Arquivo de fevereiro 2015

Janelas

Enquanto preparava as aulas de Literatura Inglesa deste semestre, li este poema e fiz uma tentativa de tradução. Compartilho com os amigos:

vitral

“The Windows”
(George Herbert, 1593-1633)

 

Senhor, como pode o homem pregar a palavra eterna?

Ele é um vidro frágil e louco;

Mesmo assim, em teu templo tu lhe concedes

Este lugar glorioso e transcendente,

Para ser uma janela, através de tua graça.

 

Mas quando tu temperas no vidro tua história,

Fazendo tua vida brilhar dentro

Dos santos pregadores, então a luz e a glória

Cresce mais reverentemente, e mais alcança;

O que de outro modo é aguado, desolado e fino.

 

Doutrina e vida, cores e luz, em um só

Quando se combinam e misturam, causam

Grande respeito e temor; mas a fala sozinha

Desaparece como algo que se queima,

E ao ouvido, não à consciência, ressoa.

Esperança para o passado

moltmannEstou terminando de ler o livro Teologia da Esperança, de Jürgen Moltmann. A obra tem uma rica fundamentação da teologia bíblica, ao mesmo tempo em que dialoga diretamente com os mais importantes representantes da teologia sistemática e da filosofia. O capítulo 4, particularmente, apresenta uma rica exposição sobre o conceito de história em Moltmann, que faz referência a Walter Benjamin, a Ernst Bloch, George Lukács e outros pensadores. Meus amigos estudiosos da história precisam ler esse livro.

Segue um pequeno fragmento que me impressionou bastante.

O passado terá de ser examinado em relação ao seu próprio futuro. Toda a história está cheia de possibilidades — possibilidades que têm sido aproveitadas ou não aproveitadas, apreendidos e bloqueados. Nessa perspectiva, ela aparece cheia de possibilidades interrompidas, primórdios perdidos, iniciativas arrebatadas para o futuro. As eras passadas irão, assim, ser entendidas do ponto de vista de suas esperanças. Elas não eram a base do presente que agora existe, mas eram elas mesmas o presente e a linha de frente para o futuro (Moltmann, Theology of Hope, p. 174).