zazoConheci pessoalmente o Zazo no último Som do Céu. Tive o privilégio de ouvi-lo cantar ao lado de sua família. Suas canções são cheias de sabedoria e ritmo. Acabei de ler suas crônicas, que também são cheias de sabedoria, senso de humor, ironia e muita poesia.

Ao ler seus contos, caminhamos pelas ruas do Rio de Janeiro, pelas avenidas de Brasília, pelas estradas do Brasil, e conhecemos personagens muito especiais. Há riso, há emoção, há reflexão. Cada palavra parece ser colocada ali como quem monta um quebra-cabeças, com o maior cuidado e atenção.

“‘QUANTO SERÁ QUE TERMINOU O JOGO?’ O PENSAMENTO NÃO SAÍDA DA CABEÇA de Ronaldo, nosso irmão querido, membro de uma igreja na Ceilândia, cidade-satélite de Brasília. Esse mano, que integrava o coro da igreja, tinha uma característica peculiar: era flamenguista… doente! Me digam os entendidos no assunto, se não seria redundância dizer que um flamenguista é doente… perdoe, leitor ou leitora flamenguista. É só brincadeirinha.

O drama de Ronaldo era o seguinte: o período de cânticos já havia terminado. Àquela altura, já haviam se passado bem uns quarenta minutos do final da partida, e nem sinal de uma vitória do time do coração… o culto passava pelo período de dízimos e ofertas.

‘Quanto será que terminou o…?’ A angústia era indescritível….” (p. 27).

Não sei se é porque eu sou vascaíno, mas achei a piada muito boa.

Cada história transpira alegria, criatividade e graça de Deus. A vida humana é revelada com toda honestidade e misericórdia. Pouco a pouco o leitor é cativado pelas narrativas, pela voz casual do narrador e pela verdade das personagens, identificado-se com os seus dramas e dilemas. Subitamente, nós é que somos lidos.

As Crônicas e os Contos de Zazo. Brasília: Editora Palavra, 2008.