Textos

travesseiro de pedra

SDC-2009-1031Hoje pela manhã (terça-feira, 30 de março) dirigi uma hora devocional no 26º Som do Céu, em Belo Horizonte (MG). O encontro reúne músicos, artistas, poetas, pastores e jovens líderes de todo o Brasil. Sotaques nordestinos se misturam a sotaques cariocas, paulistas, goianos, mineiros, baianos, mato grossenses e catarinenses. O catarinense, nesse caso, sou eu.

Convidei os presentes à leitura de Gênesis 28.10-22, trecho que traz a história de Jacó fugindo da região deserta Berseba após enganar seu irmão Esaú e seu pai Isaque. Ameaçado de morte e temendo por sua vida, Jacó põe o pé na estrada. Mais adiante, cansado da viagem e vendo o dia anoitecer, escolhe um canto para passar a noite.

Não tendo outra alternativa, escolhe uma pedra do caminho e a usa como travesseiro. Reclinado sobre a pedra e olhando para o céu, Jacó vê as estrelas, a claridade da lua e a sombra das nuvens que passam ao redor. Absolutamente exausto da caminhada, adormece e sonha.

No seu sonho, vê anjos celestes que descem por uma escada até o chão e depois voltam a subir. De repente o Senhor coloca-se ao seu lado e fala com ele: “Eu sou o Senhor, o Deus de Abraão e o Deus de Isaque. Darei a você e a seus descendentes a terra na qual você está deitado, seus descendentes serão numerosos como o pó da terra… você será uma bênção para todos os povos da Terra… estarei com você por onde quer que vá… eu o trarei de volta… cumprirei todas as minhas promessas…”

Jacó acorda de repente com uma fortíssima sensação da presença de Deus, uma misto de alegria, temor, emoção e desejo de adorar. Ele diz: “Sem dúvida o Senhor está neste lugar e eu não sabia!”. Então começa a adorar a Deus. E essa adoração vem reação, como resposta à manifestação e Palavra de Deus. A fim de adorar a Deus, é preciso que tomemos consciência de que Ele está presente em nossa vida.

Enquanto estamos ocupados em atos litúrgicos e práticas de culto que funcionam mais ou menos independentemente do saber que Deus está presente, nossa suposta adoração não passa de idolatria e de exercício vazio. Mas quando tomamos consciência de que não estamos sós, de que o Deus criador e salvador está conosco, então nossa adoração ganha profundidade, verdade e integralidade.

Logo depois daquele noite, ao acordar, Jacó toma o travesseiro de pedra e o transforma em altar de adoração ao Senhor. Ele o põe o altar de pé e o unge. Aquele lugar passa a se chamar Betel: Casa de Deus.

Nossa arte, nossas canções de adoração, nossos poemas, nossos textos devocionais e meditativos não passam de pedras tiradas do caminho, sobre as quais repousamos nossos sonhos e que transformamos em altar para o Senhor. Elas são também marco dos lugares por onde passamos e das experiências vividas com Deus. São parte de nossa resposta de fé, são sinais de nossa aliança com o Senhor.

Agora, ao escrever este texto, num quarto do Acampamento da MPC, sentado numa cama e recostado num travesseiro confortável, sinto vergonha da experiência daquele homem que, ao relento e num travesseiro de pedras, conseguiu sonhar os sonhos de Deus. Que imensa graça é essa que me segue. Sonharei e andarei com Ele.

oração

“A única preocupação do diabo é impedir que os cristãos orem. Ele nada teme dos estudos feitos sem oração, de trabalho feito sem oração ou de religião feita sem oração. Ele ri de nossos esforços, faz pouco caso de nossa sabedoria, mas treme quando oramos” (Samuel Chadwick).

Bruce Metzger, ao comentar Apocalipse 8.1, diz que ali há silêncio no céu depois de seis ou sete selos serem abertos. Depois, há uma grande calma, como que antes da tempestade. “E você fica imaginando porque há silêncio; cresce a tensão enquanto se espera outro juízo de Deus, contudo o silêncio aqui não é de terror. O silêncio (v. 3) é causado por um anjo que traz diante do altar as orações dos santos”

(apud Josh Furnal, 2007, p. 6).