DESERTO-DE-ATACAMA-2Leia: João 1.19-23

 

Desertos são lugares perigosos. A amplidão das dimensões, o calor causticante durante o dia e o frio atroz nas noites, as dunas que teimam em se deslocar ao sabor do vento confundindo direções e eventuais tempestades de areia tornam esses vastos territórios os mais letais do planeta.

Desse aspecto físico surge outro, simbólico. No período do Antigo e Novo Testamentos o deserto era considerado um lugar de provação, por onde Israel caminhou por quarenta anos e onde Jesus foi tentado pelo diabo após quarenta dias.  O deserto era considerado o lugar de habitação de demônios.

O texto proposto para leitura hoje fala de deserto. João Batista é “a voz do que clama no deserto”.  João pregava no deserto da Judeia anunciando a vinda do Messias Jesus. Tal notícia chegou aos ouvidos dos religiosos em Jerusalém, sempre zelosos com a doutrina e preocupados com possíveis confusões com radicalizações religiosas. Rapidamente enviaram emissários para saber quem era João. As pessoas falavam tanto dele, e ele havia se tornado tão popular que havia dúvida se ele seria ou não o Messias.

Sem rodeios ele afirmou: “Eu não sou o Cristo!”. Diante da insistência a respeito de sua identidade, ele cita o profeta Isaías dizendo: “sou a voz que clama no deserto”, cuja missão é endireitar o caminho do Senhor.

Deserto, lugar de sofrimento, de dor, de morte. No entanto, é dele que provém a voz que proclama a salvação manifesta em Jesus. Não são demônios que saem do deserto. É João Batista. Aquele que compreende quem é Jesus, que tem consciência das implicações de sua vinda. Que recebe a incumbência de tornar tais verdades claras ao povo.

De onde ecoam nossas vozes? Provavelmente de condomínios confortáveis, de casas envoltas em cercas elétricas, de lugares onde estamos seguros e livres dos males e problemas sociais. Talvez, neste natal, nossas vozes sejam ouvidas em reuniões familiares em chácaras, em clubes, talvez até em iates.

Mas, e o deserto? E os lugares de sofrimento, de desamparo, de pobreza, de humilhação e de morte? Haverá, hoje, vozes que proclamem o Messias no deserto? Por onde andará João Batista? É provável que hoje não existam discípulos de João Batista. É provável que o deserto não seja mais nosso destino e nossa missão. É provável que não saibamos mais o que falar em tal lugar.

“Sou a voz que clama no deserto”. Esse é o convite da Escritura para mim e para você neste natal. Que tal nos dirigirmos para o deserto e erguermos em alto som nossas vozes de proclamação da vinda do Messias, luz do mundo, Senhor da vida, aquele que preenche de vida o deserto da humanidade?

Ouça. Medite. Ore. Compartilhe. Canção “Voz” (voz de Nelson Bomilcar), que faz parte da Cantata Luz. Se quiser, ouça a cantata inteira. http://www.mp3gospel.org/4708/guilerme-kerr-cantata-luz/

João Leonel

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