Arquivo de setembro 2016

Usamos a Máscara

paul-dunbar2Paul Laurence Dunbar (1872-1906) foi o primeiro grande escritor negro a ser reconhecido nos Estados Unidos e na Inglaterra. Na aula de Literatura Norte-Americana de hoje na Unesc, lemos juntos e comentamos este poema: “We Wear the Mask” (Nós usamos a máscara). Este é um poema que fala de preconceito e exclusão. Fala da estratégia do poeta de esconder sua verdadeira identidade a fim de proteger sua vida. Em tempos de racismo solto, de preconceitos vários, o poema continua fazendo sentido.

 

Eis aqui uma tentativa de tradução:

 

“Usamos a Máscara”

 

 .
Usamos a máscara que sorri e mente,
Ela esconde nosso rosto e sombreia nossos olhos,—
Pagamos esse preço da malícia humana;
Com coração quebrantado e sangrando, sorrimos,
E a boca cheia de miríades de sutilezas.
.
Por que deveria o mundo saber de tudo,
Ao saber de todas as nossas lágrimas e suspiros?
Não, que eles apenas nos vejam enquanto
       Usamos a máscara.
.
Sorrimos, mas, ó grande Cristo, nossos clamores
A ti brotam de almas torturadas.
Cantamos, mas a lama é vil
Sob nossos pés, e longa é a milha;
Mas que o mundo sonhe outra coisa,
       Nós usamos a máscara!

 

 

Quintana e Botticelli

botticelli_annunciazione_di_cestello_02O poeta Mário Quintana era apreciador de toda sorte de arte: cinema, música, teatro, pintura. Em seu breve poema intitulado “If…”, faz uma homenagem a um belíssimo quadro de Sandro Botticelli: “Anunciação de Cestello”. Pode-se dizer que é uma breve análise do quadro em forma de poesia.

 

If…

 

E até hoje não me esqueci

Do Anjo da Anunciação no quadro de Botticelli:

Como pode alguém

Apresentar-se ao mesmo tempo tão humilde e cheio de tamanha dignidade?

Oh! tão soberanamente inclinado…

Se pudéssemos ser como ele!

Os Anjos dão tudo de si

Sem jamais se despirem de nada.

 

— Mário Quintana