uma imitação de grifes famosas, ou se a bola de plástico dali a alguns dias estará furada, ou mesmo se o carrinho logo perderá as rodas.

Não importa. O fato é que essas crianças, tomadas de alegria, foram lembradas. Pessoas vieram até elas e trouxeram presentes. Que alegria! Em um mundo desumano e de apagamentos sociais, lembrar de uma criança pobre significa muito.

Os pais ficam gratos. Afinal, por mais baratos que sejam os presentes, liberam o pouco de dinheiro que possuem para comprar talvez um panetone, ou, quem sabe, com um pouco mais de esforço, uma carne que poderá até ser a surpresa da ceia humilde de natal.

O texto bíblico indicado acima testemunha a sensibilidade de pessoas importantes que se lembraram de uma humilde criança na Palestina.

Embora o relato se revista de tensões, afinal, o falso rei Herodes deseja utilizar os magos para seus intentos assassinos, há nele também um elemento de delicadeza e de alegria. Protegidos por Deus, os magos conseguem se desvencilhar das garras de Herodes e, dirigidos pela estrela, chegam à humilde Belém e visitam a criança.

Imagine a surpresa da família de Jesus ao ver aqueles homens, certamente muito bem vestidos, com ares aristocráticos, entrarem na pequena casa e, após saudarem seus moradores, depositarem presentes diante daquela pequena e pobre criança!

O recém-nascido era considerado por eles o rei dos judeus. Claro que a sequência do evangelho de Mateus corrigirá essa visão demonstrando que Jesus é o rei do universo, senhor de tudo e de todos. Mas, naquele momento, reconhecer aquela criança como rei dos judeus era muita coisa.

O texto revela que eles estavam cheios de alegria e de júbilo. Sim, pois eles faziam parte do restrito círculo de pessoas que conseguiram ver e reconhecer o menino Jesus. E mais, tiveram o privilégio de presenteá-lo. O texto silencia a respeito da reação da criança. Certamente não entendeu o que ocorria ao seu redor. Também não relata a reação de Maria. O mais importante é realçar a alegria de quem presenteia.

Sim, é verdade. As pessoas que passam diante de casa são as mais felizes, mais até do que as crianças que recebem os presentes. E têm razão para isso. Afinal, elas são privilegiadas por poderem dar presentes. E para crianças que precisam deles.

Que tal, neste Natal, levar presentes para crianças carentes? Para um orfanato, para uma entidade de assistência social. Existem tantas! Ao dar presentes, pense no menino Jesus, pense que poderá alegrar, em nome de Jesus Cristo, crianças que talvez, sem você, permanecerão esquecidas neste natal.

Ouça a canção na voz de Ivan Lins. Medite. Ore. Compartilhe. http://www.youtube.com/watch?v=upsyx4X5bH8

João Leonel

magnificatLeia: Lucas 1.39-45

 

Maria vai visitar sua prima Isabel, esposa de Zacarias. Isabel, que antes não podia ter filhos, está grávida e muito feliz. Depois de tão grande sinal do poder de Deus em sua vida e em estado de graça, isto é, carregando dentro si uma vida que logo nascerá, Isabel vê o mundo de um jeito diferente, mais sensível e mais claro, percebendo o valor de pequenas coisas, como uma roupa de criança sobre uma cama, as vestes que seu marido usa em seu ofício no templo, ou enxergando agora a mão de Deus agindo na vida das pessoas.

Maria traz alegria ao coração de Isabel, uma alegria espiritual e profunda. Prova disso é a manifestação súbita do Espírito Santo naquele momento e o movimento saltitante da criança em seu próprio ventre: “Logo que ouvi você me cumprimentar, a criança ficou alegre e se mexeu dentro da minha barriga” (Lc 1.44).

Quanta felicidade pode trazer essa moça chamada Maria? A felicidade de alguém que abriga em seu ventre o Filho de Deus, o Redentor da história, e dará à luz Àquele que é a luz do mundo. Maria traz também a felicidade dos que creem de coração completo nas palavras do Senhor, pois nela se deu o milagre da fé genuína. Maria é moça pobre, humilde em sua mais bruta e singela verdade, mas dentro dela em estado de gestação, agita-se um mundo.

Bendito é o Senhor, que visita nossa casa com seu imenso amor. E que se fale sempre bem de Maria, sua mãe bendita que o acolheu com fé e amor plenos.

Jesus é nossa alegria, nossa festa, nossa esperança de mudança e redenção. Amém!

Milton Nascimento escreveu certa vez uma canção que se tornou um hino da dignidade de toda mulher brasileira. Toda mulher, jovem ou idosa, grávida ou estéril, casada, solteira ou viúva, deveria mesmo aprender e cantar esse hino todos os dias: “Maria Maria”.

Maria, a mãe de Jesus, se torna de certa maneira um símbolo de toda mulher que aprende a rir, em esperança, quando sabe que “deve chorar”, pois “não vive, apenas aguenta”. Ao mesmo tempo em que representa a figura de toda mulher que tem “raça e gana sempre”, Maria aprende que nada se pode fazer sem “graça e sonho”. Ela é “dor e alegria”. Ela é “pele e marca”. Ela “possui a estranha mania de ter fé na vida”, pois tem fé no Redentor da vida, Aquele para o qual nada é impossível.

Como disse certa vez Martinho Lutero a respeito de Maria, a mãe do nosso Salvador: “Nenhuma mulher é igual a ti. És mais que Eva ou Sara, bendita acima de toda nobreza, sabedoria e santidade”.

Ouça. Medite. Ore. Compartilhe esta versão novíssima da canção “Maria Maria”, de Milton Nascimento, um hino a todas as marias, todas as mulheres humildes que lutam pela vida. http://www.youtube.com/watch?v=IElS9cxpImA

 

Nesta gravação rara e perfeita, Milton conta a história de Maria, uma mulher simples, de infância breve, operária, lavadeira de roupa, viúva com seis filhos, que trazia em si a força da alegria e da esperança indestrutível, pessoa humilde, pobre, guerreira, que se autodefinia como solitária e solidária, mulher de fibra, dessas que fazem o Brasil ser um país.  http://www.youtube.com/watch?v=7mWcq7XBR2g

Gladir Cabral

mandelaLeia: Filipenses 2.5-11

 

Embora fosse esperado, o informe oficial da morte de Nelson Mandela no dia cinco deste mês trouxe um sentimento de profunda tristeza e prostração ao mundo todo. Madiba, como os sul-africanos carinhosamente o chamam, estava morto.

Empresas de notícias se apressaram para transmitir a notícia e veicular matérias com o histórico dessa grande líder sul-africano. Os canais de televisão exploraram à exaustão o fato.

Mandela foi comparado a Gandhi e a Martin Luther King, entre outros. Sua luta contra o apartheid e pelos direitos dos negros de seu país durou décadas e o fez conhecido em todos os cantos da terra. A lucidez, a consciência de fazer política pelos desfavorecidos, e o espírito pacífico de Madiba inspiraram e ainda inspiram multidões.

No início de suas atividades, Mandela estava tomado por um espírito bélico, chegando a participar de ações armadas. Preso, passou 27 anos em reclusão, sendo libertado com 72 anos de idade. Atribui-se ao período de cativeiro a mudança de espírito em Mandela. A privação da liberdade certamente permitiu uma profunda reflexão a respeito dos destinos de sua nação e de como atuar para transformá-la.

Encarnação. Deus feito homem. O apóstolo Paulo reflete e afirma que Jesus Cristo “não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens” (Fp 2.6-7. Nova Versão Internacional).

A encarnação foi um profundo ato de humilhação. O Verbo, a segunda pessoa da Trindade, sendo Deus assumiu a forma humana com todas as suas limitações e viveu entre nós. E fez ainda mais. Tornou-se nosso servo. Jesus viveu sua vida visando servir-nos a ponto de caminhar para a cruz e sacrificar-se nela. Mas não foi o fim. Deus o ressuscitou e o exaltou a fim de que todos se dobrem, reconhecidos, diante dele.

Humildade, humilhação. Nelson Mandela tornou-se um grande estadista, entre outras coisas, por ter aprendido lições de humildade. Jesus, sem necessitar, resolveu fazer-se humilde e servo.

Paulo inicia o texto de Filipenses afirmando que devemos ter o mesmo sentimento de Jesus Cristo (v. 5).

Natal, tempo de alegria, tempo de celebrar a encarnação do Filho de Deus. Tempo de lembrarmos que devemos seguir seu exemplo. Amarmos os seres humanos para além das barreiras de cor, gênero, nacionalidade, status social, credo religioso. Tempo de sermos servos uns dos outros. Tempo de sermos discípulos de Jesus Cristo.

Ouça. Medite. Ore. Compartilhe este hino: “Nkosi Sikelel’ iAfrika” (Deus abençoe a Africa)   http://www.youtube.com/watch?v=vmv8FSlrStQ

João Leonel

 

PS:

Esta canção virou um símbolo da luta contra o Apartheid. A canção foi escrita em 1897 por Enoch Sontoga, professor de uma missão metodista. Foi escrito originalmente na língua isiXhosa. Parte desse hino cristão acabou sendo anexado ao hino nacional da

 

África do Sul.

O Senhor abençoa a África

Que seu espírito se eleve às alturas

Ouve suas orações

 

Abençoe-nos o Senhor.

Senhor, abençoa a África

Acaba com as guerras e as lutas

 

Senhor, abençoa a nossa nação

Nossa África do Sul.

Reverberando do nosso céu azul

De nossos mares profundos

Sobre as montanhas eternas

Onde o eco dos penhascos ressoa…