refugiadosLeia: Mateus 2.13-18

 

Uma multidão abandona a cidade de Antakya, na Síria, e parte em direção a Turquia. É tempo de guerra. Mais de 300.000 pessoas arriscaram a travessia da fronteira e os perigos da viagem. Automóveis velhos carregando trouxas de roupas, malas, cadeiras, panelas, carroças levando famílias e seus poucos pertences. Entre eles, mulheres grávidas levando seus filhinhos, rostos tensos, voltados para o chão. Que triste cena!

José e Maria, fugindo de Belém e buscando refúgio no Egito, escapam por pouco de um massacre. As forças de Herodes se voltam contra as crianças de Belém. Os corações de José e Maria estão aflitos. Não conhecem a estrada, muito menos o que a vida lhes reserva além da fronteira, mas seguem adiante, confiados na orientação de Deus. Sabem que, ainda que o pior aconteça, Deus estará com eles.

José e Maria encarnam a angústia de todos os refugiados deste mundo, todos os que têm a vida a preço, caçados nas matas e desertos, vivendo no provisório das barracas e dos campos de refugiados, passando pelos olhares desconfiados dos guardas de fronteira e das pessoas que olham de soslaio das frestas e janelas das casas por onde passam. Deus tem um carinho todo especial pelos refugiados deste mundo, Seu Filho amado também foi um refugiado, um perseguido político, alvo da ira dos homens.

Há tantos refugiados de guerra por este mundo afora. Cada grito de dor, cada choro abafado é uma súplica que chega aos ouvidos de Deus. Que ele ouça esses gritos e console aqueles que têm que abandonar seus lares e aqueles que nem têm mais lar para abandonar. Amém.

Ouça e medite sobre esta canção de Félix Luna e Ariel Ramirez, intitulada “Peregrinação”. A canção retrata a dramática e tormentosa viagem de José e Maria levando o menino Jesus, “um Deus escondido”, ao Egito, fugindo de Herodes. http://www.youtube.com/watch?v=Mu8uuqxv_98

Se alguém achar interessante, eis aqui uma tradução possível:

Na estrada, na estrada, José e Maria,
Pelos pampas gelados, cardos e urtigas.
Na estrada, na estrada, cortanto campo
Sem abrigo nem pousadas, sigam andando.
Florzinha do campo, cravo do ar,
Se ninguém te abriga, aonde vais nascer?
Onde nasces, florzinha que estás crescendo?
Pombinha assustada, grilo que não dorme.
Na estrada, na estrada, José e Maria,
Com um Deus escondido… ninguém sabia!

Na estrada, na estrada, os peregrinos.
Me empresta uma tapera para o meu filho.
Na estrada, na estrada, sóis e luas,
Dois olhinhos de amêndoa, pele de azeitona.
Ai, burrinho do campo! Ai, boi malhado!
Pois meu filho está chegando, me dêm um lugar
Só um ranchinho de sapé é o que me amapara
Dois amigos por alento, e a lua clara.
Na estrada, na estrada, José e Maria,
Com um Deus escondido… ninguém sabia!

Na estrada, na estradinha, José e Maria.

Gladir Cabral

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