Devocionais

25 livros

25 livrosDicas de leitura são sempre bem-vindas, pois num oceano de publicações um pobre mortal como nós se sente às vezes perdido. O que ler? Diante de uma biblioteca com tantas obras importantes, cada uma silenciosamente gritando por atenção, como escolher aquela digna de atenção? No burburinho de feira de uma livraria, em que os livros discutem entre si com tanta paixão, como saber qual deles deve ser ouvido? Richard Foster, autor de grandes obras de cunho devocional, e Dallas Willard, filósofo que transita pelos campos da teologia, trazem uma sugestão de 25 Livros que Todo Cristão Deveria Ler. A lista deles é esta:

1. Sobre a Encarnação (Atanásio)

2. Confissões (Agostinho)

3. Ditos dos Pais do Deserto (os pais do deserto)

4. A Regra de São Bento (Bento)

5. A Divina Comédia (Dante Alighieri)

6. A Nuvem do Não-Saber (anônimo)

7. Revelações do Amor Divino (Juliana de Norwich)

8. Imitação de Cristo (Thomas a Kempis)

9. Filocalia (vários autores)

10. As Institutas (João Calvino)

11. Castelo Interior ou Moradas (Teresa de Ávila)

12. A Noite Escura da Alma (João da Cruz)

13. Pensamentos (Blaise Pascal)

14. O Peregrino (John Bunyan)

15. A Prática da Presença de Deus (Brother Lawrence)

16. Um Sério Chamado a uma Vida Devota e Santa (William Law)

17. O Caminho de um Peregrino (autor desconhecido)

18 Os Irmãos Karamázov (Fiódor Dostoiévski)

19. Ortodoxia (G.K. Chesterton)

20. A Poesia de Gerard Manley Hopkins

21. Discipulado (Dietrich Bonhoeffer)

22. Um Testamento de Devoção (Thomas R. Kelley)

23. A Montanha dos Sete Patamares (Thomas Merton)

24. Cristianismo Puro e Simples (C.S. Lewis)

25. A Volta do Filho Pródigo (Henri Nouwen)

 

Mais do que uma lista de obras interessantes, esse é um banquete, uma mesa farta para um coração sedento de vida espiritual. A lista cobre autores das mais diversas eras e tradições da Igreja cristã, desde o período inicial do cristianismo, passando pela baixa e alta Idade Média, a Renascença, a Reforma, o século XIX e o XX.

Vejo com alegria que já li 15 dos 25 livros sugeridos. O primeiro deles a marcar minha vida foi o Imitação de Cristo, numa versão de bolso que ganhei como recordação de um querido e velho irmão: Manoel Joaquim. Eu devia ter na época uns 18 anos de idade. Dietrich Bonhoeffer marcou minha formação teológica. Li e estudei o Discipulado enquanto era seminarista no Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas (SP). Também é dessa época meu contato com As Institutas (Calvino), O Peregrino (Bunyan), Confissões (Agostinho), Cristianismo Puro e Simples (C.S. Lewis). Em 1987, passei a conhecer a tradição Russa e a oração contemplativa. Comecei a pesquisar intensamente sobre o assunto: A Filocalia, O Caminho de um Peregrino, e daí para A Prática da Presença de Deus, A Nuvem do Não-saber, Um Testamento de Devoção, que achei perdido nas estantes do SPS, e uma série de outros livros que não são citados por Foster & Willard.

Surpreendeu-me que a lista traz A Divina Comédia (Dante), que li na universidade (curso de Letras), mas não como livro devocional, li como literatura. Da mesma forma surpreendeu-me a sugestão da obra Os Irmãos Karamázov (Dostiévski) como tendo teor devocional. Para mim era apenas literatura, e da boa.

Senti falta de algumas obras que não estão na lista: Jonathan Edwards, David Barinerd, John Woolman, Corrie ten Boom, Eugene Peterson, Frederick Buechner, Sadhu Sundar Singh… Mas, enfim, dessa forma teria de ser uma lista de 100 livros que todo cristão deveria ler, e aí ficaríamos com o mesmo problema: o que ler primeiro?

O que mais me alegra é saber que tenho pela frente três prioridades de leitura: 1) quero ler com cuidado e devoção Os Irmãos Karamázov (Dostoiévski); 2) quero conhecer mais a fundo a obra de Gerard Manley Hopkins (pois apenas provei alguns bocados); 3) quero também ler do começo ao fim os Pensamentos, de Blaise Pascal.

Alguém me acompanha?

alegria

Tenho pensado muito sobre a felicidade nos últimos dias. Primeiro foi a leitura em oração dos Salmo 112. Compartilhei essa leitura com meus irmãos da Igreja Presbiteriana de Criciúma e com meus queridos parentes em Blumenau. Em minha compreensão, entendi a felicidade como fruto da graça de Deus.

Em minhas reflexões, lembrava-me sempre da canção do querido amigo Jorge Camargo: “A Felicidade”, uma das coisas mais belas que já ouvi sobre o tema. Uma bela reflexão a partir de uma frase de Kierkegaard: “A porta da felicidade abre só para o exterior; quem a força em sentido contrário acaba por fechá-la ainda mais”. A mensagem é muito clara e forte: a essência da felicidade é compartilhar.  E isso me faz lembrar de outro amigo, Gerson Borges, cujo moto é: “A glória de Deus é compartilhar”. Mas isso é tema para outro post.

Pare um pouco e assista ao belo vídeo do Jorge:

A Felicidade

Na semana, enquanto aguardava minha consulta no cardiologista, li um texto do Frederick Buechner que mudou minha concepção um pouco. Eu que sempre colocava a felicidade acima da alegria. Para mim, a alegria sempre me pareceu menor, mais cotidiana, prosaica, enquanto a felicidade tinha ares de eternidade. A visão de Buechner é um pouco diferente, talvez mais próxima da de C.S. Lewis quando escreveu o Surpreendido pela Alegria. Diz Frederick Buechner:

Não há ninguém que já não tenha sido tocado em algum lugar pela alegria, de modo que, para torná-la real para nós, para mostrá-la, seria suficiente para Jesus simplesmente lembrar-nos dela, lembrar-nos dos momentos de alegria em nossas próprias vidas. Mesmo assim, não é fácil, pois ironicamente esses momentos são os que geralmente não associamos com religião. Tendemos a pensar que a alegria não é propriamente religiosa, mas até mesmo oposta à religião. Tendemos a pensar que a experiência religiosa consiste em sentar-se imóvel e antisséptico e um pouco entediados e que alegria é riso e liberdade e braços estendidos para abraçar a Terra enorme e impressionante e que é tão bela que às vezes parece quase explodir os nossos corações. Precisamos ser lembrados que em sua âmago o Cristianismo é alegria e que o riso e  a liberdade e o abraço são a sua essência. Precisamos ser lembrados também que a alegria não é o mesmo que felicidade. Felicidade é construída pelo ser humano — um lar feliz, um casamento feliz, relacionamentos felizes com nossos amigos e em nosso lugar de trabalho. Isso exige esforço e, se formos cuidadosos e sábios e se tivermos sorte, podemos conseguir. A felicidade é uma das mais nobres realizações a que somos capazes, e quando a conseguimos, recebemos o crédito por ela, de modo até apropriado. Mas nós jamais podemos receber crédito por nossos momentos de alegria, pois sabemos que eles não são realizados humanamente e jamais seremos realmente responsáveis por eles. Eles vêm quando vêm. São sempre repentinos e breves e irrepetíveis. Às vezes a alegria inexplicável de apenas estar vivo. O milagre às vezes de sermos apenas quem somos debaixo do céu azul e sobre a grama verdejante, os rostos dos nossos amigos e as ondas do mar, sendo apenas o que eles são. A alegria de relaxar, de sentir-se bem repentinamente quando havíamos estado doentes, de ser perdoado quando antes nos sentíamos envergonhados e com medo, de nos sabermos amados quando antes estávamos perdidos e sozinhos. A alegria de amar, que é uma alegria tanto da carne quanto do espírito. Entretanto, cada um de nós pode prover-se de seus próprios momentos, pelo menos em duas coisas mais. Um é que a alegria é sempre abrangente; não há nada mais em nós para ser odiado ou temido, para sentir-se culpado ou ser egoísta. A alegria é onde o ser inteiro aponta para uma só direção, e é algo que por sua natureza o homem jamais pode acumular, mas sempre repartir. Segundo, a alegria é um mistério porque ela pode acontecer em qualquer lugar, em qualquer tempo, mesmo sob as circunstâncias mais complicadas, mesmo no meio do sofrimento, com lágrimas nos olhos. Mesmo pendurado a uma cruz” (Frederick Buechner, Listening to Your Life, p. 286-7).