Água no Deserto

água no deserto

agua capaEis o novo CD: Água no Deserto. Ele traz um punhado de canções que marcaram minha vida nestes últimos anos. A idéia é de continuidade, não de ruptura, com o que eu já vinha fazendo nos anos anteriores: lidar com poesia, com temas do cotidiano, refletir sobre a realidade social e também sobre a dimensão espiritual da vida.

Compartilho com vocês uma das canções do disco. Ela fala de um pássaro que pousou certa vez na soleira de minha janela, fala da angústia que vivem os animais ao nosso redor, fala do que temos feito ao meio ambiente e como isso tudo é visto na perspectiva da natureza que clama a Deus por socorro.

Não se deve temer o cotidiano, não se deve esquecer a realidade da nossa vida. É ali que se encontram a dracma perdida, o samaritano, os pescadores da Galiléia, o casamento em Caná, o publicano Zaqueu, as parábolas de Jesus, os sonhos de Jacó. É no chão batido do dia a dia que Jesus escreve na areia e a multidão fica perplexa. É ali que o Mestre pede água junto ao poço. É ali que Marta lava louça enquanto Maria fica aos pés de Jesus.

Assim, neste disco celebra-se a amizade, o amor, a esperança; reflete-se sobre o país em que vivemos, o mundo e seus tantos desafios; canta-se a variedade de culturas que compõem o Brasil, as cores, os ritmos, os sons, as vozes de tanta gente que faz esta nação; medita-se sobre a natureza, as aves, os mares, as montanhas, as águas que nos cercam; declara-se amor integral àquele que nos criou.

agua fundo

Passarinho

Ele pousa na soleira

Da janela principal

Chama a sua companheira

Com algum sinal

Olha tudo curioso

Minha sala, meu sofá,

Faz a festa, grita, pula

Dança até cansar

Canta, curió! Canta, sabiá!

Sabe lá o que sonha ou sofre um pobre tangará?

Ele vai voar, vai voltar pro céu,

Vai contar ao Pai do céu o que ele viu aqui.

E vai dizer que não há rio

Que não esteja por morrer

Dizer que a mata já sumiu de vez

E que a vida sofre no estio

E o mar não pára de gemer

Que a Terra inteira faz se aquecer

Vento vem soprar

Vento vem dizer

Que a esperança também dança

Neste amanhecer

E que haverá tempo de virar

De mudar o rumo e de pousar no ar