Arquivo de agosto 2015

Sara Groves e as pinturas do Egito

Vivemos entre memórias e a esperança. É disso que fala esta bela canção de Sara Groves: “Painting Pictures of Egypt”. Sara é artista cristã, autora de belíssimas canções, com melodias sensíveis, fortes, e letras bastante poéticas. Graduada em direito, Sara apoia o ministério de denúncia e combate à escravidão moderna. Mãe e esposa, vive a simplicidade do cotidiano guardando sempre no coração as palavras de Jesus. Admirável pessoa.

Nesta canção ela se coloca no lugar do povo de Israel e a hesitação entre sair para o deserto (para a terra prometida) ou permanecer no “conforto” das coisas cotidianas do Egito.

“Pintando quadros do Egito”
(Sara Groves)

Não quero sair daqui
Não quero ficar
Sinto como se fosse um aperto
De qualquer jeito
E os lugares que mais desejo
São os lugares onde já estive
Eles me chamam
Como um amigo que não se vê há muito

Não se trata de perder a fé
Não se trata de confiar
Trata-se de sentir-se confortável
Quando você se muda tanto
E o lugar em que eu estava não era perfeito
Mas achei um jeito de viver
E não era leite ou mel
Mas também não isto o que tenho aqui

Estou pintando quadros do Egito
Deixando de lado o que falta
O futuro parece tão difícil
E quero voltar
Mas os lugares que pareciam perfeitos para mim
Não podem conter as coisas que tenho aprendido
Aquelas estradas se fecharam para mim
Quando virei as costas e parti

O passado é tão palpável
Isso eu sei de cor
Coisas familiares nunca são fáceis
De se descartar
Eu queria tanto alguma liberdade
Mas agora estou em dúvida ao partir
Me vejo entre a Promessa
E as coisa que já conheço

“Painting Pictures Of Egypt”

(Sara Groves)

I don’t want to leave here
I don’t want to stay
It feels like pinching to me
Either way
And the places I long for the most
Are the places where I’ve been
They are calling out to me
Like a long lost friend

It’s not about losing faith
It’s not about trust
It’s all about comfortable
When you move so much
And the place I was wasn’t perfect
But I had found a way to live
And it wasn’t milk or honey
But then neither is this

I’ve been painting pictures of Egypt
Leaving out what it lacks
The future feels so hard
And I want to go back
But the places that used to fit me
Cannot hold the things I’ve learned
Those roads were closed off to me
While my back was turned

The past is so tangible
I know it by heart
Familiar things are never easy
To discard
I was dying for some freedom
But now I hesitate to go
I am caught between the Promise
And the things I know

13/31 | Presentes à(s) criança(s)

Leia: Mateus 2.1-12

Ouço o som de buzinas e de autofalantes. Em seguida, vejo o caminhão com várias pessoas sobre a carroceria e com um grande número de pacotes coloridos passar chamando a criançada. Após o caminhão seguem vários carros de apoio.
A carreata do bem acontece todo final do ano. Ela percorre a rua de minha casa e segue até o final do bairro onde moram pessoas de condições humildes.
Lá chegando, é feita a distribuição de presentes às crianças. Terminada a entrega, algumas passam em frente de casa. Da janela de meu quarto consigo ver as carinhas de alegria. Não importa se a boneca é uma imitação de grifes famosas, ou se a bola de plástico dali a alguns dias estará furada, ou mesmo se o carrinho logo perderá as rodas.
Não importa. O fato é que essas crianças, tomadas de alegria, foram lembradas. Pessoas vieram até elas e trouxeram presentes. Que alegria! Em um mundo desumano e de apagamentos sociais, lembrar de uma criança pobre significa muito.
Os pais ficam gratos. Afinal, por mais baratos que sejam os presentes, liberam o pouco de dinheiro que possuem para comprar talvez um panetone, ou, quem sabe, com um pouco mais de esforço, uma carne que poderá até ser a surpresa da ceia humilde de natal.
O texto bíblico indicado acima testemunha a sensibilidade de pessoas importantes que se lembraram de uma humilde criança na Palestina.
Embora o relato se revista de tensões, afinal, o falso rei Herodes deseja utilizar os magos para seus intentos assassinos, há nele também um elemento de delicadeza e de alegria. Protegidos por Deus, os magos conseguem se desvencilhar das garras de Herodes e, dirigidos pela estrela, chegam à humilde Belém e visitam a criança.
Imagine a surpresa da família de Jesus ao ver aqueles homens, certamente muito bem vestidos, com ares aristocráticos, entrarem na pequena casa e, após saudarem seus moradores, depositarem presentes diante daquela pequena e pobre criança!
O recém-nascido era considerado por eles o rei dos judeus. Claro que a sequência do evangelho de Mateus corrigirá essa visão demonstrando que Jesus é o rei do universo, senhor de tudo e de todos. Mas, naquele momento, reconhecer aquela criança como rei dos judeus era muita coisa.
O texto revela que eles estavam cheios de alegria e de júbilo. Sim, pois eles faziam parte do restrito círculo de pessoas que conseguiram ver e reconhecer o menino Jesus. E mais, tiveram o privilégio de presenteá-lo. O texto silencia a respeito da reação da criança. Certamente não entendeu o que ocorria ao seu redor. Também não relata a reação de Maria. O mais importante é realçar a alegria de quem presenteia.
Sim, é verdade. As pessoas que passam diante de casa são as mais felizes, mais até do que as crianças que recebem os presentes. E têm razão para isso. Afinal, elas são privilegiadas por poderem dar presentes. E para crianças que precisam deles.
Que tal, neste Natal, levar presentes para crianças carentes? Para um orfanato, para uma entidade de assistência social. Existem tantas! Ao dar presentes, pense no menino Jesus, pense que poderá alegrar, em nome de Jesus Cristo, crianças que talvez, sem você, permanecerão esquecidas neste natal.
Ouça a canção na voz de Ivan Lins. Medite. Ore. Compartilhe. http://www.youtube.com/watch?v=upsyx4X5bH8
João Leonel

Muita gente desconhece

albert schweitzer2Nestes dias em que a humanidade passa por crises de toda ordem: econômica, política, ideológica, social, cultural, faz bem trazer à memória a contribuição de pessoas que souberam compreender seu mundo e apontar caminhos. Uma dessas figuras inesquecíveis, mas que muita gente desconhece, foi o médico cristão, pesquisador, teólogo e missionário Albert Schweitzer.

Durante a I Guerra Mundial, quando seu trabalho missionário em Lambarene (no Gabão) foi interrompido, Schweitzer começou a refletir sobre a crise da civilização ocidental e o desafio de elaborar princípios éticos que tivessem validade universal e que vencessem os ventos fortes do relativismo, que já começavam a soprar na Europa. A elaboração desses princípios éticos deveria se basear na reflexão, no pensamento crítico e ao mesmo tempo honesto sobre o sentido da realidade. Ele escreve um livro que seria publicado em 1923: Filosofia da Civilização. No capítulo 26 ele apresenta sua mais importante proposição: “A ética da reverência pela vida”.

Schweitzer buscou embasar seu princípio ético numa racionalidade que não se tornasse mera abstração, e que tivesse validade universal, algo que fosse elementar, simples e ao mesmo tempo profundo. Seu ponto de partida é o sujeito que descobre uma verdade bruta e fundamental: “Sou uma vida que quer viver no meio de outras vidas que querem viver”. A partir daí, há dois princípios básicos: 1) é preciso socorrer a vida que estiver em risco; 2) é preciso não ferir e não matar a vida.

Nosso poeta João do Vale soube expressar isso muito bem o que o filósofo propôs: “Eu vi a lavadeira pedindo sol / E o lavrador pra chover / Os dois com a mesma razão / Todos precisam viver”. O dilema ético consiste em que a vida, para viver, acaba matando outras vidas, como o gavião carcará, que “pega, mata e come”. A diferença entre o ser humano e o carcará é que o ser humano tem de decidir conscientemente o que fazer com a vida e ser responsável por essa decisão.

Schweitzer aponta para o respeito necessário diante de toda forma de vida, inclusive animais e vegetais. Ele fala até mesmo do respeito devido aos insetos e aos seres microscópicos: “O ser humano é verdadeiramente ético somente quando obedece ao impulso de socorrer toda vida que puder assistir, e evitar ferir qualquer ser vivo. Ele não questiona até que ponto essa ou aquela forma de vida merece simpatia ou valor […]. A vida é sagrada para ele. Ele não arranca uma folha de árvore, não colhe uma flor e tenta não pisar em nenhum inseto. Se no verão ele trabalha à luz do lampião, ele prefere fechar a janela e respirar o ar abafado a ver os insetos se atirarem na chama um após outro e caírem sobre a mesa”. Exagero? Não. Coerência.

Nesse mesmo artigo, Schweitzer entra na questão da pesquisa científica e antecipa por décadas discussões que hoje agitam as universidades do mundo. O que fazer com os animais que servem às nossas pesquisas em laboratório? Como tratá-los dignamente. Se é preciso que eles sejam sacrificados pelo bem da humanidade, então façamos com consciência e responsabilidade. Ele comenta o mesmo em relação aos animais tratados em confinamento e abatidos pelas indústrias de alimento.

Vale a pena conhecer a obra e o pensamento de Albert Schweitzer. Vale a pena ouvir as canções de João do Vale:joao do vale

Deu meia noite, a lua faz um claro

Eu assubo nos aro, vou brincar no vento leste

 

A aranha tece puxando o fio da teia

A ciência da abeia, da aranha e a minha

 

Muita gente desconhece

Muita gente desconhece, olará, viu?

Muita gente desconhece

 

 

Para conhecer a vida e obra de Albert Schweitzer:

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/4975589/filosofia-da-civilizacao

Documentário: em inglês http://www.youtube.com/watch?v=Gf4B9v0s0CY

Há um filme rodado em 2006 sobre a vida de Schweitzer: eis o trailer http://www.youtube.com/watch?v=wBHXg3G6-H4

 

João do Vale cantando: http://www.youtube.com/watch?v=yvkolUGD8rg

Luiz Vieira canta uma canção de João do Vale: http://www.youtube.com/watch?v=fBQeev18Ejk